domingo, 29 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
SOCORRO: Alguém me ajuda a desactivar janelas pop-up involuntárias nos meus Blogues http://angodebates.blogspot.com e http://ombembwa.blogspot.com?
Como geralmente uso google chrome, não me tinha dado conta. Fui advertido por um leitor e parceiro, o que vim mais tarde a confirmar usando windows explorer. Pelos transtornos, até o problema ficar superado, as minhas sinceras desculpas.
terça-feira, 24 de abril de 2012
“Tio” Zé Katchiungo é dos cantautores dos prantos da nossa
gente e também dos nossos valores culturais. Na canção dele, “Ngeve”,
encontramos o relato de amores desfeitos enquanto os rapazes tiveram de cumprir
o serviço militar obrigatório.
Ocisungo casonehiwã ndomo - Eis a letra
Ongeva onjivaluko
(saudade é recordação)
omunu lokimbo lyaye
(a cada um a sua terra)
nda likasi ocipãla
(se está longe)
ojongole yokutyukila
(o desejo é regressar)
eh mama we (oh mãe)
Ongeva onjivaluko
(saudade é recordação)
omunu lu valisole
(a cada um o seu amor)
nda valitepatepa
(se estão separados)
onjogole yokulisanga
(desejo é o reencontro)
eh mama we (oh mãe)
Ame nda kucipopya siti
(eu te disse)
Kolela (que
aguentasses)
ovita ndopo vipwa
(a guerra logo cessaria)
tulisanga a Ngeve
(eu voltaria para ti)
Ame okwimba ko ekosi
(mal dei as costas)
vo mablãu sa
pitilinle (sequer tinha subido no avião)
ove Ngeve wakwela Njuaki
(tu, Ngeve, casaste o Joaquim)
Kwa ñwatisile a Ngeve
(não me ajudaste, ó Ngeve)
Ngeve, Ngeve
(Ngeve, Ngeve)
Ove okasi no Wambu
(Voce que está no Huambo)
lamisa po Ngeve
(faça chegar cumprimentos à Ngeve)
Love okasi Ko Mbalundu
(Você do Bailundo)
tuma ovilamo ku Ngeve (cumprimentos meus à Ngeve)
A Ngeve, Ngeve (Para
Ngeve, Ngeve)
Ka lupukile wasala
(Quem não correu perdeu a viagem)
segunda-feira, 16 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Recém-nascido
Já são dois. O do fundo fica para a Cristina Galhardo Amado. Ela que se atreva a resmungar o tamanho do abacaxi, nunca mais lhe dou nada. Quem está longe, fica sempre com os sobejos heheheh
Ligação umbilical entre mim e a fruta. Monte Belo é a comuna que nos pariu a ambos.
Colhendo "utombo" (mandioca)
A mana, o sobrinho, o velho Kambuta-comunal e eu.
A preguiça da chuva
O maboqueiro para a amiga Dulce Tavares Braga
"Ocipundo"
Ponte sobre o rio Kailumba, basicamente um chassis anônimo com mais de três décadas. É um inegável monumento longe dos holofotes.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
A Cristina Galhardo Amado, como sempre oportuna, passou-me a versão digital de uma gramática Umbundu. É antiga, da época colonial, e não garanto que não tenha imprecisões e até visões dominantes da época, mas também não deixa de ser um material valioso para o que se chama "arqueologia" pelos livros. Grato, sweety! Aqui vai, a quem possa interessar.
http://scans.library.utoronto.ca/pdf/5/22/grammaticadoumbu00pereuoft/grammaticadoumbu00pereuoft.pdf
http://scans.library.utoronto.ca/pdf/5/22/grammaticadoumbu00pereuoft/grammaticadoumbu00pereuoft.pdf
sábado, 31 de março de 2012
sexta-feira, 16 de março de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Advinha!...Tenho um jindungueiro na minha horta, mas não posso colher nenhum. O que é?
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
"Angola é a colónia mais aportuguesada, aquela em que as culturas autóctones mais foram reprimidas. É o país onde menos se falam línguas africanas nas ruas, então há uma hibernação do aspeto étnico-tradicional, mas que funciona depois nas manipulações, entre quatro paredes." (Marcolino Moco, In «Club-k», 08 FEVEREIRO 2012)
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Elombolwilo: Komwenyo kuvala; cimwe, una nda wasesamenla eye kakwete. Ndeci ño pana pasiata owangu uwa, ongombe ka yipo.
Olusapo lwalisetahãla wowu: "Onyma yiwa ka yomonli omõla"
P O R T U G U Ê S
"Onde há capim, não há gado" (adágio Umbundu)
Explicação: A vida é complexa; Às vezes, aquele que merece não tem. É como lá onde há bom capim mas o gado não conhece.
Adágio relacionado: "Costas aconchegantes não vêem bebé"
Olusapo lwalisetahãla wowu: "Onyma yiwa ka yomonli omõla"
P O R T U G U Ê S
"Onde há capim, não há gado" (adágio Umbundu)
Explicação: A vida é complexa; Às vezes, aquele que merece não tem. É como lá onde há bom capim mas o gado não conhece.
Adágio relacionado: "Costas aconchegantes não vêem bebé"
sábado, 21 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Elombolwilo: Kolonele vyo ko Ndombe inene, vo luhumba wo Mbaka, ko Kalweke, okaimbo kamwe klisungue lo ko Munda-ya-Vaimbo, ndomo twasapwuilwa ko, kuli umwe owiñi wolonyitiwe vyo Ngola a kuti ovina vyo sikola ka va vilete ciwa. Cimwe ocisoko cetavo oko caindele, noke vatulombolwila ko nda mupi olonunga imbo vilete omwenyo (kulima wa 2011).Omãla yo ka vaindi ko sikola, oku lilongisa?
- Omãla ka citava vatanga, u watanga
okatela ovota. Etu omo akuti ka twatangele, ka tuteli ovota, tukasi ño cetu.
Ovota va neniwa lava vatanga.
Oco nda ka wutangi,
ndati utepisa onoleke, okuti unyamo wapwa kwenda wakwavo ufetika?
Cisukila nda utava
kondaka ya Suku, ukwata onepa ko nembele.
- Pala nye? Mbi kwenda omãla, etu,
twakulu, ka tusukila. Olongombe tukwete, ombela yiloka, eci tulima, tulya.
……………………….
P O R T U G U Ê S
Explicação: No território do Dombe Grande,
província de Benguela, há uma povoação chamada Kalweke, próxima da localidade
montanhosa de Munda-ya-Vaimbo, conforme chegou ao nosso conhecimento, onde há
uma comunidade bastante conservadora em termos de visão do mundo, de tal modo
que dispensam o ensino escolar. Um grupo cristão que tem ido ao local
evangelizar partilhou connosco parte de um relato actual (2011)
Não seria importante
criar condições para escolaridade das crianças?
- Não é bom que as crianças estudem, quem
estudou inventará armas. Nós, que não andamos na escola, não fabricamos armas,
vivemos a nossa vida ao nosso jeito. As guerras são-nos trazidas por pessoas
formadas.
Então, se não têm
escolaridade, como conseguem contar o tempo, dizer que um ano acabou e estamos
noutro?
- Quando anoitece, sabemos logo que vai
amanhecer. Não precisamos de contar os dias.
É necessário aceitar a
palavra de Deus, participar na igreja.
domingo, 8 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Velha-Mbali encontrava-se a repousar no cadeirão da varanda desde a sua chegada. Confundiam-se, no bocejar, os solavancos da viagem e os restos do sono de quem madrugou para apanhar o primeiro autocarro intermunicipal da SGO. As pausas prolongadas e a economia de palavras eram parte da recuperação do efeito dos vómitos. A anciã teve o incómodo já previsível de usar saco plástico para lançar, foram três vezes nesta viagem de setenta quilómetros para ser mais preciso, uma fatalidade que decerto não será digerida nesta encarnação.
Qual sino de boas-vindas, o efeito acústico resultante do atrito entre a loiça e os talheres, enquanto punham a mesa, lisonjeava os ouvidos da hóspede. Chegava também com agrado a fumaça do peixe na grelha, que era a segunda paixão que Velha-Mbali guardava da cidade depois da família.
Velha-Mbali herdou da mãe uma beleza que compensava a estatura baixa do lado paterno. O rosto era a única vitrina para se lhe ver a pele semi-flácida, obra da idade. Usava panos compridos, de arrastar o chão, como manda a tradição. Os cabelos, maioritariamente brancos, salientavam a ligação entre o lenço e o quimone, ambos de tecido azulescuro de pintas brancas. A sorte de nascer imune à cárie era responsável pela capacidade de competir com os netos em matérias de mastigar, fosse o que fosse. Como é claro, empatava também na hora de palitar.
E enquanto a deixavam descansar sob a sombra da trepadeira, aguardava pelo almoço, calada, mas sempre atenta ao mínimo movimento no quintal. Era esta última a característica que os netos maisgostavam nela: ser fértil em análises dramáticas das makas da sua gente.
A fadiga da viagem não duraria muito, cedo seria suplantada pela emoção de rever os netos, agora bem crescidinhos. Bálsamo mais milagroso do que isso seria, aliás, impossível. Sentia-se inclusive rejuvenescida ao ver a neta caçula, sua chará por sinal, com mais de dez anos. E isso era suficiente para se dar conta da longa ausência na vida dos seus entes, pelo menos fisicamente. Mas para além do desconforto com as viagens por estrada, infelizmente a única via, Velha-Mbali considerava improcedente o convite de viver a beira-mar. E exigia que se respeitasse a sua posição, vontade que resultara com os adultos, mas não com os netos, que eternizavam o debate.
— Ó avó — rompeu o silêncio Waldemar, o primogénito —, a avó veio para ficar já, não?
— Não, kanekulu… Avó vem comer só natal!
E a conversa ainda continuou após o almoço. Para convencer Velha-Mbali a optar por uma vida mais relaxada, os netos esgotaram todos os argumentos de vantagem da cidade sobre o campo. Ao fim de várias horas de debate, por sua vez carregado de mimos no colo e paternalismos de vária ordem, sentenciou Velha-Mbali:
— Omwenyo Okulima, olohombo ovyo vilia opapelo.[1]
.
Convencidos de que a sua forma de ver a vida era a mais acertada, os netos matavam-se de rir aos exageros da avó que, por sua vez, também se divertia rindo, com agradável malícia, da ingenuidade deles. Mal cabia na cabeça da anciã que alguém maior de doze anos viva dependente dos pais, quando no campo seria capaz de gerir a sua própria lavrinha. Os netos, ajudados pelos pais, chegaram ainda a sugerir que, como meio-termo, a avó passasse também o reveillon. Mas ela era boa a refilar:
— O quê?! Se dia da família é dois dias após o natal, o ano novo é como?!
Era propositado o trocadilho, pois que lhe custava digerir as ausências dos chefes do lar, que andavam de prevenção, o pai na marinha e a mãe no controlo aéreo da aviação civil, só regressando ao lar no dia 27 de Dezembro. E no dia da partida, houve mais alegria do que tristeza. Com a presença da avó, o natal daquele ano foi diferente.
Todas as vezes que veio à cidade, Velha-Mbali se deparou com deselegantes surpresas, mas a desta vez, batia seguramente todos os recordes. A anciã chegou mesmo a tossir de choque ao cruzar com miúdo de doze anos apenas, não mais do que isso, girando a cidade para cima e para baixo com cuecas e sutiãs de mulher adulta no ombro a gritar: «arreou, arreou no negócio, é a última zunga do ano!!!»
E como a ousadia é a alma do negócio na zunga, o rapaz abordou-a insistentemente, para não dizer chatamente:
— Minha mamoite[2], arreou na tanga; olha “mónica”; táqui surtião… Velha-Mbali ainda tentou fingir indiferença, mas não aguentou.
Arremessou, com toda a violência, o galo de raça contra a cabeça do adolescente:
— Vai faltar respeito na tua mãe, que não te deu educação!!!
O zungueiro, que nunca vira tão intempestiva reação de potencial cliente, logo uma “mamoite”, meteu-se a correr. E no máximo da sua quilometragem!
E devia ter uma cabeça muito rija mesmo, o zungueiro, já que o impacto da pancada fez rebentar a corda que imobilizava as patas do galo. Este, que não imaginava as fêmeas que por ele esperavam para reprodução lá no kimbo, meteu-se em fuga no frenético trânsito urbano em hora de ponta. Era ver o desespero da anciã diante do risco de perder o animal. Isso é que nunca! Eis que arregaçou o espírito, e lá ia atrás do galo, ela que também já não tinha lá muita juventude nas pernas. De repente… — puapualakatá, pumbas! — acabava de ser atropelada por um kupapata, que vinha em sentido contrário.
— Netele, a njali, ndakapele okuteta onimbu[3]…
— Amõla wange, watopa muele cokuti vetapalo omo oteta onimbu?![4]
— Vangecele, mamã[5]… — suplicava o kupapata, enquanto se levantava do chão e inventariava os danos.
— Mbi cakulimba okuti olikondakonda opitaela?![6]
O kupapata de imediato ligou para o serviço de bombeiros, que localizou a família e levaram Velha-Mbali ao banco de urgência. Algumas horas mais tarde, estava aplicado o gesso. O kupapata tinha muitos danos, a começar mesmo pela compra de outro galo de raça — regressar de mãos a abanar é que Velha-Mbali não aceitava de modo algum!
Conscientes de que o pior havia passado, os netos partilharam com a avó a alegria de saber que, finalmente, passariam juntos o reveillon. E a velha ainda conseguia fazer troça da própria perna engessada:
— A maka é que na cidade metem perna branca!!!
Gociante Patissa, in «A Última Ouvinte», UEA&Gociante Patissa, 2010
PS: à memória da tia Adelina Mbali Manuel Patissa
[1] Viver é cultivar. Comer papéis — ou seja, dinheiro — é coisa de cabritos
[2] (calão) mãezinha
[3] É desculpar, minha mãe, a intenção era fazer corta-mato...
[4] És tão parvo assim, meu filho, que queres corta-mato na estrada?!
[5] Perdão, mãezinha
[6] Esqueceste que quem contorna também costuma chegar?!
A minha mãe partilhou connosco trecho de um cântico que costuma animar senhoras do grupo coral da sua igreja em cerimónias especiais, a exemplo de casamentos. O templo está situado no Morro do Alto-Niva, município da Catumbela. Suas colegas, que não ela, são predominantemente Vacisanji, subgrupo étnico (Ovimbundu) que habita a circunscrição administrativa do município do Bocoio, a 100 quilómetros da cidade de Benguela, capital da província como mesmo nome. A canção, de cuja letra completa a velha não recorda, agradou-me bastante, não só pela entoação, mas essencialmente pelo seu alcance poético:
“Kulo ka kuli akondombolo / Kucaca ndati?”
Traduzindo:
“Não há cá galos / Como tem amanhecido?”
Faz lembrar o papel universal do galo, o de anunciar o novo dia. Ora, na sua ausência, como saberemos que já amanheceu? Pode-se também interpretá-la no sentido de desmentir a inexistência de galos: se é o galo quem anuncia a madrugada, ora, e as madrugadas continuam a existir, logo, há galos.
Minha mãe, que não sabe dizer que despertador o galo usa para despertar os humanos, tem contudo uma certeza: madrugadas sem galo cantar são sem graça.
Recolhido por Gociante Patissa, bairro da Santa-Cruz, Lobito, 21 de Dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Elomboloko: Olusapo wasyata pana okuti capopiwa ka cikoleliwa, cikasi ño ndo hombo, yina okuti owangu atakinla, noke te wapitulula lo kulukula.
Português: O que o cabrito mastigar não está bem triturado (máxima Umbundu).
Explicação: Diz-se de situações em que a palavra não é credível, daí o paralelismo com o cabrito, que precisa ruminar ao longo do dia.
Português: O que o cabrito mastigar não está bem triturado (máxima Umbundu).
Explicação: Diz-se de situações em que a palavra não é credível, daí o paralelismo com o cabrito, que precisa ruminar ao longo do dia.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Vai subindo de tom a conversa sobre “A proposta de lei sobre o estatuto das línguas nacionais”, apresentada pelo Ministério da cultura e que alguns deputados e estudiosos acham que deve mudar a designação para "línguas de origem africana". Como é de esperar num país com tão fresco "complexo de assimilado", não faltam fazedores de opinião que rotulam de preconceituoso quem apoia a tentativa de maior protecção e divulgação das línguas nacionais (as indígenas de outrora). Desenterrou-se como “arma de arremesso” o facto histórico de os khoisan serem os mais antigos no território que hoje é Angola. Está-se mesmo perto de dizer que o Kimbundu, o Cokwe, o Kwanyama, o Ngangela, o Umbundu, entre outras de origem Bantu, bem como a dos khoisan, chegaram para cá à mesma época que o capitão Paulo Dias de Novais ou o descobridor Diogo Cão.
Sou de opinião que, conquistada a independência, se negligenciou um bocado a gestão das políticas culturais na vertente das línguas nacionais (entenda-se promoção de estudos sobre aspectos de identidade etnolinguística e tudo a isso inerente). A prioridade recaiu para a busca da estabilidade nacional e formação de quadros.
É certo que a vontade e a visão do detentor do poder acabam prevalecendo sempre, quando se fala de políticas públicas. Ainda assim, porque posso também falar, digo que não me parece justo, no mínimo, tentar agora equiparar a língua portuguesa, que, tendo em conta o seu avanço estrutural e científico, significaria claramente sobrevalorizá-la relativamente às já citadas. A nossa língua de união e oficial vai bem. E ainda bem. Mas deixemos que o Ministério da Cultura avance. A questão é, diz-se, que a Constituição não se refere a elas como línguas nacionais, mas como línguas nacionais de origem africanas. A pergunta de retórica é se terão sido consultados os nossos antropólogos na feitura da constituição. Enfim...
Os defensores da "secundarização da noção de pertença" apresentam os seus argumentos de razão legítimos e devidamente fundamentados, embora me pareça, de certo modo, um reeditar da "atitude" de "línguas indígenas". Dizem por exemplo que as línguas mais faladas em Angola são o Umbundu e o português, que não representam mais de 30% da população. Mas, só mesmo por curiosidade, por acaso dominam eles alguma dessas "línguas de origem africana", ou é o tecnicismo puro a se confundir com exotismo? Como diria M. Rodrigues Lapa, “os puristas têm a ruim tendência para considerarem uma só forma correcta” (Gramática do Português Actual, 2009. Pág. 4).
O semba e o ku-duro, muito apoiados institucionalmente, já agora bem podiam ser considerados "apenas" estilos musicais de origem africana, tal como diríamos do kwanza (apenas símbolo monetário de origem africana). Que tal?
Gociante Patissa, Benguela, 24 Novembro 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Upongo wa fela
A fela,
Nye wa ñembela
okuti mbela wiya?
Anga kulete okuti ndulavoka?
Wa nyola ocipundo cange
omu nda ndawunda la mbela.
Nye ocimangela, a fela?
Wa sakalalisa utima wange lesanju lya mbela wiya
pwãi ocili caco mbela wosia.
Linga ohenda ko ngunja yilo.
kopilile mbela.
Lupukako muenle.
Ulima ulo ndo pongiyila ongusu.
A fela,
Ndingue ohenda
Mbela u nena.
Kofeka a kasi kwalinga onumbi!
António Salomão Ngandu, Benguela 31/10/11
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Ocisangwa (vamwe vacitukula vati “quissangua” e “kisangua”), casyata
okunyuiwa mulo von Ngola, cipongiyiwa lo huta yaleluka kwenda yatanda ko
kovaimbo vosi. Tusima tuti kakuli onjila imosi lika yo ku pongiya, nda twa
vanjiliya awiñi la wiñi vo lo nyitiwe. Haimo lumwe, ha citangi ko nda tulinga
tuti kuli ovisangwa vivali: (a) cina cakwaya kwenda cikolwisa, (b) la cina
cakwaya ale syo, pwãi kacikolwisa. Oco katukainde olonjila vya sanjavala, tupopya
ño eci ca syata kwapata ovimbundu.
Ocimãho cokutaya cilo oku yevalisa vimwe twamãla okuyeva, kweci
catyamenla kelomboloko lyo cinsangwa (cina cakwaya ale syo, pwãi kacikolwisa) kutundasyãhulu,
casumbiwa ndovava, cina okuti kakuli omõla ale ukulu kacisole. Olonjanja vyalwa,
u waliveta ocisangwa olaña mwenle lo kulima kepya, ke yevi onjala.
Ocisangwa cipongiyiwa lo kufelula, ndeci ño ke kela. O sema yitengiwa
lo loseke, vikalinga noke ovitami (vikoka okuti tê lo kuvenja venjamo vombya
ale vo neka, oco kavikalinyolehenle). Kuli vo vana va panga ovitami lo lwoso. Onduko
yovitami, tusima tuti yatundilila ko “kutamenla”.
Oco ocisangwa cisonse, osimbu omanu vainda lo kukapa kapa ko ombundi,
vamwe lavo vo vakapa ko onyoñolo oco cikwate okalemba kamwe kaposoka. Ovituwa vyaco,
ndomo caleluka okucitala, haiko vili kovaimbo, omo lyu hwasi wukasi vusitu,
kenda andi mekonda lyu kulihinso wapiãla kweci catyamenla kuhayele lovihemba
vyumbundu. Pwãi osuka oyo vali yasyata oku kapiwa kocisangwa. Kweci ca tyamenla
kovikwata vyokusoleka ale okwambata, tukwete ombenje, pwãi volupale omunu
osoleka leci akwete.
Ocisangwa laco vo kacitava okukamba pongandala, pepunda pana pakapiwa
ovikwata vyociholo co kutambela ale oku lomba (ko putu vati “consentir”, “alambamento”
ale andi “alembamento”). Mekonda lya nye? Pepulilo eli opo tusanga osapi
yondaka. Ndeci twayeva kwakulu vendamba, ocisangwa cikwete esilivilo linene
konepa yokutambula akombe. Onduko yocisangwa yitundilila “ko kusangiwa” ale “oku
sangwa”. Tulinga tuti ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa, ocidenkaise
cekalo liwa ku yu wasangiwa. Njali yukãi eye ukwacikele cokucipongiya lo ku
cava, kacitava cikamba.
Eli olyo esapulo twatenla ko, pwãi nda okwete lya kwavo, tulilavoka
lesanju.
Gociante Patissa, Benguela, 26/10/2011
..................................................................................
PORTUGUÊS: Breve nota sobre o sentido etimológico da bebida Ocisangwa na cultura Ovimbundu
A “ocisangwa” (mais conhecida pelas corruptelas “quissangua” e “kisangua”)
é uma bebida típica em Angola, feita à base de ingredientes simples e naturais.
Não creio haver uma forma consensual que sirva de receita, tendo em conta até a
nossa peculiar diversidade étnica. Ainda assim, podemos resumir a sua classificação
em dois galhos: (a) a fermentada e alcoólica, (b) a azeda ou não, mas não alcoólica.
Mas para não dispersar o foco, concentremo-nos à realidade dos Ovimbundu.
O propósito destas linhas é partilhar o resultado de uma recente
recolha, quanto ao significado antropológico de “ocisangwa” (a azeda ou não,
mas não alcoólica), aquele líquido da importância da água, sempre presente e
acessível a todas as idades. Às vezes basta uma boa dose de “ocisangwa” para se
passar o dia todo na lavoura.
O modo de preparo é pela fervura, similar ao de “ekela lyo sema” (papa
de milho), com uma mistura de fuba e rolão, que fará o papel de “ovitami”, (minúsculas
porções trituráveis de milho para engrossar o líquido, que fazem com que se
esteja constantemente a agitar o copo para se evitar o desperdício de os
abandonar no fundo deste). Há quem use o arroz como “ovitami”, substantivo
que julgamos advir de “okutamenla”, que em Umbundu significa engrossar.
Para adoçar o líquido, os povos antigos usavam raízes, havendo também
quem lhe acrescente troncos de “onyoñolo” para caprichar no aroma. Tais práticas,
como é de imaginar, são ainda usuais no meio rural, dada a riqueza da flora angolana e o vasto conhecimento sobre sua multidisciplinar aplicação na
medicina alternativa. Mas é ao açúcar que mais se recorre de modo geral. Quanto
à sua conservação e até transporte, recorre-se à “ombenje” (cabaça), substituída
por utensílios mais modernos conforme o meio.
A “ocisangwa” é dos bens de presença obrigatória na “ongandala”, a trouxa
tradicional que se leva nos rituais de “okutambela” e/ou “okulomba” (conhecidos
como “consentir” e “alambamento” ou “alembamento”). Então porquê? E é daqui que
parte a vontade de partilharmos. Segundo nossas idóneas fontes, o líquido é de
elevado valor no que à hospitalidade diz respeito. O termo “ocisangwa” vem de “oku
sangiwa”, que também se diz em muitas variantes do Umbundu “okwsangwa. Ou seja,
“ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa”, é algo encontrado, símbolo pelo qual o
anfitrião se revela hospitaleiro, claro está, tendo na mulher a garantia da sua
existência.
Essa é a nossa, mas aguardamos com agrado pela versão que você tiver.
Gociante Patissa, Benguela, 26/10/2011
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