terça-feira, 27 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

"KOPITULE, OCO WOLALEKELE" (adágio Umbundu) - passar por casa de alguém para com este caminhar, é porque houve convite prévio.
TENTATIVA DE ENQUADRAMENTO: A consideração e a confiança, que nos permitem incondicionalmente contar com alguém, cultivam-se.
Salipo ciwa (passem bem)

sábado, 17 de setembro de 2016

PROPOSTA DE TRADUÇÃO: Ao passares pela árvore cujos galhos te arrancaram da cabeça o chapéu, inclina-te.
ENQUADRAMENTO: Há que aprender com a experiência do passado e prevenir consequências negativas.

 "OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE" - (adágio Umbundu) - pariu a cabra de noite, é pela manhã que descortinamos a aparência do filhote).
Enquadramento: geralmente, é um apelo à paciência em caso de dúvida, no sentido de que a verdade vai, mais tarde ou mais cedo, emergir.

"CAVONGA KEPYA, KAPULE KIMBO" (adágio Umbundu)
PROPOSTA DE TRADUÇÃO: Ao fraco desempenho na lavoura, vá questionar a aldeia.
ENQUADRAMENTO: A energia no ambiente do lar (condição psicossocial do indivíduo) costuma ser determinante para o êxito/fracasso no desempenho de tarefas profissionais.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

O serão é o momento cultural mais formal entre os ovimbundu. É praticamente um dogma, só de noite é permitido contar estórias e adivinhas. Diz-se mesmo que quem o fizer durante a luz do dia corre o risco de lhe nascerem chifres (nada relacionado com o sentido de traição). Cá por mim, julgo que será uma estratégia de o entretenimento não prejudicar o horário do labor. Alguém então propõe, por exemplo:
"Alupolo!" (minha adivinha!)
"Wiye!" (Venha!)
"Nditãi kesinya, ndinyanyomõlã alensu." (Encontro-me na outra margem a abanar lenços.)
"Ina yukwene, nda enda epenle, ku koyole." (Se a mãe de outrem está em carência de vestuário, não te rias dela)

E a roda do diálogo gira com tudo o que de metafísico se reveste, vista a tendência de serem os mesmos contos e fábulas cantados, adágios e adivinhas, mas que, entretanto, não perdem o poder de suscitar o mesmo respeito, medo, fantasia e vontade de voltar a ouvir.
"A metáfora é um poema em miniatura", como muito bem a caraterizou Monroe Beardsley, citado por Paul Ricoeur (no livro Teoria da Interpretação, o discurso e o excesso de significação, edições 70, Lisboa, Portugal, 2009)
Ovilamo! (cumprimentos)
Gociante Patissa, Benguela 14.09.2014

terça-feira, 13 de setembro de 2016

"Kunde ka yandela kowangu, oco ongombo wata la muku." (adágio Umbundu) - O feijoeiro não cresce entre o capim, a não ser que tenha o acordo do rato.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

UMB: U okasi kepinli onduko yaye eye elye? Upange waye nye? (Onduko yaye) eye Salsiano Pereira, upange waye okuyevalisa asapulo.
POR: Como se chama o senhor do lado esquerdo? Qual é a sua profissão? Ele chama-se Salesiano Pereira, é profissional de informação (jornalista)
ENG: What is the gentleman on the left hand side’s name? What is his job? His name is Salesiano Pereira, he is a journalist.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

POR: Hélvio é de Benguela, é outro bom cantor/músico
ENG: Hélvio lives in Benguela and is another great musician

UMB: Mariane André oyo onduko yaye, wovolupale wo Lupito, okwete ongavelo yokwimba ovisungo.
POR: Mariane André é o nome dela, vive na cidade do Lobito e tem o dom de cantar.
ENG: Mariane André is her name, lives in Lobito, and is a gifted young singer.
(foto feita durante a gala de eleição da Miss Lobito 2016/17)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

"Nda vilya kwamãle, vinga. Eci vimãla vilya kwove" (provérbio Umbundu)

(Calomboloka: nda ovinyama vilya/vinyõla vepya lya umwe olisungwe laye, kwatisako okuvinga. Momo eci okulya kwapwile po, vatehenlã kwove)

Provérbio Umbundu que corresponde a: "se a barba alheia arde, põe as tuas de molho".

Tradução literal: se os animais comem/destroem lavra de outrem, não hesites em enxotá-los, pois quando derem cabo de tudo, tua lavra não escapa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Quando estiver a usar “oko” e “aka” para interjeição, você estará a fazer tudo, menos acertar. É que tem crescido nos últimos tempos, principalmente na comunicação coloquial das redes sociais, o uso de duas interjeições da língua Umbundu, as quais pretendem transmitir simultaneamente admiração e reprovação. O que faz confusão para quem acompanha com alguma acuidade é que se multiplica e populariza cada vez mais a gralha. O correcto seria “hoko!” e/ou “haka!”, isso mesmo, com H, aspirado, correspondendo ao português “Irra!”, “caramba!”. “Oko” tem outra função, a de advérbio de lugar, quer dizer lá. Por exemplo, “kwende oko” (vai lá mais é). “Aka” também é pronome demonstrativo, quer dizer este ou esta, mas com conotação diminutiva. Por exemplo, “okamõlã aka” (esta criancinha).

Talvez seja já demasiado tarde para a presente chamada de atenção, olhando para a experiência negativa no que respeita ao uso por empréstimo de termos e expressões de origem africana (Bantu) à língua portuguesa. Geralmente, dada a velha questão de status inclinado, a língua portuguesa acaba impondo corruptela, na ausência de rigor ou interesse para um mínimo exercício de pesquisa sobre o sentido, grafia e uso correcto da palavra, como ocorre por exemplo com a palavra "kota" (irmão mais velho), que emprestada à língua portuguesa virou "cota", facilmente confundida com indicador estatístico.

Por favor, quando quiser usar as palavras para expressar admiração/reprovação, não coma o H, se faz favor. É “hoko!” ou “haka!”.
 Gociante Patissa. Benguela, 17 Agosto 2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

UMBUNDU: "A ndombwa kolela / a ndombwa kolela / vonjo likalyove weh / ka cilingi cimwe / ka cilingi cimwe / otembo yokuloya weh"

TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS: Noiva aguenta, noiva aguenta, em casa sozinha, não faz mal é tempo de guerra. Esta mensagem é dirigida á noiva, contudo serve de incentivo para as tropas estacionadas na frente de combate

quinta-feira, 7 de julho de 2016

1. Do enquadramento

Foi lançado em nome do Blog Ombembwa Angola um concuro de tradução baseado em aforismos e provérbios da língua Umbundu/recordados na música «Latchimwe» do Trio Semba da Katombela». Esperava-se uma tradução que levasse em conta o enquadramento contextual e não apenas a mera conversão de palavras. O vencedor escolherá entre receber um mosquiteiro tratado, um exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.

2. Do enunciado

2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita / eye wenda kimbo lyavo"
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga"
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja"
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle"
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva"

3. Dos concorrentes

Apenas o amigo Felisberto Ndunduma Sakutchatcha arriscou na tradução, pelo que reclama a legitimidade do troféu. O parecer da organização é que o seu empenho vale pela metade, pois o que se pretende com os provérbios é, fundamentalmente, enquadrá-los no contexto sócio-antropológico. Respondeu ele da seguinte forma: «1. Se a tanto conselho não aceita, educa-lhe no prato (na comida) e voltará para a sua terra de origem; 2. Sou chamado "teimoso" pela minha minha mãe, por mim ser difícil demais de aconselhar; 3. Quem bate a enxada no chão faz lembrar aos camponeses o trabalho de cultivo; 4. Por mais linda que seja a camisa de outrem, ela não te tira da carência de vestuário; 5. Cozinha-se para quem se farta e aconselha-se quem ouve.»

4. Da nossa interpretação

2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita / eye wenda kimbo lyavo" - Se tu aconselhas, aconselhas e ela não muda; então rejeita a comida dela/ Rejeitada a comida, ela abandona o lar e regressa à procedência. (Trata-se de uma das lições transmitidas a partir dos ritos de passagem aos futuros maridos, já que em termos de divisão de tarefas, as refeições são a cargo da esposa e socialmente um indicador para aferir a boa educação, hospitalidade e harmonia no lar. Logo, se o marido não come em casa, é um desprezo passível de separação.)
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga" - A minha mãe alcunhou-me "Traquinas", o filho que não ouve conselhos. (Em sociedades tradicionais, onde os mecanismos de responsabilização e sanção operam pela via verbal, o conselho dos pais enquanto molde moral têem um valor universalmente enorme.)
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja" - Quem bate a enxada no chão reaviva a memória dos camponeses. (Estamos em presença da celebração do gesto, por um lado, e do enaltecimento de uma ferramenta que representa muito na economia rural.)
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle" - A camisa de outrem, por mais linda que seja, não te supri da carência. (Quer isto dizer que é preciso conquistar as coisas passo a passo e não cultivar a cobiça, que normalmente é parcial)
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva" - Há que confeccionar alimentos para aquele que sabe o que é estar saciado; há que aconselhar quem sabe ouvir. (Aqui parece escusado o enquadramento).

5. Do resultado

Ponderadas as questões numa relação de expectativa-resultado, o prémio é entregue ao único concorrente, Felisberto Ndunduma Sakutchatcha, COMO FORMA DE ESTIMULAR A EXERCITAÇÃO DA NOSSA TRADIÇÃO ORAL. Terá ele dois dias para confirmar o que deseja receber, entre um mosquiteiro, um exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.
Gociante Patissa 

sábado, 25 de junho de 2016

Leva-se ao conhecimento de possíveis fazedores de música genericamente conhecida como tradicional e que procurem a promoção das mesmas o seguinte: (1) Sua excelência eu colabora (a título voluntário e não remunerado) com um programa do Canal A da Rádio Nacional de Angola, programa este emitido aos sábado a partir das 18 horas, com reposição à madrugada de domingo, de Luanda para todo o país. Há três décadas no ar, este programa da RNA tem como vocação a recolha da tradição oral e etnomusical de Angola; (2) O meu poder do colaborador limita-se a recolher, elaborar uma pequena sinopse, caso o conteúdo esteja numa das línguas que domino, e posteriormente remeter à realização do programa, a quem cabe a decisão final de divulgar (ou não) mediante a sua qualidade. Por exemplo, este mês de Junho promovemos na região sul dois artistas, o Kupeletela (do Bocoio) e Morais Camambala (do Huambo e radicado na África do Sul); (3) Sua excelência eu não cobra rigorosamente nada, nem se devia nunca cobrar, mas também não garante pagamento de direitos de emissão. Em caso de interesse, o e-mail para remeterem as músicas em formato Mp3 é patissagociante@yahoo.com
Ainda era só isso. Obrigado.

domingo, 12 de junho de 2016

ALGUNS TRECHOS: "nakalungu/ nakacekele/ cukwavo olya/caye osoleka (...) cananga mo ceci/olongombe vipokola komunu/omunu ka pokola kwisya yaye/ la ina yaye" (o espertalhão é dinâmico, guarda o que é seu para comer o que é do outro (...) o que me deixa perplexo é que o boi obedece ao ser humano, o ser humano desobedece ao pai e à mãe"

Declaração de interesses: faço este convite na minha condição de ouvinte e colaborador do programa. Por outro lado, estou ainda ligado ao músico Kupeletela por laços familiares, ele é primo meu.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

"YILO OFEKA YAKAPUNGU LA NGWALI" (máxima Umbundu dos suspiros da minha mãe) - Este é o país do milho e da perdiz.
Enquadramento: o milho já sabe que é vulnerável à gula da ave e conforma-se com a sua sorte.. A ave sabe que não cultivou o milho e que este não esgota, mas também não abranda a gula e investe em longos vôos. No final, cada um a seu jeito faz a história.


quinta-feira, 2 de junho de 2016

«OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE» - (adágio Umbundu) - Pariu a cabra de noite, é pela manhã que descortinamos a aparência do filhote.
Enquadramento: geralmente, é um apelo à paciência em caso de dúvida, no sentido de que a verdade vai, mais tarde ou mais cedo, emergir. Usa-se também em casos de negação da paternidade durante a gravidez.

sábado, 21 de maio de 2016

"Omõlã wange ukãi oco ndutekula lika lyange, nda ovela ndilupokako; pwãi eci akatelinsã ño 14 anos, kwiya ale ombulutu yimwe yupundola. Ame oco utwe unokota calwa!"

(Sustento a minha filha sozinho.Quando ela está doente me viro até ela ficar bem! Mas quando completar 14 anos, virão insurretos para a conquistarem. Quando penso nisso fico com a cabeça dorida... Tentei)

"Powiñi wakuto, nda ka pakavi ava vafinyã, pakava ava vafembula"

(no grupo dos que usufruem aos excessos a fartura, se não se cansam os que peidam, cansam-se os que têm de abanar com a mão o nariz torcido para minimizar o fedor).

quarta-feira, 11 de maio de 2016

«Si ka ivale ko
okuti kilu lyeve ndukombe
ndipita ombamba
ndonelehõ yakala lomenle

kekumbi ka yi ko vali
yowuka lutanyã
mwapita ofela
noke yaloluka»

TENTATIVA DE TRADUÇÃO

Que eu não me esqueça
de que sou hóspede na face da Terra
de efémera passagem
como a flor que sorriu de manhã

De tarde não se viu
com o sol murchou 
o vento bateu 
e ela ruiu.

terça-feira, 3 de maio de 2016

"La umwe ongendela / La umwe ongendela / ndimõla wonganga weh / La umwe ongendela yeleh / citeketeke opitu yasika"

1. Alguém para traduzir e enquadrar o género do personagem dentro do contexto?

PS:Ninguém me procura ou me conquista/ ninguém me procura ou me conquista/sou filha de feiticeiro/todos dias /todas as manhas/o apito toca ou a galinha canta. ass:# vlbs divel

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Para os meus amigos, conhecidos e leitores em geral no solo brasileiro, finalmente está nas bancas o livro "Almas de Porcelana", que reúne poesia do escritor angolano Gociante Patissa através dos livros Consulado do Vazio (KAT, Benguela 2008), Guardanapo de Papel (NosSomos; Vila Nova de Cerveira, Portugal 2014), alguns inéditos, bem como textos dispersos em Antologias e revistas publicadas em Portugal, Brasil e Moçambique. Para mais informações, queiram contactar directamente a loja virtual da editora Penalux  Grato pela aposta, carosTonho França e Wilson Gorj

terça-feira, 19 de abril de 2016

segunda-feira, 18 de abril de 2016

"Lumenye ka tila owisi; upika ka tila upange" (provérbio Umbundu) - A barata não teme o fumo; o escravo não teme o trabalho.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Depois de receber uma convocatória mais ou menos furiosa para comparecer no dia seguinte à residência do Rei, o aldeão, meio-jovem, meio-homem, era um turbilhão de ideias. Da boca do emissário, de tão telegráfico, podia-se muito bem inventariar a mensagem em quatro palavras: “Henlã kekumbi konjo yaSoma” (amanhã à tarde em casa do Rei). Nada mais acrescentou, nem era preciso. O assunto era grave. O convocado nada disse às pessoas com quem vivia. Tentou dormir. Foi assim que se lembrou da mais sábia das soluções, acreditava ele. Fez-se à residência do mestre sobrenatural. No escuro, manteve-se quieto, sem deixar de garantir estar fora do alcance dos cães, ao mesmo tempo guardas e caçadores, muito amantes de ossos (ele era muito magro).
“Tu por aqui?”, indagou o dono de casa que deu pelo intruso no momento em que ia atrás da árvore para aliviar a bexiga dos líquidos do dia anterior.
“Sim, mestre, nem deixei os galos cantarem. Fui chamado pelo Rei…”
“Queres que eu vá no teu lugar?”
“Não é isso, mestre, quero que me tires as culpas…A fama de bom curandeiro é grande. E se fama tem, solução também… Até porque o mestre também é feiticeiro, ou não é?
“Ó rapaz, cuidado, hã? Pelas tuas palavras tortas, você estragou coisa grande, não é?”
“Engravidei a filha do Rei, papá. Sem apresentação, sem alembamento, ainda por cima, sem profissão, sem herança, sem beleza…”
“Mas força de homem tens. Que mal te podem fazer?”
“O mestre esqueceu que Rei é sempre a Lei?”

A dado momento, a mulher do Rei interrompia para servir chá com batata-doce fervida.

 “Pago duas galinhas, um porco e um cabrito, mestre. Me tira só a chave. Faz Milagre”
“Que chave, rapaz?!”
“A cuspideira. Se quando eu for lá, eu alegar que não engravidei a menina, uma vez que a natureza não me deu o equipamento cuspidor de gravidezes, escapo…”
“E depois, quando a criança nascer e ficar parecida contigo?”
“Aí já passou o tempo, nervo do rei já envelheceu e também já criei condições.”

E lá foi apresentar-se ao Rei. A meio da reunião, que ia muito acalorada, o réu justificou-se inocente, já que não possuía testículos nem um pénis competente… Como se já não bastasse o desmaio, o Rei viu-se ainda obrigado a pedir desculpas ao incapacitado sexual pela alegada humilhação. Tinha resultado o poder do milagre!

Ao aproximar-se da casa do feiticeiro, o incapacitado sexual notou um aglomerado. Óbito. O doente deve ter chegado em fase terminal, pensou. Mas quando já se podiam ouvir com clareza os jograis típicos do choro africano, qual não foi espanto dos enlutados ao ver um desconhecido correr feito louco em direcção ao defunto. O feiticeiro estava inerte, vítima de uma cobra cuspideira a caminho da lavra. 
“Mestre, não faças isso comigo!!! O equipamento? Como fica a minha cuspideira de homem, mestre?!”

Moral: "Cakusanga vuti, linga eti ndimunu; ku kalinge eti ndi nde" (provérbio Umbundu) – Se algo te encontrar na árvore, diz mesmo que és pessoa; não colmeia.

(*) Adaptação feita por Gociante Patissa, Benguela, 29 Fevereiro 2016
www.ombemba.blogspot.com

domingo, 28 de fevereiro de 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

 O primeiro passo para se chegar à serra. Haja estaleca
 Adrenalina ao rubro, para quem está de chinelos e se arrisca à picada de serpente
 Pormenor da piscina ou lagoa do Atuki, um importante fenómeno natural, que infelizmente corre o risco de ver o seu ecossistema enfraquecer, uma vez que os banhistas, embora poucos, conspurcam a nascente com lixo de vária ordem
 Uma selfie para a posteridade com o amigo Albano Sapondiya
 A piscina, também conhecida por lagoa do Atuki, faz a delícias dos miúdos e não só 
Na hora de descer da serra, a velhice usa as pernas para impôr um descanso

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

UKANDA WOLWALI WOMOKO YOMUNU
Eteke cakala ekwi (10) ko sayi ya cemba kulima wohulukayi ovita eciya akwi akwala l’ecelala, Onjango yatatu yowingi wolofeka vyalikongela yasokiya, V’onjo yonguluvulu yo Chaillot ko Paris, ukanda wolwali womoko yomunu. Eteke lyakwamako lyekwi lamosi (11) osayi ya cemba yulima ohukayi ovita eciya akwi akwala l’ecelala, onjango yowingi yo UNESCO yatyamesa asulilo oku eyo akulihisa ekwatiso lyukanda wowingi wovopange osi esukiyo.

ELOMBOLWILO
Okukolela ukulihiso ekalo lityamela kovimata mata vyepata lyomanu kwenda omoko yasoka kwavosi. Kwenda yesunga yilinga ombembwa yimwe yapana yesunga kwenda yombembwa v’olwali.

Okukolela eci kacakulihiwile kwenda esepwiso lyomoko yomunu, lyatwala kokuponda, okungwalisa olondunge vyowiñgi kwenda ekalu lyolwali lumwe muna vakwamwenyo vakaliyela okuvangula kwenda okulitava, vayovoka kusumba kwenda kusuka , yalombolwiwa ndeyi yavelapo hayo yalelapo vali keswimo liwa lyomunu.
Okukolela okuti cavelapo okweca ulongo kokwamako okulyeca kukamba wolofeka.
Olukolela okuti vukanda owiñgi wofokeka vyalikongela, wasapula onjanja yokaliye etavo lyawo komoko yavelapo yomunu, kekalo kwenda esilivilo lyomwenyo womunu, okulisoka komoko yalume kwenda yakayi kwenda yilombolola utoyi wokweca okwamako kwowingi kwenda okweca ekalo lyaposoka lyomwenyo v’eyovo limwe lyavelapo.
Okukolela okuti olofeka vyalityamela vyatyamela okukwata, okulikwatisako l’elisokiyo lyolofeka vilikwete omunga, esumbilo lyolwali kwenda owingi womoko yulume kwenda ayovo avelapo.
Okukolela okuti omunga yimwe yolomoko evi kwenda ayovo lyavelapo vali kesilivilo kokusumbila etyamêlo eli.
Onjango yowiñgi yalombolola ukanda ovu wolwali womoko yomunu l’esokolwilo lyavosi okulipitilisa kawiñgi osi kwenda olofeka vyosi, oco okuti omanu vosi kwenda okuti avimatamata vyosi vyowiñgi, okukwata ukanda owu olonjanja vyosi vesokolwilo, vakwata ongusu yaco, okupisa kelilongiso kwenda kepindiso, lyokwamisako esumbilo lyolomoko evi kwenda ombembwa, kwenda okukwata okupisa kovikele vyamako vyeci citumila ofeka kwenda colwali, okukulihisa kwenda okucilinga volwali kwenda ava vaci kasi, ndañgo kowiñgi wolofeka vyatyamêlako ndeci kwevi vyolofeka vikasi kovaso yavyo :

OCIHASU CATETE
Omanu vosi vacitiwa valipwa kwenda valisoka kovina vyosikwenda komoko. Ovo vakwete esunga kwenda, kwenda olondunge kwenje ovo vatêla okuliteywila kuvamwe kwenda vakwavo vesokolwilo lyocisola.
OCIHASU CAVALI
Omunu eye omunu citava okukala lolomoko vyosi kwenda ayovo osi aciwa vukanda owu kawupiñganyiwa, ndeci citukwiwa kovivalo vyakova, kulume pamwe ukãyi, k’elimi, ketavo, kocisimilo culoñgo woku vyala ofeka ale esokolwilo lyosi likwavo lyefetikilo lyofeka ale lyowiñgi, lyukwasi, lyucitiwe wekalo limwe lyosi konepa yikwavo kakukala etepiso lalimwe lyupisiwa kesokiyo lyuloñgo wokuvyala ofeka, lyesunga ale lyolwali lyofeka a lyosi okuti omunu watunda, okuti ofeka eyi yiyovoke okuti yityamêla yikwavo ale yikala longave yimwe yokulitumila oyonwêle.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016


UMBUNDU | asapulo vetu: ULANDU WA SOMA NDUMBA

“Otembo yaviluka/ Soma Ndumba vowambatisa ewe;/ otala tala oloneke okuviluka”, olondaka evi onepa yocisungo cimwe cutunda syahunlu, ndo kukalela umwe soma londuko ya Ndumba, omo lyo kusilula kotembo ofeka yetu yakala peka lya cikolonya kaputu. Mbi kulima wa 1920, ko lonungaimbo volonyitiwe vyelimi lyumbundu.

Eci soma Ndumba a kala, pana okuti okanyunla ovaimbo vamwe, wasyatele ño okulala ovokombe, enda po ño kamwe. Ndaño pamwe okuti upãla wa 40 km, olala mwele lutãlo ovokombe. Omo lya nye? Wakala hen ocilema? Si citenla oku citambulula, ava vasapula ulandu owu ndeti vo ka vacitenla. Nda hacoko, mekonda lyo losanji votelekaila ndokulinga ongende, ndomo casesamenla okutambulula asongwi (lo pokwenda, lo pokutyuka). Olosanji kavitendiwa vyapita komesa yaye (ucilete ale okuti osoma ka yendainda ulika).

Haimolumwe, konepa yolosanji, ka tukaveli ño calwa soma Ndumba, omo okuti lolosipayu vo vitelekelwa olosanji nda vyukulalele. Ku vana vacitiwa votembo okuti oNgola yayovoka ale, ka calelukile oku tava ndomo osimbu omanu vetu vainda lokutuminliwa. Ko kwange, o sipayu ha “policia” ko, omo okuti cakala ongusu yimwe yava katekãvã, vatumilinwa la cikolonya, oco vatalise ohali vamwenle yimbo. Kucindele ka vapitinla.

Okutyukila ku soma Ndumba, usoma waye vasumbilwe calwa, ndomo casesamenla asongwi vutundasonde. Otembo yaco yina, omwenyo uwa wovikolonya utekwiwa lotokwa yavakatekãvã, kupange wakahandangalala pwãi ofeto yititotito. Polé, cenda asapulo, okukala kwovindele vyotembo yina munlo kwafetikilile pukamba, nda ño ha wocili ko, lasongwi.

Eteke limwe, umwe osipayu votuma ondaka yokuti soma Ndumba akatute ovawe. “Ame situminliwã lomanu ndituminlã”, sekulu wakumbulula. Una usongwi wo Positu, eci ayeva etambululo lya soma, watuma oco vokwate. Soma Ndumba eci akeya, cindele wapitulula eci a tuminle. Soma ka popele calwa, wapinga elisensa, okwiya wainda oku atumiwã. Nda ndopo ndipopya ale eci ceya okwiya ko veteke olyo ndoto, pwãi, linga handi ndipule: nda umbanda oko uli, nda owo osapi yusoma, oco pwãi Ndumba yo ka lohele handi cikolonya wolavisa ndoto?

Papita ño alivala vatito, somba Ndumba otumbuluka lewe, tulingi tuti okawe, mbi ndo nuku yoñaña. Cikolonya utwe wotokota. Soma Ndumba, lelyanjo lyovokulu wosilula hati: “Siti wa ndituma ewe? Eci walipapata, limwina? Hewe ko?”. Eci cindele otambulula ka tuci vali, tusima tuti wasokolola okulweya kwaye, omo okuti ka tukwile nda ewe wayongwile linene, ale litito. Ewe ewe.

Ulandu wakawiwa la Gociante Patissa, ko songo yo Bela-Vista, vo Lupito, 26/11/ 2011
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PORTUGUÊS | Oratura: A LENDA DO SOBERANO NDUMBA

“Otembo yaviluka, Soma Ndumba vowambatisa ewe; otalatala oloneke okuviluka”, em português, “mudaram-se os tempos, até o Soberano Ndumba foi forçado a carregar pedra; está a ver o tempo andar para trás". É essa a essência da canção que satiriza a lendária figura do soberano Ndumba, uma lenda de resistência africana durante a colonização portuguesa, no princípio do século vinte. Para ser mais preciso, como se isso lá fosse possível em lendas, reportámo-nos à década de 1920, na região centro e sul, da “nação Ovimbundu”.

Nas longas caminhadas, Ndumba revelava um inusitado sentido de exigência. Imagine-se, como contam, que num perímetro de pelo menos 40 quilómetros pernoitava umas cinco vezes. Mas para quê? Seria coxo? A isso não sei responder, nem o sabem as fontes. Podia ser apenas pelas mordomias que exigia aos anfitriões em cada aldeia (na ida e no caminho de volta). Perdia-se a conta das galinhas que chegavam à sua mesa (porque, como não devia deixar de ser, caminhava acompanhado).

Bom, mas sobre galinhas, não apertemos tanto o soberano, quando até os sipaios a tal regalia tinham direito, sem ser do seu orçamento, em qualquer aldeia onde tivessem de pernoitar em serviço. As gerações nascidas na Angola independente têm sempre dificuldades em imaginar certas coisas, se interpretarmos o termo como imagem em acção. Concebo sipaio como milícia, já que era um “exército” rudimentar, formado pela autoridade colonial, mas cujo poder se cingia sobre as comunidades indígenas. Ou seja, eram um instrumento de repressão de colonizados contra os seus semelhantes.

Continuando, soma Ndumba fora sempre respeitado no contexto da realeza costumeira. Como se sabe, e não podia ser de outro modo provavelmente, o trabalho forçado e mal remunerado foi a base da prosperidade das sociedades coloniais. Mas, ainda assim, as elites tradicionais foram sempre, aparentemente, salvaguardadas.

Num belo dia, certo sipaio foi incumbido de mandar o soma Ndumba carregar pedras. “Ame situminliwã lomanu ndituminlã” (eu não recebo ordens de meus inferiores), teria retorquido. O chefe de posto, uma vez recebido o recado, mandou o sipaio capturar o soma Ndumba e reforçou a ordem. Chateado, Ndumba pediu licença e saiu. Já digo daqui a pouco o que veio a seguir, mas permitam-me, antes, uma indagação: se o feitiço existe, se é indispensável para o poder dos sobas, por que razão não usou o seu contra o colono?

Horas depois, Ndumba regressou com uma pedrinha, digamos que inferior ao punho de um bebé. Chateado, o chefe pôs-se a barafustar. Calmo, soma Ndumba replicou: “O senhor não pediu pedra? Apalpando o que lhe dei, sente-se que é mole? Não é mesmo uma pedra por natureza?”. A lenda não diz a reacção do chefe, mas é provável que se tenha dado conta do erro da imprecisão: não dissera de que tamanho era a pedra que precisava.
 
Recolhido por Gociante Patissa, bairro da Bela-Vista, Lobito, 26 Novembro 2011

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016


A “ocisangwa” (mais conhecida pelas corruptelas “quissangua” e “kisangua”) é uma bebida típica em Angola, feita à base de ingredientes simples e naturais. Não creio haver uma forma consensual que sirva de receita, tendo em conta até a nossa peculiar diversidade étnica. Ainda assim, podemos resumir a sua classificação em dois galhos: (a) a fermentada e alcoólica, (b) a azeda ou não, mas não alcoólica. Mas para não dispersar o foco, concentremo-nos à realidade dos Ovimbundu.

No dicionário electrónico http://www.dicionarioweb.com.br/quiss%C3%A2ngua.html, encontramos uma remissão ao autor Serpa Pinto (1846-1900), I, 147, que, pecando apenas pela visão redutora da geografia étnica dos ovimbundu, não deixa de apresentar ao mundo a bebida. Para aquele expedidor e entidade da autoridade colonial portuguesa, “quissangua é uma bebida refrigerante, usada pelos Bihenos, e feita de uma decocção da raiz do imbúndi, addicionando-se fuba fervida”.

O propósito destas linhas é partilhar o resultado de uma recente recolha pela nossa tradição oral, quanto ao significado antropológico de “ocisangwa” (a azeda ou não, mas não alcoólica), aquele líquido da importância da água, sempre presente e acessível a todas as idades. Às vezes basta uma boa dose de “ocisangwa” para se passar o dia todo na lavoura.

O modo de preparo é pela fervura, similar ao de “ekela lyo sema” (papa de milho), com uma mistura de fuba e rolão, que fará o papel de “ovitami”, (minúsculas porções trituráveis de milho para engrossar o líquido, que fazem com que se esteja constantemente a agitar o copo para se evitar o desperdício de os abandonar no fundo deste). Há quem use o arroz como “ovitami”, substantivo que julgamos advir de “okutamenla”, que em Umbundu significa engrossar.

Para adoçar o líquido, os povos usavam raízes, havendo também quem lhe acrescente troncos de “onyoñolo” para caprichar no aroma. Tais práticas, como é de imaginar, são ainda usuais no meio rural, dada a riqueza da flora angolana e o vasto conhecimento sobre sua multidisciplinar aplicação na medicina alternativa. Mas é ao açúcar que mais se recorre de modo geral. Quanto à sua conservação e até transporte, recorre-se à “ombenje” (cabaça), substituída por utensílios mais modernos conforme o meio.

Aliás, voltemos ao universo cibernético para aferir a dimensão cosmopolita da “ocisangwa”. O site portuguêswww.sabores.sapo.pt/receita/quissangua-de-fuba, por exemplo, providencia uma receita para quem quer recordar ou conhecer novos sabores. E quanto aos ingredientes, 200 gramas de fuba de milho, três a quatro litros de água, 250 gramas de Açúcar e Fermento q.b. Sendo lógico que nada é estático, impõe-se entretanto realçar que, do ponto de vista da essência, a levedação ocorre de maneira natural e não por fermento industrial. E enquanto pesquisadores, é-nos difícil comentar sobre o resultado do produto por via dessa receita, a qual não provamos (ainda).

A “ocisangwa” é dos bens de presença obrigatória na “ongandala”, a trouxa tradicional que se leva nos rituais de “oku tambela” e/ou “oku lomba” (conhecidos como “consentir” e “alambamento” ou “alembamento”). Então porquê? E é daqui que parte a vontade de partilharmos. Segundo nossas idóneas fontes, o líquido é de elevado valor no que à hospitalidade diz respeito. O termo “ocisangwa” vem de “oku sangiwa”, que também se diz em muitas variantes do Umbundu “oku sangwa. Ou seja, “ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa”, é algo encontrado, símbolo pelo qual o anfitrião se revela hospitaleiro, claro está, tendo na mulher a garantia da sua existência.

Essa é a nossa, mas aguardamos com agrado pela versão que você tiver.
 Gociante Patissa, Benguela

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

OLUVANGO - LUBANGO. Conta a LENDA que, os colonos Portugueses quando chegaram as terras da Huíla , a primeira coisa que perguntaram aos populares foi o seguinte: Quem eram os donos daquelas maravilhosas terras?
Os populares responderam que eram aqueles que usavam “ OLUVANGO “.
“ OLUVANGO “ são uns panos amarrados à cabeça, em forma de chapéu que, os Soberanos Mumuilas usam.
Grande parte dos colonos provinham da Ilha da Madeira e do Porto.
Como sabemos, na pronúncia dos Tripeiros ( habitantes do Porto de Portugal) a letra “V” soa (parece) “B”. Ao invés, de pronunciarem , Vinho Verde, por exemplo, dizem Binho Berde.
Contam os relatos que, foi assim que, as terras daqueles que usavam OLUVANGO passaram a ser chamadas LUBANGO.

Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa 2015

Vídeo | Lançamento do livro A Última Ouvinte by Gociante Patissa, 2010

Akombe vatunyula tunde 26-01-2009, twapandula calwa!

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