terça-feira, 27 de setembro de 2016
terça-feira, 20 de setembro de 2016
sábado, 17 de setembro de 2016
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
O serão é o momento cultural mais formal entre os ovimbundu. É praticamente um dogma, só de noite é permitido contar estórias e adivinhas. Diz-se mesmo que quem o fizer durante a luz do dia corre o risco de lhe nascerem chifres (nada relacionado com o sentido de traição). Cá por mim, julgo que será uma estratégia de o entretenimento não prejudicar o horário do labor. Alguém então propõe, por exemplo:
"Alupolo!" (minha adivinha!)
"Wiye!" (Venha!)
"Nditãi kesinya, ndinyanyomõlã alensu." (Encontro-me na outra margem a abanar lenços.)
"Ina yukwene, nda enda epenle, ku koyole." (Se a mãe de outrem está em carência de vestuário, não te rias dela)
E a roda do diálogo gira com tudo o que de metafísico se reveste, vista a tendência de serem os mesmos contos e fábulas cantados, adágios e adivinhas, mas que, entretanto, não perdem o poder de suscitar o mesmo respeito, medo, fantasia e vontade de voltar a ouvir.
"A metáfora é um poema em miniatura", como muito bem a caraterizou Monroe Beardsley, citado por Paul Ricoeur (no livro Teoria da Interpretação, o discurso e o excesso de significação, edições 70, Lisboa, Portugal, 2009)
Ovilamo! (cumprimentos)
Gociante Patissa, Benguela 14.09.2014
terça-feira, 13 de setembro de 2016
terça-feira, 6 de setembro de 2016
UMB: U okasi kepinli onduko yaye eye elye? Upange waye nye? (Onduko yaye) eye Salsiano Pereira, upange waye okuyevalisa asapulo.
POR: Como se chama o senhor do lado esquerdo? Qual é a sua profissão? Ele chama-se Salesiano Pereira, é profissional de informação (jornalista)
ENG: What is the gentleman on the left hand side’s name? What is his job? His name is Salesiano Pereira, he is a journalist.
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
UMB: Mariane André oyo onduko yaye, wovolupale wo Lupito, okwete ongavelo yokwimba ovisungo.
POR: Mariane André é o nome dela, vive na cidade do Lobito e tem o dom de cantar.
ENG: Mariane André is her name, lives in Lobito, and is a gifted young singer.
(foto feita durante a gala de eleição da Miss Lobito 2016/17)
sexta-feira, 26 de agosto de 2016
"Nda
vilya kwamãle, vinga. Eci vimãla vilya kwove" (provérbio Umbundu)
(Calomboloka:
nda ovinyama vilya/vinyõla vepya lya umwe olisungwe laye, kwatisako okuvinga.
Momo eci okulya kwapwile po, vatehenlã kwove)
Provérbio
Umbundu que corresponde a: "se a barba alheia arde, põe as tuas de
molho".
Tradução literal: se os animais comem/destroem lavra de outrem,
não hesites em enxotá-los, pois quando derem cabo de tudo, tua lavra não
escapa.
quarta-feira, 17 de agosto de 2016
Quando
estiver a usar “oko” e “aka” para interjeição, você estará a fazer tudo, menos
acertar. É que tem crescido nos últimos tempos, principalmente na comunicação
coloquial das redes sociais, o uso de duas interjeições da língua Umbundu, as
quais pretendem transmitir simultaneamente admiração e reprovação. O que faz
confusão para quem acompanha com alguma acuidade é que se multiplica e populariza cada vez mais a
gralha. O correcto seria “hoko!” e/ou “haka!”, isso mesmo, com H, aspirado,
correspondendo ao português “Irra!”, “caramba!”. “Oko” tem outra função, a de advérbio de lugar, quer dizer lá. Por exemplo, “kwende oko” (vai lá mais
é). “Aka” também é pronome demonstrativo, quer dizer este ou esta, mas com
conotação diminutiva. Por exemplo, “okamõlã aka” (esta criancinha).
Talvez seja
já demasiado tarde para a presente chamada de atenção, olhando para a
experiência negativa no que respeita ao uso por empréstimo de termos e
expressões de origem africana (Bantu) à língua portuguesa. Geralmente, dada a
velha questão de status inclinado, a língua portuguesa acaba impondo
corruptela, na ausência de rigor ou interesse para um mínimo exercício de
pesquisa sobre o sentido, grafia e uso correcto da palavra, como ocorre por
exemplo com a palavra "kota" (irmão mais velho), que emprestada à
língua portuguesa virou "cota", facilmente confundida com indicador
estatístico.
Por favor,
quando quiser usar as palavras para expressar admiração/reprovação, não coma o
H, se faz favor. É “hoko!” ou “haka!”.
Gociante
Patissa. Benguela, 17 Agosto 2016
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
UMBUNDU: "A ndombwa kolela / a ndombwa kolela / vonjo likalyove weh / ka cilingi cimwe / ka cilingi cimwe / otembo yokuloya weh"
TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS: Noiva aguenta, noiva aguenta, em casa sozinha, não faz mal é tempo de guerra. Esta mensagem é dirigida á noiva, contudo serve de incentivo para as tropas estacionadas na frente de combate
quinta-feira, 7 de julho de 2016
1. Do enquadramento
Foi lançado em nome do Blog Ombembwa Angola um concuro de
tradução baseado em aforismos e provérbios da língua Umbundu/recordados na
música «Latchimwe» do Trio Semba da Katombela». Esperava-se uma tradução que
levasse em conta o enquadramento contextual e não apenas a mera conversão de
palavras. O vencedor escolherá entre receber um mosquiteiro tratado, um
exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.
2. Do enunciado
2. Do enunciado
2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita /
eye wenda kimbo lyavo"
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga"
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja"
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle"
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva"
3. Dos concorrentes
3. Dos concorrentes
Apenas o amigo Felisberto Ndunduma Sakutchatcha arriscou na tradução, pelo que reclama
a legitimidade do troféu. O parecer da organização é que o seu empenho vale
pela metade, pois o que se pretende com os provérbios é, fundamentalmente,
enquadrá-los no contexto sócio-antropológico. Respondeu ele da seguinte forma:
«1. Se a tanto conselho não aceita, educa-lhe no prato (na comida) e voltará
para a sua terra de origem; 2. Sou chamado "teimoso" pela minha minha
mãe, por mim ser difícil demais de aconselhar; 3. Quem bate a enxada no chão
faz lembrar aos camponeses o trabalho de cultivo; 4. Por mais linda que seja a
camisa de outrem, ela não te tira da carência de vestuário; 5. Cozinha-se para
quem se farta e aconselha-se quem ouve.»
4. Da nossa interpretação
4. Da nossa interpretação
2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita
/ eye wenda kimbo lyavo" - Se tu aconselhas, aconselhas e ela não
muda; então rejeita a comida dela/ Rejeitada a comida, ela abandona o lar e
regressa à procedência. (Trata-se de uma das lições transmitidas a partir dos
ritos de passagem aos futuros maridos, já que em termos de divisão de tarefas,
as refeições são a cargo da esposa e socialmente um indicador para aferir a boa
educação, hospitalidade e harmonia no lar. Logo, se o marido não come em casa,
é um desprezo passível de separação.)
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga" - A minha mãe alcunhou-me "Traquinas", o filho que não ouve conselhos. (Em sociedades tradicionais, onde os mecanismos de responsabilização e sanção operam pela via verbal, o conselho dos pais enquanto molde moral têem um valor universalmente enorme.)
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga" - A minha mãe alcunhou-me "Traquinas", o filho que não ouve conselhos. (Em sociedades tradicionais, onde os mecanismos de responsabilização e sanção operam pela via verbal, o conselho dos pais enquanto molde moral têem um valor universalmente enorme.)
2.3.
"Waveta
etemo posi / waivalwisa olongunja" - Quem bate a enxada no chão
reaviva a memória dos camponeses. (Estamos em presença da celebração do gesto,
por um lado, e do enaltecimento de uma ferramenta que representa muito na
economia rural.)
2.4.
"Ombinja
yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle" - A camisa de
outrem, por mais linda que seja, não te supri da carência. (Quer isto dizer que
é preciso conquistar as coisas passo a passo e não cultivar a cobiça, que
normalmente é parcial)
2.5.
"Vapikaila
u okuta / valongaisa una ukuyeva" - Há que confeccionar alimentos
para aquele que sabe o que é estar saciado; há que aconselhar quem sabe ouvir.
(Aqui parece escusado o enquadramento).
5. Do resultado
Ponderadas as questões numa relação de expectativa-resultado, o
prémio é entregue ao único concorrente, Felisberto Ndunduma Sakutchatcha, COMO
FORMA DE ESTIMULAR A EXERCITAÇÃO DA NOSSA TRADIÇÃO ORAL. Terá ele dois dias
para confirmar o que deseja receber, entre um mosquiteiro, um exemplar do livro
ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.
Gociante Patissa
sábado, 25 de junho de 2016
Leva-se ao conhecimento de possíveis fazedores
de música genericamente conhecida como tradicional e que procurem a promoção
das mesmas o seguinte: (1) Sua excelência eu colabora (a título voluntário e
não remunerado) com um programa do Canal A da Rádio Nacional de Angola,
programa este emitido aos sábado a partir das 18 horas, com reposição à madrugada
de domingo, de Luanda para todo o país. Há três décadas no ar, este programa da RNA tem
como vocação a recolha da tradição oral e etnomusical de Angola; (2) O meu
poder do colaborador limita-se a recolher, elaborar uma pequena sinopse, caso o
conteúdo esteja numa das línguas que domino, e posteriormente remeter à realização do programa, a quem cabe a decisão final de divulgar (ou
não) mediante a sua qualidade. Por exemplo, este mês de Junho promovemos na
região sul dois artistas, o Kupeletela (do Bocoio) e Morais Camambala (do Huambo
e radicado na África do Sul); (3) Sua excelência eu não cobra rigorosamente
nada, nem se devia nunca cobrar, mas também não garante pagamento de direitos
de emissão. Em caso de interesse, o e-mail para remeterem as músicas em formato
Mp3 é patissagociante@yahoo.com
Ainda
era só isso. Obrigado.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
domingo, 12 de junho de 2016
ALGUNS TRECHOS: "nakalungu/ nakacekele/ cukwavo olya/caye osoleka (...) cananga mo ceci/olongombe vipokola komunu/omunu ka pokola kwisya yaye/ la ina yaye" (o espertalhão é dinâmico, guarda o que é seu para comer o que é do outro (...) o que me deixa perplexo é que o boi obedece ao ser humano, o ser humano desobedece ao pai e à mãe"
Declaração de interesses: faço este convite na minha condição de ouvinte e colaborador do programa. Por outro lado, estou ainda ligado ao músico Kupeletela por laços familiares, ele é primo meu.
terça-feira, 7 de junho de 2016
sexta-feira, 3 de junho de 2016
"YILO OFEKA YAKAPUNGU LA NGWALI" (máxima Umbundu dos suspiros da minha mãe) - Este é o país do milho e da perdiz.
Enquadramento: o milho já sabe que é vulnerável à gula da ave e conforma-se com a sua sorte.. A ave sabe que não cultivou o milho e que este não esgota, mas também não abranda a gula e investe em longos vôos. No final, cada um a seu jeito faz a história.
Enquadramento: o milho já sabe que é vulnerável à gula da ave e conforma-se com a sua sorte.. A ave sabe que não cultivou o milho e que este não esgota, mas também não abranda a gula e investe em longos vôos. No final, cada um a seu jeito faz a história.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
«OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE» - (adágio Umbundu) - Pariu
a cabra de noite, é pela manhã que descortinamos a aparência do filhote.
Enquadramento: geralmente, é um apelo à paciência
em caso de dúvida, no sentido de que a verdade vai, mais tarde ou mais cedo,
emergir. Usa-se também em casos de negação da paternidade durante a gravidez.
sábado, 21 de maio de 2016
"Omõlã wange ukãi oco ndutekula lika lyange, nda ovela ndilupokako; pwãi eci akatelinsã ño 14 anos, kwiya ale ombulutu yimwe yupundola. Ame oco utwe unokota calwa!"
(Sustento a minha filha sozinho.Quando ela está doente me viro até ela ficar bem! Mas quando completar 14 anos, virão insurretos para a conquistarem. Quando penso nisso fico com a cabeça dorida... Tentei)
quarta-feira, 18 de maio de 2016
quarta-feira, 11 de maio de 2016
«Si ka ivale ko
okuti kilu lyeve ndukombe
ndipita ombamba
ndonelehõ yakala lomenle
kekumbi ka yi ko vali
yowuka lutanyã
mwapita ofela
noke yaloluka»
TENTATIVA DE TRADUÇÃO
Que eu não me esqueça
de que sou hóspede na face da Terra
de efémera passagem
como a flor que sorriu de manhã
De tarde não se viu
com o sol murchou
o vento bateu
e ela ruiu.
terça-feira, 3 de maio de 2016
"La
umwe ongendela / La umwe ongendela / ndimõla wonganga weh / La umwe ongendela
yeleh / citeketeke opitu yasika"
1.
Alguém para traduzir e enquadrar o género do personagem dentro do contexto?
PS:Ninguém me procura ou me conquista/ ninguém
me procura ou me conquista/sou filha de feiticeiro/todos dias /todas as
manhas/o apito toca ou a galinha canta. ass:# vlbs divel
quinta-feira, 21 de abril de 2016
Para os meus amigos, conhecidos e leitores em geral no solo brasileiro, finalmente está nas bancas o livro "Almas de Porcelana", que reúne poesia do escritor angolano Gociante Patissa através dos livros Consulado do Vazio (KAT, Benguela 2008), Guardanapo de Papel (NosSomos; Vila Nova de Cerveira, Portugal 2014), alguns inéditos, bem como textos dispersos em Antologias e revistas publicadas em Portugal, Brasil e Moçambique. Para mais informações, queiram contactar directamente a loja virtual da editora Penalux Grato pela aposta, carosTonho França e Wilson Gorj
terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 18 de abril de 2016
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Depois
de receber uma convocatória mais ou menos furiosa para comparecer no dia seguinte
à residência do Rei, o aldeão, meio-jovem, meio-homem, era um turbilhão de ideias.
Da boca do emissário, de tão telegráfico, podia-se muito bem inventariar a
mensagem em quatro palavras: “Henlã kekumbi konjo yaSoma” (amanhã à tarde em
casa do Rei). Nada mais acrescentou, nem era preciso. O assunto era grave. O convocado
nada disse às pessoas com quem vivia. Tentou dormir. Foi assim que se lembrou da mais
sábia das soluções, acreditava ele. Fez-se à residência do mestre sobrenatural.
No escuro, manteve-se quieto, sem deixar de garantir estar fora do alcance dos
cães, ao mesmo tempo guardas e caçadores, muito amantes de ossos (ele era muito
magro).
“Tu
por aqui?”, indagou o dono de casa que deu pelo intruso no momento em que ia
atrás da árvore para aliviar a bexiga dos líquidos do dia anterior.
“Sim,
mestre, nem deixei os galos cantarem. Fui chamado pelo Rei…”
“Queres
que eu vá no teu lugar?”
“Não
é isso, mestre, quero que me tires as culpas…A fama de bom curandeiro é grande.
E se fama tem, solução também… Até porque o mestre também é feiticeiro, ou não
é?
“Ó
rapaz, cuidado, hã? Pelas tuas palavras tortas, você estragou coisa grande, não
é?”
“Engravidei
a filha do Rei, papá. Sem apresentação, sem alembamento, ainda por cima, sem
profissão, sem herança, sem beleza…”
“Mas
força de homem tens. Que mal te podem fazer?”
“O
mestre esqueceu que Rei é sempre a Lei?”
A
dado momento, a mulher do Rei interrompia para servir chá com batata-doce
fervida.
“Pago duas galinhas, um porco e um cabrito,
mestre. Me tira só a chave. Faz Milagre”
“Que
chave, rapaz?!”
“A
cuspideira. Se quando eu for lá, eu alegar que não engravidei a menina, uma vez
que a natureza não me deu o equipamento cuspidor de gravidezes, escapo…”
“E
depois, quando a criança nascer e ficar parecida contigo?”
“Aí
já passou o tempo, nervo do rei já envelheceu e também já criei condições.”
E
lá foi apresentar-se ao Rei. A meio da reunião, que ia muito acalorada, o réu justificou-se
inocente, já que não possuía testículos nem um pénis competente… Como se já não
bastasse o desmaio, o Rei viu-se ainda obrigado a pedir desculpas ao
incapacitado sexual pela alegada humilhação. Tinha resultado o poder do milagre!
Ao
aproximar-se da casa do feiticeiro, o incapacitado sexual notou um aglomerado. Óbito.
O doente deve ter chegado em fase terminal, pensou. Mas quando já se podiam
ouvir com clareza os jograis típicos do choro africano, qual não foi espanto
dos enlutados ao ver um desconhecido correr feito louco em direcção ao defunto.
O feiticeiro estava inerte, vítima de uma cobra cuspideira a caminho da lavra.
“Mestre, não faças isso comigo!!! O equipamento? Como fica a minha cuspideira de homem, mestre?!”
“Mestre, não faças isso comigo!!! O equipamento? Como fica a minha cuspideira de homem, mestre?!”
Moral:
"Cakusanga vuti, linga eti ndimunu; ku kalinge eti ndi nde"
(provérbio Umbundu) – Se algo te encontrar na árvore, diz mesmo que és pessoa; não
colmeia.
(*)
Adaptação feita por Gociante Patissa, Benguela, 29 Fevereiro 2016
www.ombemba.blogspot.comdomingo, 28 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
domingo, 31 de janeiro de 2016
O primeiro passo para se chegar à serra. Haja estaleca
Adrenalina ao rubro, para quem está de chinelos e se arrisca à picada de serpente
Pormenor da piscina ou lagoa do Atuki, um importante fenómeno natural, que infelizmente corre o risco de ver o seu ecossistema enfraquecer, uma vez que os banhistas, embora poucos, conspurcam a nascente com lixo de vária ordem
Uma selfie para a posteridade com o amigo Albano Sapondiya
A piscina, também conhecida por lagoa do Atuki, faz a delícias dos miúdos e não só
Na hora de descer da serra, a velhice usa as pernas para impôr um descanso
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Eteke cakala ekwi (10) ko sayi ya cemba
kulima wohulukayi ovita eciya akwi akwala l’ecelala, Onjango yatatu yowingi
wolofeka vyalikongela yasokiya, V’onjo yonguluvulu yo Chaillot ko Paris, ukanda
wolwali womoko yomunu. Eteke lyakwamako lyekwi lamosi (11) osayi ya cemba
yulima ohukayi ovita eciya akwi akwala l’ecelala, onjango yowingi yo UNESCO
yatyamesa asulilo oku eyo akulihisa ekwatiso lyukanda wowingi wovopange osi
esukiyo.
ELOMBOLWILO
Okukolela ukulihiso ekalo lityamela
kovimata mata vyepata lyomanu kwenda omoko yasoka kwavosi. Kwenda yesunga
yilinga ombembwa yimwe yapana yesunga kwenda yombembwa v’olwali.
Okukolela eci kacakulihiwile kwenda esepwiso lyomoko yomunu, lyatwala kokuponda, okungwalisa olondunge vyowiñgi kwenda ekalu lyolwali lumwe muna vakwamwenyo vakaliyela okuvangula kwenda okulitava, vayovoka kusumba kwenda kusuka , yalombolwiwa ndeyi yavelapo hayo yalelapo vali keswimo liwa lyomunu.
Okukolela okuti cavelapo okweca ulongo
kokwamako okulyeca kukamba wolofeka.
Olukolela okuti vukanda owiñgi wofokeka
vyalikongela, wasapula onjanja yokaliye etavo lyawo komoko yavelapo yomunu,
kekalo kwenda esilivilo lyomwenyo womunu, okulisoka komoko yalume kwenda yakayi
kwenda yilombolola utoyi wokweca okwamako kwowingi kwenda okweca ekalo
lyaposoka lyomwenyo v’eyovo limwe lyavelapo.
Okukolela okuti olofeka vyalityamela
vyatyamela okukwata, okulikwatisako l’elisokiyo lyolofeka vilikwete omunga,
esumbilo lyolwali kwenda owingi womoko yulume kwenda ayovo avelapo.
Okukolela okuti omunga yimwe yolomoko evi
kwenda ayovo lyavelapo vali kesilivilo kokusumbila etyamêlo eli.
Onjango yowiñgi yalombolola ukanda ovu
wolwali womoko yomunu l’esokolwilo lyavosi okulipitilisa kawiñgi osi kwenda olofeka
vyosi, oco okuti omanu vosi kwenda okuti avimatamata vyosi vyowiñgi, okukwata
ukanda owu olonjanja vyosi vesokolwilo, vakwata ongusu yaco, okupisa
kelilongiso kwenda kepindiso, lyokwamisako esumbilo lyolomoko evi kwenda
ombembwa, kwenda okukwata okupisa kovikele vyamako vyeci citumila ofeka kwenda
colwali, okukulihisa kwenda okucilinga volwali kwenda ava vaci kasi, ndañgo
kowiñgi wolofeka vyatyamêlako ndeci kwevi vyolofeka vikasi kovaso yavyo :
OCIHASU CATETE
Omanu vosi vacitiwa valipwa kwenda valisoka
kovina vyosikwenda komoko. Ovo vakwete esunga kwenda, kwenda olondunge kwenje
ovo vatêla okuliteywila kuvamwe kwenda vakwavo vesokolwilo lyocisola.
OCIHASU CAVALI
Omunu eye omunu citava okukala lolomoko
vyosi kwenda ayovo osi aciwa vukanda owu kawupiñganyiwa, ndeci citukwiwa
kovivalo vyakova, kulume pamwe ukãyi, k’elimi, ketavo, kocisimilo culoñgo woku
vyala ofeka ale esokolwilo lyosi likwavo lyefetikilo lyofeka ale lyowiñgi,
lyukwasi, lyucitiwe wekalo limwe lyosi konepa yikwavo kakukala etepiso lalimwe lyupisiwa
kesokiyo lyuloñgo wokuvyala ofeka, lyesunga ale lyolwali lyofeka a lyosi okuti
omunu watunda, okuti ofeka eyi yiyovoke okuti yityamêla yikwavo ale yikala
longave yimwe yokulitumila oyonwêle.
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
“Otembo yaviluka/ Soma Ndumba vowambatisa ewe;/ otala tala oloneke okuviluka”, olondaka evi onepa yocisungo cimwe cutunda syahunlu, ndo kukalela umwe soma londuko ya Ndumba, omo lyo kusilula kotembo ofeka yetu yakala peka lya cikolonya kaputu. Mbi kulima wa 1920, ko lonungaimbo volonyitiwe vyelimi lyumbundu.
Eci soma Ndumba a kala, pana okuti okanyunla ovaimbo vamwe, wasyatele ño okulala ovokombe, enda po ño kamwe. Ndaño pamwe okuti upãla wa 40 km, olala mwele lutãlo ovokombe. Omo lya nye? Wakala hen ocilema? Si citenla oku citambulula, ava vasapula ulandu owu ndeti vo ka vacitenla. Nda hacoko, mekonda lyo losanji votelekaila ndokulinga ongende, ndomo casesamenla okutambulula asongwi (lo pokwenda, lo pokutyuka). Olosanji kavitendiwa vyapita komesa yaye (ucilete ale okuti osoma ka yendainda ulika).
Haimolumwe, konepa yolosanji, ka tukaveli ño calwa soma Ndumba, omo okuti
lolosipayu vo vitelekelwa olosanji nda vyukulalele. Ku vana vacitiwa votembo
okuti oNgola yayovoka ale, ka calelukile oku tava ndomo osimbu omanu vetu vainda
lokutuminliwa. Ko kwange, o sipayu ha “policia” ko, omo okuti cakala ongusu
yimwe yava katekãvã, vatumilinwa la cikolonya, oco vatalise ohali vamwenle
yimbo. Kucindele ka vapitinla.
Okutyukila ku soma Ndumba, usoma waye vasumbilwe calwa, ndomo casesamenla
asongwi vutundasonde. Otembo yaco yina, omwenyo uwa wovikolonya utekwiwa
lotokwa yavakatekãvã, kupange wakahandangalala pwãi ofeto yititotito. Polé,
cenda asapulo, okukala kwovindele vyotembo yina munlo kwafetikilile pukamba,
nda ño ha wocili ko, lasongwi.
Eteke limwe, umwe osipayu votuma ondaka yokuti soma Ndumba akatute ovawe.
“Ame situminliwã lomanu ndituminlã”, sekulu wakumbulula. Una usongwi wo Positu,
eci ayeva etambululo lya soma, watuma oco vokwate. Soma Ndumba eci akeya,
cindele wapitulula eci a tuminle. Soma ka popele calwa, wapinga elisensa,
okwiya wainda oku atumiwã. Nda ndopo ndipopya ale eci ceya okwiya ko veteke
olyo ndoto, pwãi, linga handi ndipule: nda umbanda oko uli, nda owo osapi
yusoma, oco pwãi Ndumba yo ka lohele handi cikolonya wolavisa ndoto?
Papita ño alivala vatito, somba Ndumba otumbuluka lewe, tulingi tuti okawe,
mbi ndo nuku yoñaña. Cikolonya utwe wotokota. Soma Ndumba, lelyanjo lyovokulu
wosilula hati: “Siti wa ndituma ewe? Eci walipapata, limwina? Hewe ko?”. Eci
cindele otambulula ka tuci vali, tusima tuti wasokolola okulweya kwaye, omo
okuti ka tukwile nda ewe wayongwile linene, ale litito. Ewe ewe.
Ulandu wakawiwa la Gociante Patissa, ko songo yo Bela-Vista, vo Lupito,
26/11/ 2011
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PORTUGUÊS | Oratura: A LENDA DO SOBERANO NDUMBA
“Otembo yaviluka, Soma Ndumba vowambatisa ewe; otalatala oloneke
okuviluka”, em português, “mudaram-se os tempos, até o Soberano Ndumba foi
forçado a carregar pedra; está a ver o tempo andar para trás". É essa a
essência da canção que satiriza a lendária figura do soberano Ndumba, uma lenda
de resistência africana durante a colonização portuguesa, no princípio do
século vinte. Para ser mais preciso, como se isso lá fosse possível em lendas,
reportámo-nos à década de 1920, na região centro e sul, da “nação Ovimbundu”.
Nas longas caminhadas, Ndumba revelava um inusitado sentido de exigência. Imagine-se, como contam, que num perímetro de pelo menos 40 quilómetros pernoitava umas cinco vezes. Mas para quê? Seria coxo? A isso não sei responder, nem o sabem as fontes. Podia ser apenas pelas mordomias que exigia aos anfitriões em cada aldeia (na ida e no caminho de volta). Perdia-se a conta das galinhas que chegavam à sua mesa (porque, como não devia deixar de ser, caminhava acompanhado).
Bom, mas sobre galinhas, não apertemos tanto o soberano, quando até os sipaios a tal regalia tinham direito, sem ser do seu orçamento, em qualquer aldeia onde tivessem de pernoitar em serviço. As gerações nascidas na Angola independente têm sempre dificuldades em imaginar certas coisas, se interpretarmos o termo como imagem em acção. Concebo sipaio como milícia, já que era um “exército” rudimentar, formado pela autoridade colonial, mas cujo poder se cingia sobre as comunidades indígenas. Ou seja, eram um instrumento de repressão de colonizados contra os seus semelhantes.
Continuando, soma Ndumba fora sempre respeitado no contexto da realeza costumeira. Como se sabe, e não podia ser de outro modo provavelmente, o trabalho forçado e mal remunerado foi a base da prosperidade das sociedades coloniais. Mas, ainda assim, as elites tradicionais foram sempre, aparentemente, salvaguardadas.
Num belo dia, certo sipaio foi incumbido de mandar o soma Ndumba carregar pedras. “Ame situminliwã lomanu ndituminlã” (eu não recebo ordens de meus inferiores), teria retorquido. O chefe de posto, uma vez recebido o recado, mandou o sipaio capturar o soma Ndumba e reforçou a ordem. Chateado, Ndumba pediu licença e saiu. Já digo daqui a pouco o que veio a seguir, mas permitam-me, antes, uma indagação: se o feitiço existe, se é indispensável para o poder dos sobas, por que razão não usou o seu contra o colono?
Horas depois, Ndumba regressou com uma pedrinha, digamos que inferior ao punho de um bebé. Chateado, o chefe pôs-se a barafustar. Calmo, soma Ndumba replicou: “O senhor não pediu pedra? Apalpando o que lhe dei, sente-se que é mole? Não é mesmo uma pedra por natureza?”. A lenda não diz a reacção do chefe, mas é provável que se tenha dado conta do erro da imprecisão: não dissera de que tamanho era a pedra que precisava.
Recolhido por Gociante Patissa, bairro da Bela-Vista, Lobito, 26 Novembro
2011
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
A “ocisangwa” (mais conhecida pelas corruptelas “quissangua” e “kisangua”)
é uma bebida típica em Angola, feita à base de ingredientes simples e naturais.
Não creio haver uma forma consensual que sirva de receita, tendo em conta até a
nossa peculiar diversidade étnica. Ainda assim, podemos resumir a sua
classificação em dois galhos: (a) a fermentada e alcoólica, (b) a azeda ou não,
mas não alcoólica. Mas para não dispersar o foco, concentremo-nos à realidade
dos Ovimbundu.
No dicionário electrónico http://www.dicionarioweb.com.br/quiss%C3%A2ngua.html,
encontramos uma remissão ao autor Serpa Pinto (1846-1900), I, 147, que, pecando
apenas pela visão redutora da geografia étnica dos ovimbundu, não deixa de
apresentar ao mundo a bebida. Para aquele expedidor e entidade da autoridade
colonial portuguesa, “quissangua é uma bebida refrigerante, usada pelos
Bihenos, e feita de uma decocção da raiz do imbúndi, addicionando-se fuba
fervida”.
O propósito destas linhas é partilhar o resultado de uma recente recolha
pela nossa tradição oral, quanto ao significado antropológico de “ocisangwa” (a
azeda ou não, mas não alcoólica), aquele líquido da importância da água, sempre
presente e acessível a todas as idades. Às vezes basta uma boa dose de
“ocisangwa” para se passar o dia todo na lavoura.
O modo de preparo é pela fervura, similar ao de “ekela lyo sema” (papa de
milho), com uma mistura de fuba e rolão, que fará o papel de “ovitami”,
(minúsculas porções trituráveis de milho para engrossar o líquido, que fazem
com que se esteja constantemente a agitar o copo para se evitar o desperdício
de os abandonar no fundo deste). Há quem use o arroz como “ovitami”,
substantivo que julgamos advir de “okutamenla”, que em Umbundu significa
engrossar.
Para adoçar o líquido, os povos usavam raízes, havendo também quem lhe
acrescente troncos de “onyoñolo” para caprichar no aroma. Tais práticas, como é
de imaginar, são ainda usuais no meio rural, dada a riqueza da flora angolana e
o vasto conhecimento sobre sua multidisciplinar aplicação na medicina
alternativa. Mas é ao açúcar que mais se recorre de modo geral. Quanto à sua
conservação e até transporte, recorre-se à “ombenje” (cabaça), substituída por
utensílios mais modernos conforme o meio.
Aliás, voltemos ao universo cibernético para aferir a dimensão cosmopolita
da “ocisangwa”. O site portuguêswww.sabores.sapo.pt/receita/quissangua-de-fuba,
por exemplo, providencia uma receita para quem quer recordar ou conhecer novos
sabores. E quanto aos ingredientes, 200 gramas de fuba de milho, três a quatro
litros de água, 250 gramas de Açúcar e Fermento q.b. Sendo lógico que nada é
estático, impõe-se entretanto realçar que, do ponto de vista da essência, a
levedação ocorre de maneira natural e não por fermento industrial. E enquanto
pesquisadores, é-nos difícil comentar sobre o resultado do produto por via
dessa receita, a qual não provamos (ainda).
A “ocisangwa” é dos bens de presença obrigatória na “ongandala”, a trouxa
tradicional que se leva nos rituais de “oku tambela” e/ou “oku lomba”
(conhecidos como “consentir” e “alambamento” ou “alembamento”). Então porquê? E
é daqui que parte a vontade de partilharmos. Segundo nossas idóneas fontes, o
líquido é de elevado valor no que à hospitalidade diz respeito. O termo
“ocisangwa” vem de “oku sangiwa”, que também se diz em muitas variantes do
Umbundu “oku sangwa. Ou seja, “ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa”, é algo
encontrado, símbolo pelo qual o anfitrião se revela hospitaleiro, claro está,
tendo na mulher a garantia da sua existência.
Essa é a nossa, mas aguardamos com agrado pela versão que você tiver.
Gociante Patissa, Benguela
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
OLUVANGO - LUBANGO. Conta a
LENDA que, os colonos Portugueses quando chegaram as terras da Huíla , a
primeira coisa que perguntaram aos populares foi o seguinte: Quem eram os donos daquelas maravilhosas terras?
Os populares responderam que eram aqueles que
usavam “ OLUVANGO “.
“ OLUVANGO “ são uns panos amarrados à cabeça, em
forma de chapéu que, os Soberanos Mumuilas usam.
Grande parte dos colonos provinham da Ilha da
Madeira e do Porto.
Como sabemos, na pronúncia dos Tripeiros (
habitantes do Porto de Portugal) a letra “V” soa (parece) “B”. Ao invés, de
pronunciarem , Vinho Verde, por exemplo, dizem Binho Berde.
Contam os relatos que, foi assim que, as terras
daqueles que usavam OLUVANGO passaram a ser chamadas LUBANGO.
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