À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

sábado, 26 de novembro de 2016

Alguém para traduzir este trecho de um tema malandro do cancioneiro umbundu?

"Umbumba wanangeleka
Okukwela ekongo, etali ndaniã!
Olonjele vyanomã kosungu yevele weh"

-------------------
Tentativa de tradução: 
no desespero de solteira, meti-me no azar de me casar com um velho. Até me dói o mamilo da picada da barba dele.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Ondimbu

UMBUNDU | Ondimbu 
PORTUGUÊS | O símbolo
ENGLISH | The symbol

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Ovo vakwela, vafetika omwenyo wokaliye

UMBUNDU | Ovo vakwela, vafetika omwenyo wokaliye 
PORTUGUêS | Casaram-se, deram início a uma vida nova 
ENGLISH | They got married and started a new life

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

domingo, 13 de novembro de 2016

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Oratura | Ombweti yateka

«Ombweti yateka.» Esta expressão Umbundu, que se pronuncia tal como se escreve, significa literalmente que a bengala está partida. Emerge do sentimento de perda e o consequente vazio que deixa a fonte de apoio. Em alguns meios, não se imagina o dia-a-dia de um homem sem ter consigo sempre presente uma faca e um pau (aqui homem entendido antropologicamente como macho, a quem a sociedade atribui, entre outros, o papel de protector). Do ponto de vista alegórico, podíamos dizer que ela remete originalmente à relação de pertença/dependência do ser humano para com a natureza, à qual vai buscar um pedaço inerte para se equilibrar diante do risco de tombar. O ser humano não é se não pertence. Esta explicação poderá não fazer muito sentido a quem já domine profundamente a língua, conhecendo o contexto inequívoco em que se justifica a utilização da expressão «Ombweti yateka». Mas alguns de nós só a ouvimos pela primeira vez enquanto trecho de uma música de pranto, de Justino Handanga, onde o artista chorava a morte de Valentim Amões, o empresário que mais se sensibilizava com a carência profissional dos músicos do Huambo. Concluindo, a expressão «Ombweti yateka» é usada para dizer que perdemos a pessoa que nos servia de refúgio. Lembrei-me disto a propósito de Valeriano Manuel, 63 anos, o último em vida dos seis filhos do velho Manuel Patissa. Nada mais restou. «Ombweti yateka».
www.ombembwa.blogspot.com

sábado, 5 de novembro de 2016

ONIMBU YOCISUNGO CESUMWÕ (TRECHO DE UM HINO DE PRANTO)

"Ndingende / ñwete ombweti/ yapama/ Oyo ekolelo lyange / ñwatelela kombweti yange/ nuñamenlã kohunyã yange / ovitangi / ka vi ka nateke / ndingende /ndisya olwali"
TRADUÇÃO

Sou caminhante / tenho uma bengala firme / é a minha fé / apoio-me na minha bengala / socorro-me da minha moca / que os problemas não me estorvem / sou passageiro / estou fadado a deixar o mundo

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Tuyiliko kamwe | CALISOKA ÑO

Eci pakapita osimanu okuti umwe ulume wainda lokutila kupange, ceya petosi lyokutundisiwa. Eye wakasanda cimbanda covosipitali oco opitise ocicapa ndamunu akala lokuvela. Cimbanda weya okulinga eti epingilo lyaco lyuvalula kutima, omo okuti ha yo ko onjila alongiwa layo vulandu wokulilongisa ukulihinsõ wokusakula. Eye ulume walinga eti civalula vali enene ceci nda ka tukwatisa vana vasaka. Eci pakapita akwim vatatu kwakukutu, cimbanda walawulula okuti emenlã lyo cita kolo Dolares (USD 100) ha lyocili ko. Noke wavilikiya lenyeño lyalwa: “Ove okanyihã emenlã lyolombongo lyensanda?!” Ukwavo watambulula okuti: “Ocicapa wanyihã censanda vo…”   www.ombembwa.blogspot.com

PORTUGUÊS

Humor | TUDO POR IGUAL
Depois de faltar uma semana ao trabalho e confrontado com ameaça de despedimento, o cidadão vai ter com o médico e implora por uma justificação médica. O médico em princípio diz que tal proposta é insultuosa por colocar em causa os seus valores éticos. O cidadão convence o médico argumentando que não há valor ético superior a salvar quem sofre. Passados trinta minutos, o médico nota que a nota de cem dólares paga era falsa. Chama o cliente de volta, muito chateado. "Caramba, meu! Você me dá um dinheiro falso?!" Ao que o outro automaticamente reponde: "mas do documento também era falso..."

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ulandu wocisola | Tratado do amor | Love treaty

1.
UMBUNDU | Kefetikilo, ovo valisanga vokololo
PORTUGUÊS | No começo, encontraram-se na rua
ENGLISH | It all started as they met on the street
2. 
UMBUNDU | Eye wosapwila olondaka visonsa vokañunuñunu petwim
PORTUGUÊS | Ele segredou-lhe doces palavras ao pé da orelha
ENGLISH | He told her sweet secrets by the ear
3. 
UMBUNDU | Okwiya vafetika okuliyonja
PORTUGUÊS | A seguir começaram a seduzir-se
ENGLISH | Next they started seducing each other
4. 
UMBUNDU | Noke valisisita
PORTUGUÊS | E depois acariciaram-se
ENGLISH | Then they touched each other

Ndipato ame?


UMBUNDU | Ndipato ame?
PORTUGUÊS | Pato, eu?
ENGLISH | Am I a duck?

Nda pamwe paywa, okulisuya

UMBUNDU | Nda pamwe paywa, okulisuya
PORTUGUÊS | Se a coceira se manifesta, há que coçar
ENGLISH | If you feel sort of itching, then you scratch

domingo, 30 de outubro de 2016

teke twatundile okukulihinsa imbo lyo Mainz, vofeka yo Alemanha, muna kosimbu umwe ulume londuko ya Gutenberg asovola ovikete vyokumyoñolõlã volwali wosi upange wo "imprensa"

UMBUNDU | eteke twatundile okukulihinsa imbo lyo Mainz, vofeka yo Alemanha, muna kosimbu umwe ulume londuko ya Gutenberg asovola ovikete vyokumyoñolõlã volwali wosi upange wo "imprensa".

PORTUGUÊS | excursão turística à cidade de Mainz, na Alemanha, onde no passado um homem chamado Gutenberg inventou a prensa, a máquina que viria a revolucionar na história universal a indústria da imprensa.

ENGLISH | excursion to the city of Mainz, in Germany, the land of a man named Gutenberg, who invented a machine that turned out to be a revolution in the world printing industry. 

Ukongo wovitanda

Umbundu | Ukongo wovitanda
Português | O caçador de feiras
English | The trade hunter

sábado, 29 de outubro de 2016

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Avala vo Lisboa vokuloka kwombela vetukutuku

UMBUNDU | Avala vo Lisboa vokuloka kwombela vetukutuku
PORTUGUÊS | As cores de Lisboa da pela chuva do pára-brisas
ENGLISH | Lisbon colours from a rainy windscreen

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Os transportes públicos são eficientes em cidades do continente europeu


UMBUNDU | Ulala wovyendelo vyowiñi wendisiwa ciwa mwalupale vocifuka co Europa.
PORTUGUÊS | Os transportes públicos são eficientes em cidades do continente europeu.
ENGLISH | Public transports system is efficient throughout the European continent cities.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Okupita vo lupale wo Lisboa, ko Putu, vungende wokutyuka konjo, ndalisangapo lovakamba vange. Cakala esanju lyalwa!

UMBUNDU | Okupita vo lupale wo Lisboa, ko Putu, vungende wokutyuka konjo, ndalisangapo lovakamba vange. Cakala esanju lyalwa!

PORTUGUÊS | De passagem por Lisboa, em Portugal, já no percurso de regresso à casa, encontrei-me com as minhas amigas. Foi uma alegria enorme!
ENGLISH | Passing through Lisbon in Portugal, in my trip back home, my friends were there to see me. It was such a great joy!

Olwi wupita vokati kolupale wo Frankfurt


UMBUNDU | Olwi wupita vokati kolupale wo Frankfurt
PORTUGUÊS | O rio atravessa a cidade de Frankfurt
ENGLISH | The river runs through the city of Frankfurt

Ulume ukwesanju volupale wo Frankfurt

UMBUNDU | Ulume ukwesanju volupale wo Frankfurt

PORTUGUÊS | O simpático cavalheiro de Frankfurt
ENGLISH | The Frankfurter friendly gentleman

sábado, 15 de outubro de 2016

Ndati? | Como? | Say again?

Modelo: Kajim Ban-Gala (escritor angolano)

Ndisonehã vonduko yelye? | Em nome de quem devo autografar | In whose name should I autograph?

Modelo: Kajim Ban-Gala (escritor angolano)

terça-feira, 27 de setembro de 2016

terça-feira, 20 de setembro de 2016

(arquivo) Oratura | "KOPITULE, OCO WOLALEKELE" (adágio Umbundu) -

"KOPITULE, OCO WOLALEKELE" (adágio Umbundu) - passar por casa de alguém para com este caminhar, é porque houve convite prévio.
TENTATIVA DE ENQUADRAMENTO: A consideração e a confiança, que nos permitem incondicionalmente contar com alguém, cultivam-se.
Salipo ciwa (passem bem)

sábado, 17 de setembro de 2016

Oratura | "P'UTI WAKUPILE OSÃLÃ KUTWE, ECI OPITA PO, NYOÑAMÃ"

PROPOSTA DE TRADUÇÃO: Ao passares pela árvore cujos galhos te arrancaram da cabeça o chapéu, inclina-te.
ENQUADRAMENTO: Há que aprender com a experiência do passado e prevenir consequências negativas.

(Arquivo) Oratura | "OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE" - (adágio Umbundu)

 "OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE" - (adágio Umbundu) - pariu a cabra de noite, é pela manhã que descortinamos a aparência do filhote).
Enquadramento: geralmente, é um apelo à paciência em caso de dúvida, no sentido de que a verdade vai, mais tarde ou mais cedo, emergir.

(Arquivo) Oratura | "CAVONGA KEPYA, KAPULE KIMBO" (adágio Umbundu)

"CAVONGA KEPYA, KAPULE KIMBO" (adágio Umbundu)
PROPOSTA DE TRADUÇÃO: Ao fraco desempenho na lavoura, vá questionar a aldeia.
ENQUADRAMENTO: A energia no ambiente do lar (condição psicossocial do indivíduo) costuma ser determinante para o êxito/fracasso no desempenho de tarefas profissionais.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

ALUPOLO! (minha adivinha!)

O serão é o momento cultural mais formal entre os ovimbundu. É praticamente um dogma, só de noite é permitido contar estórias e adivinhas. Diz-se mesmo que quem o fizer durante a luz do dia corre o risco de lhe nascerem chifres (nada relacionado com o sentido de traição). Cá por mim, julgo que será uma estratégia de o entretenimento não prejudicar o horário do labor. Alguém então propõe, por exemplo:
"Alupolo!" (minha adivinha!)
"Wiye!" (Venha!)
"Nditãi kesinya, ndinyanyomõlã alensu." (Encontro-me na outra margem a abanar lenços.)
"Ina yukwene, nda enda epenle, ku koyole." (Se a mãe de outrem está em carência de vestuário, não te rias dela)

E a roda do diálogo gira com tudo o que de metafísico se reveste, vista a tendência de serem os mesmos contos e fábulas cantados, adágios e adivinhas, mas que, entretanto, não perdem o poder de suscitar o mesmo respeito, medo, fantasia e vontade de voltar a ouvir.
"A metáfora é um poema em miniatura", como muito bem a caraterizou Monroe Beardsley, citado por Paul Ricoeur (no livro Teoria da Interpretação, o discurso e o excesso de significação, edições 70, Lisboa, Portugal, 2009)
Ovilamo! (cumprimentos)
Gociante Patissa, Benguela 14.09.2014

terça-feira, 13 de setembro de 2016

OLUSAPO (provérbio)

"Kunde ka yandela kowangu, oco ongombo wata la muku." (adágio Umbundu) - O feijoeiro não cresce entre o capim, a não ser que tenha o acordo do rato.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

UMB: U okasi kepinli onduko yaye eye elye? Upange waye nye? (Onduko yaye) eye Salsiano Pereira, upange waye okuyevalisa asapulo

UMB: U okasi kepinli onduko yaye eye elye? Upange waye nye? (Onduko yaye) eye Salsiano Pereira, upange waye okuyevalisa asapulo.
POR: Como se chama o senhor do lado esquerdo? Qual é a sua profissão? Ele chama-se Salesiano Pereira, é profissional de informação (jornalista)
ENG: What is the gentleman on the left hand side’s name? What is his job? His name is Salesiano Pereira, he is a journalist.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

UMB: Hélvio wovoMbaka, kwenda onjimbi yimwe vo yaposoka

POR: Hélvio é de Benguela, é outro bom cantor/músico
ENG: Hélvio lives in Benguela and is another great musician

UMB: Mariane André oyo onduko yaye, wovolupale wo Lupito, okwete ongavelo yokwimba ovisungo

UMB: Mariane André oyo onduko yaye, wovolupale wo Lupito, okwete ongavelo yokwimba ovisungo.
POR: Mariane André é o nome dela, vive na cidade do Lobito e tem o dom de cantar.
ENG: Mariane André is her name, lives in Lobito, and is a gifted young singer.
(foto feita durante a gala de eleição da Miss Lobito 2016/17)

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Oratura | "Nda vilya kwamãle, vinga. Eci vimãla vilya kwove" (provérbio Umbundu)

"Nda vilya kwamãle, vinga. Eci vimãla vilya kwove" (provérbio Umbundu)

(Calomboloka: nda ovinyama vilya/vinyõla vepya lya umwe olisungwe laye, kwatisako okuvinga. Momo eci okulya kwapwile po, vatehenlã kwove)

Provérbio Umbundu que corresponde a: "se a barba alheia arde, põe as tuas de molho".

Tradução literal: se os animais comem/destroem lavra de outrem, não hesites em enxotá-los, pois quando derem cabo de tudo, tua lavra não escapa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Sociolinguística | "OKO" ou "HOKO"? BREVE NOTA SOBRE O USO INCORRECTO DA INTERJEIÇÃO UMBUNDU EMPRESTADA AO PORTUGUÊS DE ANGOLA

Quando estiver a usar “oko” e “aka” para interjeição, você estará a fazer tudo, menos acertar. É que tem crescido nos últimos tempos, principalmente na comunicação coloquial das redes sociais, o uso de duas interjeições da língua Umbundu, as quais pretendem transmitir simultaneamente admiração e reprovação. O que faz confusão para quem acompanha com alguma acuidade é que se multiplica e populariza cada vez mais a gralha. O correcto seria “hoko!” e/ou “haka!”, isso mesmo, com H, aspirado, correspondendo ao português “Irra!”, “caramba!”. “Oko” tem outra função, a de advérbio de lugar, quer dizer lá. Por exemplo, “kwende oko” (vai lá mais é). “Aka” também é pronome demonstrativo, quer dizer este ou esta, mas com conotação diminutiva. Por exemplo, “okamõlã aka” (esta criancinha).

Talvez seja já demasiado tarde para a presente chamada de atenção, olhando para a experiência negativa no que respeita ao uso por empréstimo de termos e expressões de origem africana (Bantu) à língua portuguesa. Geralmente, dada a velha questão de status inclinado, a língua portuguesa acaba impondo corruptela, na ausência de rigor ou interesse para um mínimo exercício de pesquisa sobre o sentido, grafia e uso correcto da palavra, como ocorre por exemplo com a palavra "kota" (irmão mais velho), que emprestada à língua portuguesa virou "cota", facilmente confundida com indicador estatístico.

Por favor, quando quiser usar as palavras para expressar admiração/reprovação, não coma o H, se faz favor. É “hoko!” ou “haka!”.
 Gociante Patissa. Benguela, 17 Agosto 2016

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Alguém pode traduzir e contextualizar este cântico umbundu de marcha militar?

UMBUNDU: "A ndombwa kolela / a ndombwa kolela / vonjo likalyove weh / ka cilingi cimwe / ka cilingi cimwe / otembo yokuloya weh"

TRADUÇÃO PARA PORTUGUÊS: Noiva aguenta, noiva aguenta, em casa sozinha, não faz mal é tempo de guerra. Esta mensagem é dirigida á noiva, contudo serve de incentivo para as tropas estacionadas na frente de combate

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Resultados do concurso de tradução de provérbios do Umbundu para Português

1. Do enquadramento

Foi lançado em nome do Blog Ombembwa Angola um concuro de tradução baseado em aforismos e provérbios da língua Umbundu/recordados na música «Latchimwe» do Trio Semba da Katombela». Esperava-se uma tradução que levasse em conta o enquadramento contextual e não apenas a mera conversão de palavras. O vencedor escolherá entre receber um mosquiteiro tratado, um exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.

2. Do enunciado

2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita / eye wenda kimbo lyavo"
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga"
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja"
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle"
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva"

3. Dos concorrentes

Apenas o amigo Felisberto Ndunduma Sakutchatcha arriscou na tradução, pelo que reclama a legitimidade do troféu. O parecer da organização é que o seu empenho vale pela metade, pois o que se pretende com os provérbios é, fundamentalmente, enquadrá-los no contexto sócio-antropológico. Respondeu ele da seguinte forma: «1. Se a tanto conselho não aceita, educa-lhe no prato (na comida) e voltará para a sua terra de origem; 2. Sou chamado "teimoso" pela minha minha mãe, por mim ser difícil demais de aconselhar; 3. Quem bate a enxada no chão faz lembrar aos camponeses o trabalho de cultivo; 4. Por mais linda que seja a camisa de outrem, ela não te tira da carência de vestuário; 5. Cozinha-se para quem se farta e aconselha-se quem ouve.»

4. Da nossa interpretação

2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita / eye wenda kimbo lyavo" - Se tu aconselhas, aconselhas e ela não muda; então rejeita a comida dela/ Rejeitada a comida, ela abandona o lar e regressa à procedência. (Trata-se de uma das lições transmitidas a partir dos ritos de passagem aos futuros maridos, já que em termos de divisão de tarefas, as refeições são a cargo da esposa e socialmente um indicador para aferir a boa educação, hospitalidade e harmonia no lar. Logo, se o marido não come em casa, é um desprezo passível de separação.)
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga" - A minha mãe alcunhou-me "Traquinas", o filho que não ouve conselhos. (Em sociedades tradicionais, onde os mecanismos de responsabilização e sanção operam pela via verbal, o conselho dos pais enquanto molde moral têem um valor universalmente enorme.)
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja" - Quem bate a enxada no chão reaviva a memória dos camponeses. (Estamos em presença da celebração do gesto, por um lado, e do enaltecimento de uma ferramenta que representa muito na economia rural.)
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle" - A camisa de outrem, por mais linda que seja, não te supri da carência. (Quer isto dizer que é preciso conquistar as coisas passo a passo e não cultivar a cobiça, que normalmente é parcial)
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva" - Há que confeccionar alimentos para aquele que sabe o que é estar saciado; há que aconselhar quem sabe ouvir. (Aqui parece escusado o enquadramento).

5. Do resultado

Ponderadas as questões numa relação de expectativa-resultado, o prémio é entregue ao único concorrente, Felisberto Ndunduma Sakutchatcha, COMO FORMA DE ESTIMULAR A EXERCITAÇÃO DA NOSSA TRADIÇÃO ORAL. Terá ele dois dias para confirmar o que deseja receber, entre um mosquiteiro, um exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.
Gociante Patissa 

sábado, 25 de junho de 2016

Utilidade pública | Uma porta para a promoção de música de matriz tradicional através da rádio

Leva-se ao conhecimento de possíveis fazedores de música genericamente conhecida como tradicional e que procurem a promoção das mesmas o seguinte: (1) Sua excelência eu colabora (a título voluntário e não remunerado) com um programa do Canal A da Rádio Nacional de Angola, programa este emitido aos sábado a partir das 18 horas, com reposição à madrugada de domingo, de Luanda para todo o país. Há três décadas no ar, este programa da RNA tem como vocação a recolha da tradição oral e etnomusical de Angola; (2) O meu poder do colaborador limita-se a recolher, elaborar uma pequena sinopse, caso o conteúdo esteja numa das línguas que domino, e posteriormente remeter à realização do programa, a quem cabe a decisão final de divulgar (ou não) mediante a sua qualidade. Por exemplo, este mês de Junho promovemos na região sul dois artistas, o Kupeletela (do Bocoio) e Morais Camambala (do Huambo e radicado na África do Sul); (3) Sua excelência eu não cobra rigorosamente nada, nem se devia nunca cobrar, mas também não garante pagamento de direitos de emissão. Em caso de interesse, o e-mail para remeterem as músicas em formato Mp3 é patissagociante@yahoo.com
Ainda era só isso. Obrigado.

domingo, 12 de junho de 2016

Áudio | Para quem não pôde acompanhar, aqui vai o arquivo da edição de 11.06.2016 (primeira parte) do programa Antologia, da RNA, conduzido por António Antunes Fonseca, num exercício permanente de recolha e divulgação da tradição oral e etnomusical angolana. Nesta edição, destaque para KUPELETELA, a voz do município Bocoio, província de Benguela

ALGUNS TRECHOS: "nakalungu/ nakacekele/ cukwavo olya/caye osoleka (...) cananga mo ceci/olongombe vipokola komunu/omunu ka pokola kwisya yaye/ la ina yaye" (o espertalhão é dinâmico, guarda o que é seu para comer o que é do outro (...) o que me deixa perplexo é que o boi obedece ao ser humano, o ser humano desobedece ao pai e à mãe"

Declaração de interesses: faço este convite na minha condição de ouvinte e colaborador do programa. Por outro lado, estou ainda ligado ao músico Kupeletela por laços familiares, ele é primo meu.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

"YILO OFEKA YAKAPUNGU LA NGWALI"

"YILO OFEKA YAKAPUNGU LA NGWALI" (máxima Umbundu dos suspiros da minha mãe) - Este é o país do milho e da perdiz.
Enquadramento: o milho já sabe que é vulnerável à gula da ave e conforma-se com a sua sorte.. A ave sabe que não cultivou o milho e que este não esgota, mas também não abranda a gula e investe em longos vôos. No final, cada um a seu jeito faz a história.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

«OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE»

«OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE» - (adágio Umbundu) - Pariu a cabra de noite, é pela manhã que descortinamos a aparência do filhote.
Enquadramento: geralmente, é um apelo à paciência em caso de dúvida, no sentido de que a verdade vai, mais tarde ou mais cedo, emergir. Usa-se também em casos de negação da paternidade durante a gravidez.

sábado, 21 de maio de 2016

Elisyoswinlõ lya umwe upemunli okuti utwe ka ukasi õn ciwa | De um barbeiro, com surtos de demência, do bairro Santa Cruz, há uns anos

"Omõlã wange ukãi oco ndutekula lika lyange, nda ovela ndilupokako; pwãi eci akatelinsã ño 14 anos, kwiya ale ombulutu yimwe yupundola. Ame oco utwe unokota calwa!"

(Sustento a minha filha sozinho.Quando ela está doente me viro até ela ficar bem! Mas quando completar 14 anos, virão insurretos para a conquistarem. Quando penso nisso fico com a cabeça dorida... Tentei)

Ndokusokolola upongo watate | Recordando um indignado adágio Umbundu com o meu pai

"Powiñi wakuto, nda ka pakavi ava vafinyã, pakava ava vafembula"

(no grupo dos que usufruem aos excessos a fartura, se não se cansam os que peidam, cansam-se os que têm de abanar com a mão o nariz torcido para minimizar o fedor).

quarta-feira, 11 de maio de 2016

(arquivo) TRECHO DE UM HINO EVANGÉLICO NA LÍNGUA UMBUNDU / Onimbu yocisungo cimwe cetavo velimi lyumbundu

«Si ka ivale ko
okuti kilu lyeve ndukombe
ndipita ombamba
ndonelehõ yakala lomenle

kekumbi ka yi ko vali
yowuka lutanyã
mwapita ofela
noke yaloluka»

TENTATIVA DE TRADUÇÃO

Que eu não me esqueça
de que sou hóspede na face da Terra
de efémera passagem
como a flor que sorriu de manhã

De tarde não se viu
com o sol murchou 
o vento bateu 
e ela ruiu.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Ovisungo Vyetu | Cantares do nosso povo

"La umwe ongendela / La umwe ongendela / ndimõla wonganga weh / La umwe ongendela yeleh / citeketeke opitu yasika"

1. Alguém para traduzir e enquadrar o género do personagem dentro do contexto?

PS:Ninguém me procura ou me conquista/ ninguém me procura ou me conquista/sou filha de feiticeiro/todos dias /todas as manhas/o apito toca ou a galinha canta. ass:# vlbs divel

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Novidade para amigos no Brasil | Acaba de sair pela editora PENALUX o livro "ALMAS DE PORCELANA", colectânea de poemaa do escritor angolano GOCIANTE PATISSA

Para os meus amigos, conhecidos e leitores em geral no solo brasileiro, finalmente está nas bancas o livro "Almas de Porcelana", que reúne poesia do escritor angolano Gociante Patissa através dos livros Consulado do Vazio (KAT, Benguela 2008), Guardanapo de Papel (NosSomos; Vila Nova de Cerveira, Portugal 2014), alguns inéditos, bem como textos dispersos em Antologias e revistas publicadas em Portugal, Brasil e Moçambique. Para mais informações, queiram contactar directamente a loja virtual da editora Penalux  Grato pela aposta, carosTonho França e Wilson Gorj

segunda-feira, 18 de abril de 2016

"Lumenye ka tila owisi; upika ka tila upange" (provérbio Umbundu)

"Lumenye ka tila owisi; upika ka tila upange" (provérbio Umbundu) - A barata não teme o fumo; o escravo não teme o trabalho.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Contos da nossa Terra │O preço de um milagre (*)

Depois de receber uma convocatória mais ou menos furiosa para comparecer no dia seguinte à residência do Rei, o aldeão, meio-jovem, meio-homem, era um turbilhão de ideias. Da boca do emissário, de tão telegráfico, podia-se muito bem inventariar a mensagem em quatro palavras: “Henlã kekumbi konjo yaSoma” (amanhã à tarde em casa do Rei). Nada mais acrescentou, nem era preciso. O assunto era grave. O convocado nada disse às pessoas com quem vivia. Tentou dormir. Foi assim que se lembrou da mais sábia das soluções, acreditava ele. Fez-se à residência do mestre sobrenatural. No escuro, manteve-se quieto, sem deixar de garantir estar fora do alcance dos cães, ao mesmo tempo guardas e caçadores, muito amantes de ossos (ele era muito magro).
“Tu por aqui?”, indagou o dono de casa que deu pelo intruso no momento em que ia atrás da árvore para aliviar a bexiga dos líquidos do dia anterior.
“Sim, mestre, nem deixei os galos cantarem. Fui chamado pelo Rei…”
“Queres que eu vá no teu lugar?”
“Não é isso, mestre, quero que me tires as culpas…A fama de bom curandeiro é grande. E se fama tem, solução também… Até porque o mestre também é feiticeiro, ou não é?
“Ó rapaz, cuidado, hã? Pelas tuas palavras tortas, você estragou coisa grande, não é?”
“Engravidei a filha do Rei, papá. Sem apresentação, sem alembamento, ainda por cima, sem profissão, sem herança, sem beleza…”
“Mas força de homem tens. Que mal te podem fazer?”
“O mestre esqueceu que Rei é sempre a Lei?”

A dado momento, a mulher do Rei interrompia para servir chá com batata-doce fervida.

 “Pago duas galinhas, um porco e um cabrito, mestre. Me tira só a chave. Faz Milagre”
“Que chave, rapaz?!”
“A cuspideira. Se quando eu for lá, eu alegar que não engravidei a menina, uma vez que a natureza não me deu o equipamento cuspidor de gravidezes, escapo…”
“E depois, quando a criança nascer e ficar parecida contigo?”
“Aí já passou o tempo, nervo do rei já envelheceu e também já criei condições.”

E lá foi apresentar-se ao Rei. A meio da reunião, que ia muito acalorada, o réu justificou-se inocente, já que não possuía testículos nem um pénis competente… Como se já não bastasse o desmaio, o Rei viu-se ainda obrigado a pedir desculpas ao incapacitado sexual pela alegada humilhação. Tinha resultado o poder do milagre!

Ao aproximar-se da casa do feiticeiro, o incapacitado sexual notou um aglomerado. Óbito. O doente deve ter chegado em fase terminal, pensou. Mas quando já se podiam ouvir com clareza os jograis típicos do choro africano, qual não foi espanto dos enlutados ao ver um desconhecido correr feito louco em direcção ao defunto. O feiticeiro estava inerte, vítima de uma cobra cuspideira a caminho da lavra. 
“Mestre, não faças isso comigo!!! O equipamento? Como fica a minha cuspideira de homem, mestre?!”

Moral: "Cakusanga vuti, linga eti ndimunu; ku kalinge eti ndi nde" (provérbio Umbundu) – Se algo te encontrar na árvore, diz mesmo que és pessoa; não colmeia.

(*) Adaptação feita por Gociante Patissa, Benguela, 29 Fevereiro 2016
www.ombemba.blogspot.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

Desafio Ganda │A convite do amigo Banny di Castro, tive o privilégio de escalar a rocha do Atuki (aprox. 300 metros) para ver a piscina de águas naturais, também conhecida por lagoa do Atuki, situada bem no topo. O caminho é íngreme, exige o dobro dos pulmões, mas vale a pena visitar. É um rico pedaço turístico a clamar por investimento e maior divulgação

 O primeiro passo para se chegar à serra. Haja estaleca
 Adrenalina ao rubro, para quem está de chinelos e se arrisca à picada de serpente
 Pormenor da piscina ou lagoa do Atuki, um importante fenómeno natural, que infelizmente corre o risco de ver o seu ecossistema enfraquecer, uma vez que os banhistas, embora poucos, conspurcam a nascente com lixo de vária ordem
 Uma selfie para a posteridade com o amigo Albano Sapondiya
 A piscina, também conhecida por lagoa do Atuki, faz a delícias dos miúdos e não só 
Na hora de descer da serra, a velhice usa as pernas para impôr um descanso