À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Top Benguela Acácia de Ouro | PRÉMIO SUNGURA DO ANO

Sukumunlã, que na língua Umbundu pode ser entendido como o imperativo do verbo descarregar (oku sukumunlã), do qual se infere que o artista se assume como uma fonte inesgotável de mensagens, é uma das vozes que melhor interpretam o cancioneiro popular, o qual "despeja" numa cadência de sungura. Para além da sua inusitada energia em palco, carrega a melancolia sobre o canto proverbial e as parábolas que constituem a matriz da região. Apesar de ter merecido numa carreira de quase duas décadas algumas distinções a nível local, dentre as quais o Prémio Provincial de Cultura e Artes, Sukumunlã continua sendo um desconhecido do grande público, fundamentalmente por culpa dos critérios do mercado, que fazem culto ao oco e a outros critérios fora do espírito da arte (estética e culturalmente falando) com um empurrão da comunicação social. O TOP BENGUELA ACÁCIA DE OURO teve a sua edição inaugural ontem (18/05) nesta cidade, numa iniciativa de Adão Filipe, pela Rádio Nacional de Angola.

Cultores da música tradicional Umbundu homenageados | JOAQUIM VIOLA E FLAY MERECIAM MAIS

Flay
Joaquim Viola (esq.) recebendo diploma 
das mãos do Vice-governador Victor Moita
A organização do Top Benguela Acácia de Ouro, da iniciativa da Rádio Nacional nesta cidade, cuja edição de estreia aconteceu a 18 de Maio durante as festividades dos 400 anos da cidade de Benguela, atribui diploma de mérito a algumas figuras do sector da cultura, entre promotores e apoiantes, pela sua relevância. O destaque do blog www.ombembwa.blogspot.com vai para dois nomes incontornáveis na recolha, tratamento e divulgação da cultura musical da região Umbundu, designadamente o mais velho Joaquim Viola, autor do clássico Tchiunge, e Flay, da Catumbela e radicado em Luanda, autor dos originais "Sassa Motema", "Doçura", entre outras adaptações do folclore. São duas gerações que parecem ligadas por um mesmo factor, o pouco incentivo e visibilidade da sua vertente. Nestes casos, palavras à parte, é nas entrelinhas e no tom nada radiante dos discursos que se capta o estado de alma dos artistas. "Estamos a deixar o palco para os mais novos que querem abraçar a carreira", disse Joaquim Viola. "É uma honra muito grande para mim ser homenageado hoje ao lado dos Impactos4, em quem me inspirei para começar a cantar e fazer música", acrescentou Fay. Eles mereciam, de facto, mais, a começar mesmo pela divulgação das suas músicas, o que na última década tem sido bastante esporádico, com uma agenda discográfica das rádios e televisões muito voltada à "música" urbana, servida em doses e entulho electrónico.