domingo, 9 de setembro de 2018

Veteke lya lyakwim vavali la tatu, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã, ocipama citukwiwa eti Popya Otchili cakonga Gociante Patissa ndukusinumunlã evi vyatyama kokumina lovotila kwenda vo ndokusapela kwevi viletiwe kaliye okuti papita ale ulima tunde apa ocela caimbiwa vo feka yo Ngola. Ocipama Popya Otchili cendisiwa la João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi kwenda vo Jesus Matende. Horácio dos Reis waka kovikwata vileñi


Gravidez precoce e o balanço do primeiro ano das eleições gerais de 2017 foram os temas centrais no dia 23.08.2018 da edição nº 12 do programa Popya Otchili (em português, diga a verdade), na Rádio Ecclesia de Benguela, emissora da igreja Católica. Gociante Patissa, escritor e actor social, foi o convidado da mesa redonda, que contou também com a intervenção de ouvintes ao telefone. O trio que conduz o Popya Otchili é composto por João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi e Jesus Matende. Tecnica de som de Horácio dos Reis. | www.ombembwa.blogspot.com


sábado, 8 de setembro de 2018

Veteke lya lyakwim vavali la tatu, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã, ocipama citukwiwa eti Popya Otchili cakonga Gociante Patissa ndukusinumunlã evi vyatyama kokumina lovotila kwenda vo ndokusapela kwevi viletiwe kaliye okuti papita ale ulima tunde apa ocela caimbiwa vo feka yo Ngola. Ocipama Popya Otchili cendisiwa la João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi kwenda vo Jesus Matende. Horácio dos Reis waka kovikwata vileñi


Gravidez precoce e o balanço do primeiro ano das eleições gerais de 2017 foram os temas centrais no dia 23.08.2018 da edição nº 12 do programa Popya Otchili (em português, diga a verdade), na Rádio Ecclesia de Benguela, emissora da igreja Católica. Gociante Patissa, escritor e actor social, foi o convidado da mesa redonda, que contou também com a intervenção de ouvintes ao telefone. O trio que conduz o Popya Otchili é composto por João Guerra Sokópya, Arminda Mangandi e Jesus Matende. Tecnica de som de Horácio dos Reis. | www.ombembwa.blogspot.com



UMBUNDU | Ombangulo yaendisiwa vingungu vyo Lupito la António Firmino "Tula". Cakala veteke lyakwim vavali la mosi, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã. Vavangula kweci catyama kungende usonehi Gociante Patissa vofeka yo Brasil, muna akayevalisile ovihilahila vyetu konepa yakongamelã, vocipito co FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), kolupale wo Salvador, oluhumba wo Bahia, tunde veteke lya 08 toke ko 12 vosãi yaco ya Kanyenye. Eye wakongiwa lo Seketa Yovituwa Kwenda Olomapalo yo nguvulu (Secretaria de Estado da Cultura), vulala wocisoko co Fundação Pedro Calmon

PORTUGUÊS | Entrevista na Rádio Lobito conduzida António Firmino “Tula”, a 21/08/2018. Trataram da viagem do escritor Gociante Patissa ao Brasil, onde palestrou sobre a literatura angolana na FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), na cidade de Salvador, de 8 a 12 de Agosto, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon

UMBUNDU | Ombangulo yaendisiwa vingungu vyo Lupito la António Firmino "Tula". Cakala veteke lyakwim vavali la mosi, kosãi ya Kanyenye, vunyamo wolohulukãi vivali kekwim lecelãlã. Vavangula kweci catyama kungende usonehi Gociante Patissa vofeka yo Brasil, muna akayevalisile ovihilahila vyetu konepa yakongamelã, vocipito co FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), kolupale wo Salvador, oluhumba wo Bahia, tunde veteke lya 08 toke ko 12 vosãi yaco ya Kanyenye. Eye wakongiwa lo Seketa Yovituwa Kwenda Olomapalo yo nguvulu (Secretaria de Estado da Cultura), vulala wocisoko co Fundação Pedro Calmon

PORTUGUÊS | Entrevista na Rádio Lobito conuzida António Firmino “Tula”, a 21/08/2018. Trataram da viagem do escritor Gociante Patissa ao Brasil, onde palestrou sobre a literatura angolana na FLIPELÔ (Festa Literária do Pelourinho), na cidade de Salvador, de 8 a 12 de Agosto, a convite da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por intermédio da Fundação Pedro Calmon


terça-feira, 4 de setembro de 2018

Gonçalves Handyman Malha, Luanda, 04.09.2018

«Nda wanda, kukame ondalu: vasala vayota»: se tu vais, não apagues o fogo: os que ficam aquecem-se.

Já que se vai falar sobre o uso de provérbios no livro de Gociante Patissa, o melhor foi iniciar com um provérbio, em que se abre uma ponte reflexiva aos egrégios leitores para que possam transmitir aos mais novos tudo o quanto lhes foi ensinado.

Destarte, baseando-se no Dicionário Electrónico de Português Houaiss (2017), entende-se por provérbios, como frases e expressões, geralmente, curtas e de origem popular, que sintetizam um conceito a respeito da realidade, regra social ou moral. Tais frases ou expressões são parte da cultura popular de um determinado povo, transmitidos de forma oral ou escrita às gerações mais jovens pelas mais idosas. As mesmas transmitem conhecimentos comuns sobre a vida, educam, edificam, exortam e ajudam a reflectir. Muitos desses provérbios constituem aquilo que muitos mais velhos são hoje.

Sentados à volta de uma fogueira ou imbondeiro, eram contados vários contos, provérbios, anedotas, lendas e adivinhas, assim eram transmitidos os conhecimentos de forma oral aos mais novos. Com o passar do tempo e a forte influência da globalização, tal prática caiu em desuso, e assim a nova geração acabou por perder o fio das nossas origens, deixando-se levar pelas origens estrangeiras. Hoje, os jovens, com a idade compreendida entre os 15 aos 19 anos de idade, estão tão longe daquilo que os mais velhos foram na juventude e, por consequência, muitos têm dificuldades de assumir a sua identidade cultural.

Afirmou Jofre Rocha, numa entrevista concedida à Lavra & Oficina, que «a Literatura é um veículo fundamental para levar o povo a reencontrar a sua identidade, liberto de complexos e preconceitos, valorizando as tradições mais positivas e a cultura em geral». E a tradição oral (ainda) constitui uma das pontes que visa permitir aos angolanos o resgate da idoneidade cultural que cada etnia possui. Geralmente, designa-se por literatura tradicional oral angolana o conjunto de todos os contos, lendas, fábulas, provérbios, advinhas, poesias, narrativas criadas pela alma artística do povo angolano, e foram transmitidas oralmente de geração a geração. A literatura tradicional oral angolana é uma marca que rompeu as barreiras da vida e a mesma trouxe um mundo imaginário e a realidade das culturas dos povos indígenas.

Schipper (2011, p. 14) afirma que a função dos provérbios na literatura oral é reforçar o argumento do autor, animar a história ou explicar alguma situação ou comportamento.

Na baila do livro «Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas», o escritor relaciona os provérbios com os factos sociais e o enquadramento da língua Umbundu para melhor expor uma ideia ou enriquecer os seus contos. É um livro composto por catorze contos, lançado no ano de 2014 sob chancela do Grecima e apurado no concurso de originais para colecção «11 Novos Autores», no quadro da Bolsa Ler Angola. O livro marca a literatura angolana pelo modo como o escritor desenrola os contos e pelas marcas de angolanidade que nela podemos encontrar.
Segue-se abaixo uma lista de provérbios em Umbundu com a respectiva tradução original da obra em análise de Gociante Patissa.

1. «Camãnle calinga eti mbanje, ka calingile eti mopye»: coisa alheia é para ver apenas, não para falar. 
2. «Ina yukwene, ndaño onima ndopalata, ka lisoki la wove»: mesmo que a mãe do outro brilhe como a prata, jamais substituirá a tua. 
3. «Ka mwinle ongongo ka kolele»: quem não sofreu não amadureceu. 
4. «Kapiñãlã ka lisoki la mwenle»: substituto é inferior ao dono. 
5. «Ocilema vacitaisa, ka vawutola»: que o aleijado nasça na família, não se acolhe de outrem. 
6. «Ocili viso»: verdade é o que for visto.
7. «Ombwa ka yiwulila cahenlã»: cão não ladra por algo que passou ontem.
8. «Otembo ka yilyalya camãle»: aquilo que o tempo tirar, o tempo vai devolver. 
9. «Soma wakava okuyeva kowiñi, oyongola okuyevelela kongolo»: o Rei fartou-se de ouvir o povo, agora quer conselhos do seu próprio joelho. 
10.  «U kwendi laye ka kukutila ko epunda»: não te prepara a trouxa quem contigo não viaja.

Os provérbios na língua vernácula trazem na sua essência três partes. A primeira são os provérbios na língua de origem, a segunda na língua traduzida (sem perder o sentido original) e a terceira, a moral do provérbio. Tratando-se de uma obra literária em que o escritor traz as duas primeiras partes da essência, questionamos o escritor, Gociante Patissa, o porquê do não enquadramento da terceira parte.

Por outra, o Umbundu é a língua dos Ovimbundu, grupo sociocultural que está localizado no centro-sul do país, ou seja, no Planalto Central e nalgumas áreas adjacentes, especialmente na faixa litoral, a Oeste do Planalto Central. Uma região que compreende as províncias do Huambo, Bié e Benguela. Por essa razão, entendemos o uso dos provérbios na língua Umbundu, pois é a língua da região do escritor do livro em questão, visando valorizar e divulga-la.

Sendo o Umbundu “…a segunda língua mais falada em Angola (a seguir ao português) com 5,9 milhões de falantes (22,96% da população)” (https://pt.mwikipedia.org/wiki/Línguas_de_Angola), propomos um desafio ao escritor para que também implemente nas suas futuras obras as outras línguas regionais de Angola, como requisito de valorização e divulgação das nossas línguas.

Outrossim, podemos dizer que os provérbios retirados da obra «Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas» têm uma finalidade educativa e muito reflexiva sobre a vida, e também visam incutir valores éticos e morais às novas gerações para que sejam bons cidadãos na sociedade.

domingo, 5 de agosto de 2018




Tivemos acesso à gravação de uma das edições, talvez de todas a mais rica cultural e pedagogicamente falando, do programa "POPYA OTCHILI", transmitido em língua umbundu na Rádio Ecclesia de Benguela neste 2018. O convidado foi o padre Bonifácio Tchimboto, uma autoridade em matérias de antropologia, semiótica e linguística nas universidades Católica e Jean Piaget. Os anfitriões foram João Guerra Sokópya, Jesus Matende e Arminda Mangandi. Em 58 minutos de áudio, POPYA OTCHILI, em português diga a verdade, discute a questão da tradução, dos neologismos e das interferências, da dupla confusão por viorar a dupla grafia, ao mesmo tempo que polvilha adágios em tertúlia cómica. Há certamente visões com as quais não concordo, saúdo o valioso contributo que o material representa no campo do saber e da pesquisa, enquanto mentor do blog www.ombembwa.blogspot.com, que assume a causa da língua umbundu. Ainda era só isso. Obrigado.
Gociante Patissa | Benguela, 05.08.2018 |

sábado, 4 de agosto de 2018

Sua excelência eu teve acesso à gravação de uma das edições, talvez de todas a mais rica cultural e pedagogicamente falando, do programa "POPYA OTCHILI", transmitido integralmente em língua umbundu na Rádio Ecclesia de Benguela neste 2018. O convidado dessa edição foi o padre Bonifácio Tchimboto, que é para todos os efeitos uma autoridade em matérias de antropologia, semiótica e linguística, dividindo-se entre a docência e a gestão escolar nas universidades Católica e Jean Piaget. Os anfitriões foram João Guerra Sokópya, Jesus Matende e Arminda Mangandi. Em aproximadamente 58 minutos de áudio, o programa POPYA OTCHILI, em português diga a verdade, discute a questão da tradução, dos neologismos e das interferências,  ao mesmo tempo que polvilha um sem número de adágios numa tertúlia cómica. Há certamente visões com as quais não concordo, mas não deixo de saudar o valioso contributo que o material representa no campo do saber e da pesquisa. Enquanto mentor do blog www.ombembwa.blogspot.com, que assume a causa da língua umbundu, e caso amanhã venha a ter acesso à internet grátis, colocarei à disposição nas plataformas digitais de costume, o YouTube e o soundcloud. Ainda era só isso. Obrigado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

A reportagem do Blog www.ombembwa.blogspot.com fez um assalto na tarde de quinta-feira, 02/08, aos bastidores da mais recente atracção, o programa em língua umbundu “Popya Otchili” (em português, diga a verdade). É emitido em directo às segundas e quintas-feiras, das 15h às 16h, pela Rádio Ecclesia, na frequência dos 99.7 FM. Cobre as cidades do litoral, nomeadamente, Lobito, Catumbela, Benguela, e Baía Farta. À testa da equipa está o carismático João Guerra. O trio inclui ainda o linguista Jesus Matende e a locutora Arminda Mangandi.

O educador social Guerra, também evangelista católico, não é uma pessoa estranha ao ambiente de rádio em Benguela, província que passa a contar com cinco estações. Destas, apenas as estatais Lobito e Benguela, do grupo Rádio Nacional de Angola, incluem na grelha de programas a língua umbundu, apesar de ser a mais falada no país e representar 1/3 da população.
Ouvir o áudio da reportagem em versão de rádio
“Neste momento, porque estamos na fase inicial, o programa consiste em anunciar as notícias, primeiro, da Diocese e, depois, a interacção, com o público; e passando uma vez a outra também passar aquelas as notícias que são do interesse da própria comunidade. Porque queremos criar um programa mas criado mesmo para o público e do povo para nós. Por isso é que temos sempre alguns minutos de interacção com o público”, conta João Guerra Sokópia.

No momento da reportagem, a equipa acabava de ganhar mais meia hora do tempo de emissão a partir da próxima edição.
 
“Exatamente. Nós nessa interacção que temos com o público, qual é a intenção? Criamos, ou buscamos, um problema e o povo é que vai como que julga e busca solução para esse problema. E nós, por fim, se for uma questão que dá para dar uma lição de moral do dia, damos uma lição. Se for o contrário, o próprio público é que dá a lição moral. E fica como uma educação moral. E fica como uma educação social”, disse.

Ao fim de seis edições, o perfil da audiência vai ficando claro. O carinho, este, compensa.

“Surpreendentemente, estamos a receber um retorno positivo porque todos os dias, mais de sete pessoas ligam para o nosso programa, apesar de termos só trinta minutos às vezes para esta interacção. Mas a partir das próximas semana já teremos mais trinta minutos no nosso programa.”

Até aqui, nós podemos depreender que, neste momento que falamos, o alvo é mais a população rural. Temos recebido telefonemas do Lobito, da Baía [Farta], do Tchamume. Por aqui dentro, se calhar a influência também do próprio trabalho [limita]. Muitos estão no serviço. Neste momento, a população é o povo simples”, descreve Guerra.

Salta à vista é a variação regional entre os três animadores. Arminda é do Huambo, Jesus da Huila. Numa sociedade habituada a estabelecer, com algum egocentrismo à mistura, determinadas variantes como sendo a variante padrão, ousamos indagar como se sente João guerra, natural do Caimbambo, e por isso dono de um registo acentuadamente Hanha.

“Alguns acham que falando hanha, falando Mokoio, parece que está desprezado. Mas não, não! Para mim não é isto. Porque o tal umbundu tem estas variantes. O termo variante significa que está a variar.” 

O que é uma riqueza se considerarmos, certo?

“Eu até, nas minhas viagens, subo mesmo até a Kamakupa, não tenho complexo de falar a minha variante. Porque é aquela que me identifica. E eu digo lá logo: eu sou do sítio X e me entendam lá nisso. E assim mesmo aqui na rádio, dou graças a Deus, temos essas variantes. Até já fizemos uma ligação de três províncias. É uma grande riqueza”, conclui.

Jesus Miguel Zatón Matende é o mais novo dos três e estreante também nessa coisa de fazer rádio e garante que é para continuar. Sabe da percepção gerada dos produtos radiofónicos, quando se ouve um programa em umbundu, a de imaginar que está por detrás do microfone uma pessoa já de idade e com pouca escolaridade. Matende conhece bem tal preconceito.

É uma questão apenas de mentalidade. Aqui importa dizer que no mundo das línguas nacionais, eu comecei muito cedo. Desde os 24 anos quando fui para a universidade. Formei-me em línguas africanas pela faculdade de letras da Universidade Agostinho Neto. Em 2014, trabalhei também para a área de línguas nacionais no Gabinete Central do Censo. Fazia parte do grupo que atendia as chamadas aos cidadãos em línguas nacionais. E também, importa aqui salientar que dei aulas de umbundu durante três anos no IFAL [Instituto de Formação da Administração Local]. Isto, tirando as colaborações que eu fazia e sempre tenho feito com o Instituto de Línguas Nacionais. Sempre houve este tipo de espezinhar, dizer ‘mas, jovem?! O que é que se passa? Então enquanto os outros optaram por fazer inglês, pelo francês, e você exactamente umbundu. Porque?’ Já estou habituado com este tipo de questões e para mim não tenho problemas com isto.”

Procuramos saber a sua visão, na dupla condição de locutor e estudioso, a propósito da visível variação regional dos locutores do programa e de que modo lida com os sotaques e dialectos.

De facto é a primeira experiência que eu presencio, em que alguém de uma determinada província se identifica por detrás dos micros com a sua variante, como genuína. É um princípio e acho que deve continuar assim. Se uma estação radiofónica for instalada numa determinada localidade, é importante mesmo fazer valer aquela variante…”

Uma questão de identidade. Porque se pensarmos que todo mundo tem que ser ‘Va Mbalundu’, é complicado. Porque é assim: a língua umbundu é só uma nas suas diversas variantes. Aqui eu acho que é importante que nós pensemos um pouquinho nisso para que cada qual se identifique mesmo de acordo com aquilo que é a sua variante. Por exemplo, já que tocou no mesmo assunto, vive-se a mesma realidade num dos municípios da Huila, chamado Quilengues…”

É natural da Huila?

Sim, sim, sim. Eu sou da Huila. Lá também a realidade é esta em que não reconhecem praticamente aquela variante local, que se chama ‘olucilenge columbali’. Por mim, devia-se falar mesmo aquela variante, mas não. Fala-se uma variante virada para a variante Huambo. Portanto, estamos em renascimento. Aos poucos vamo-nos habituando a outras realidades e este é um exemplo a registar, com o evangelista Guerra”, afiançou Jesus Matende.

Por seu turno, Arminda Teresa Mangandi empresta ao programa Popya Otchili alguma experiência acumulada no programa registo, da Promaica [Promoção da Mulher Angolana na Igreja Católica], emitido durante muitos anos pela Rádio Benguela. Natural Bailundo, província do Huambo, tem uma notável competência linguística em português. Daí que quiséssemos saber o motivo de optar pela locução em Umbundu:

“Eu achei por bem exactamente quando disseram que precisavam de fazer um programa em Umbundu, para fazer chegar um bocadito também mais sobre a importância da língua, não é? Exactamente também para variar um bocadinho. Porque aqui, agora, conforme viu, somos de regiões diferentes. Se bem que todos falamos umbundu, mas depois, ao nos expressarmos, haverá quedas diferentes. Então, entrando ali, eu acho que pode ser uma coisa boa, no meio dos dois colegas”, conta.

Popya Otchili é um programa com apenas seis edições, numa rádio em fase experimental ainda. Quais são os desafios, as dificuldades e que tipo de apoios precisariam?

“O grande desafio nosso é de fazer chegar em todas as áreas, em todas as localidades aonde o nosso sinal venha a chegar, fazer perceber bem a nossa língua nacional e fazer com que o cidadão perceba que precisa [de] reactivar, precisa [de] pôr como uma coisa muita importante esta língua que serve de elo entre as cidades e o campo e noutras áreas. Na verdade temos muitas dificuldades, sabendo que estamos em fase experimental. Ainda não temos muitas condições suficientes para podermos fazer o que devíamos, o que pudesse talvez agradar melhor o cidadão. Todo o apoio para nós é necessário, porque precisamos mesmo”, defende Arminda Teresa Mangandi.

Em exclusivo para os blogs Ombembwa e Angodebates, a reportagem é de Gociante Patissa. Benguela, 02 de Agosto de 2018

segunda-feira, 2 de julho de 2018


UMBUNDU | Lesumwõ lyalwa ndatambula ondaka yolofa vya kamba lyange, haye kula lyange velimi lyocingelesi kwenda votembo twakala vendo lyolo ONG, londuko Raúl Satandi "Ratson". Civala calwa! Twalisula unyamo waco ulo ndeti, ponambi yukwetu Lito, una vakala kumosi vocisoko co APDC (Associação de Promoção do Desenvolvimento Comunitário), kosongo yo São João, vo lupale wo Lupito. Umalehe Ratson okapuyukapo kwalangalo kekumbi lya cakwalata. Ame wove, Gociante Patissa.

PORTUGUÊS | Recebi a triste notícia do falecimento do meu amigo, também colega na paixão pela língua inglesa e antigo colega ao tempo que andamos no sector das ONG, de nome Raúl Satandi "Ratson". Ironicamente, ainda estivemos juntos no princípio deste ano no óbito do companheiro Lito, com quem fundou a APDC (Associação de Promoção do Desenvolvimento Comunitário),no bairro do São João, na cidade do Lobito. O jovem Ratson vai ao descanso eterno na tarde da próxima quarta-feira. Profunda consideração do teu Gociante Patissa.

ENGLISH | Just heard about the death of my friend Raúl Satandi "Ratson", another English passionate guy and former colleague in those lovely years of serving the NGO sector. Ironically, I last met him earlier this year as we attended the funeral cerimony ESAPULO of our comrade Lito, with whom he founded the APDC (Community Development Promotion Association), in the neighborhood of São João, in the city of Lobito. Young Ratson goes to eternal rest next Wednesday. Will always remember you.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

UMBUNDU | Upalume wange okasi lokumemena [ale pilima yange okasi lokumemena?]
PORTUGUÊS | A minha prima está a sorrir
ENGLISH | My cousin is smiling

Afinar só muito para quê?!!! Já atenuamos muito. Essa gente, quando é nome francês ou inglês, até quase vomitam os pulmões só para pronunciar correctamente. Se a língua Umbundu só serve para vender produtos e não merece respeito como língua e substrato cultural de uma grande camada da população, que fiquem só pelo português mesmo, ara xiça óme!!! hahhahha

domingo, 10 de junho de 2018


UMBUNDU: Esanju kowiñi; 
PORTUGUÊS: Alegria no convívio
ENGLISH: Sharing hapiness
(Foto de Francisco Cataca, edição ligeira de sua excelência eu)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

HOKO! -Expressão de admiração;
HAKA! - Expressão de impaciência, exasperação. 
ASSIM SE FALA O BOM UMBUNDU.

(Por Celso Malavoloneke, Facebook)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

UMBUNDU: Ndatambula lesumwõ lyalwa ukulihinso wolofa vya Arsenio Kapula, ulongisi welimi lyo Ingelesi vimbo lyo Katombela, veteke lyetali, omo lyuveyi. Kapula wakala kula lyange kolonepa vitatu: yatete, kelimi lyo Ingelesi; yavali, kupange wokutyasula alitalatu; yasulako, kupange vocitali co Sonamet. Kulimõlã ka pwi.

PORTUGUÊS: Foi com profunda tristeza que tomei conhecimento do passamento físico de Arsenio Kapula, professor de língua inglesa no município da Catumbela, ocorrido hoje, vítima de doença. A vivência de Kapula cruzou com a minha em três vertentes: primeira, a paixão pelo inglês; a segunda, a paixão pela fotografia; a terceira, o emprego no estaleiro da Sonamet, onde fui o trabalhador número Lob020. Até um dia.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

UMB: Handi vasapule ombela kombonge, seti opalaya yanda lovava

POR: Exªs, arguidem a chuva. Tipo que a praia morena foi com água

sexta-feira, 6 de abril de 2018

UMBUNDU: Ñalã Armindo Cambelele, ulongisi kwenda ukwawanji womoko yovalongisi vocimuka co Sinprof, watula omwenyo volupale wo Mbaka etali. Calinga esumwõ, capyãlã vali ene omo okuti ka velele, ciyevala okuti eye mwenle waima ondalu yomwenyo waye.
...............
PORTUGUÊS: O senhor Armindo Cambelele, docente e defensor dos direitos dos professores na Organização sindical Sinprof, faleceu hoje na cidade de Benguela. A tristeza é a dobrar, sobretudo por as notícias indicarem que não foi de causas naturais, ele próprio apagou a chama da sua vida.

O LAR É SEMPRE UM LAR. MESMO QUE ME FALTEM PANOS, PONHO CRIANÇAS ÀS COSTAS. OU SEJA, MESMO QUE ME FALTEM BENS MATERIAIS, TENHO A RIQUEZA DA FAMÍLIA/MATERNIDADE. Como ressaltou o mais velho Celso Malavoloneke: "Minha casa é sempre minha casa. Mesmo sem pano, ponho o filho às costas"; significando: VALORIZA SEMPRE O QUE É TEU!

Amilton Leonardo: "Antropologicamente, está patente a questão da Maternidade. Para nós, africanos no geral, e angolanos em particular, o mais importante no lar é são os filhos; e o garante da dignidade da mulher consubstancia-se no acto de poder procriar."

quinta-feira, 5 de abril de 2018


UMBUNDU: Ulongisi, ocindekase cowiñi Vonjo Yovihandeleko, haye onoño londuko (n)Jaka (n)Jamba walaika okukakendiwa kekumbi lyetali vo Mbala yo feka, vo Luwanda. Eye watula omwenyõ omo lyuveyi wocitulu veteke lya mosi vo sãi yilo ya kupupu, kunyãmõ wulo wa 2018. (Elitalatu lyo Angop)
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PORTUGUÊS: O professor, representante do povo na Casa das Leis, e também cientísta, Jaka Jamba, vai esta tarde a enterrar na capital angolana, Luanda. Faleceu de doença súbita (ataque cardíaco) na noite do dia 1.º de Abril de 2018) (Foto da Angop)

quarta-feira, 21 de março de 2018

sexta-feira, 2 de março de 2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Uma conversa solta com o escritor benguelense Gociante Patissa, que foi o convidado da edição de 17 de Fevereiro de 2018 do programa AIWÉ, SÁBADO na RÁDIO MORENA COMERCIAL, em BENGUELA, ANGOLA, com principal incidência para os desafios à produção literária em Angola e também os factores à volta do ensino das línguas africanas, com destaque para o Umbundu. 
Entrevistadores: CONSTANTINO TCHIVELA e RAQUEL NGUNDJA
Duração: Aprox. 44 minutos


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

O programa ENTRE NÓS, da Rádio Benguela, apresentado por Filomena Maria, convidou na edição do dia 05/02/2018 o escritor benguelense Gociante Patissa para uma abordagem sociocultural em torno do dia 4 de Fevereiro de 1961, data do início da luta armada de libertação Nacional em Angola. A par do aporte cultural fruto da recolha da memória colectiva e da tradiçao oral Umbundu, Gociante Patissa emprestou também à conversa a sua condição de neto de Manuel Patissa, líder religioso do interior do município do Bocoio e antigo combatente que por conta da sua postura subversiva foi preso político de 1961 a 1965 na cadeia de São Nicolau, hoje Bentiaba, província do Namibe

TRILHAS: Sulunlã (Bessa Teixeira) e Monangamba (Rui MIngas)
www.angodebates.blogspot.comwww.ombembwa.blogspot.com

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

"Kalupeteka eye lika profeta yo século 21. Nda vokayike watunda, ondimbu yokuti olwali wayovoka. Nda syo, tukasi kesulilo"

Tem muita piada, muita mesmo, o argumento "refinado" na classe intelectual para defender esse erro administrativo de nos continuarmos a negar a nós mesmos em nome da "união". Em duas ocasiões diferentes, uma num programa radiofónico emitido de Luanda para o país todo, outra noutro programa também radiofónico por Benguela, passou-se a ideia de que "quando escrevemos cota com a letra C [querendo dizer irmão, irmã, pessoa mais velha de nós, e em alguns casos pai/mãe], estamos a usar o português do Brasil e de Portugal. No português de Angola é que é com K." Mas, oh caramba!, não seria mais inteligente explicar como a palavra surge, ao invés de andarmos a branquear as coisas? Os portugueses e os brasileiros têm COTA, sim, com a letra C, que é indicador estatístico (como por exemplo a cota de 30% de representação feminina no parlamento). Agora, quando se trata de grau parentesco - e não há cá esses avanços para trás - estamos em presença da palavra de origem BANTU, que é KOTA. É assim em Kimbundu, é assim em Umbundu, pá! Se ao longo do processo histórico a "cultura superior" dominante foi cega às nossas raízes, cabe-nos, hoje que já somos (ou devíamos ser) soberanos, ensinar aspectos linguísticos na interdisciplinaridade com a história e antropologia. Como se já não bastasse a tendência de pronunciar o R carregado como se andássemos a expulsar uma espinha de peixe entalada na garganta, numa incompreensível vaidade de negar a nossa pronúncia palatina; como se já não bastasse andarmos aos sotaques mecânicos, mesmo quando até nunca botamos o pé na Europa (e não são poucos os casos); vem agora essa coisa de confundir influências regionais com erros de concepção ou normatização ortográfica. Não me venham com essas leviandades de "ah, no português do Brasil e de Portugal é com C, no nosso é que é com K", num subtil aconselhamento do tipo "tanto faz". Quer dizer, quando convém (como acontece com o ku-duro, as misses e o semba) evocamos orgulho ao que é nosso. Já quando tem que ver com aspectos da nossa identidade como africanos, reeditamos a bitola com que durante séculos fomos subjugados. Como dizemos no bom Umbundu, "Wakambi osõi!" (Tenham mais é vergonha!)
Gociante Patissa, 4 Janeiro 2015 | www.angodebates.blogspot.com

domingo, 14 de janeiro de 2018

"Vanãlãnãlã owu wiya, owu ka wiya eteke wukwambata" - adágio Umbundu 
(Se estiveres a pescar, insiste na linha/rede que se deixa puxar, de contrário corres o risco de ser arrastado pelo que se esconde no anzol/rede preso na água)

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Foto: misosoafricapt
Conheci-o durante um "banquete" oferecido pelo Embaixador Americano em Angola, McMullen, no dia 13 de Setembro de 2012 às 18h30, que teve lugar no terraço da sua residência oficial em Luanda, para a qual fui convidado devido ao estatuto de alumini (pessoa que alguma vez beneficiou de bolsa de estudo ou programa de intercâmbio suportado pelo governo dos EUA). Face ao meu "pouco à vontade" congénito em ambientes festivos e de multidão, procurei aproximar-me à mesa do jornalista Lilas Orlov, onde estavam o jornalista Nelson Rosa e o historiador Souindoula. Empenhei-me para arrancar desta figura alguns subsídios, nomeadamente o papel do CICIBA (Centre International des Civilisations Bantu) no quesito harmonização das grafias de línguas africanas de matriz Bantu, assim como a representatividade etnográfica nos museus de Angola, onde visivelmente desponta o emblemático Samanyonga, conhecido como O Pensador, que vem da região Lunda Cokwe. Quanto ao CICIBA foi em certa medida um balde de água fria que não se façam entusiastas capazes de codificar e normatizar. Disse-me mais palavra, menos palavra, que eles (os peritos) também não conseguem chegar ao entendimento. Já sobre as peças museológicas, fiquei a saber que a antiga companhia diamantífera de Angola, isto no período colonial, investiu muito na representação da cultura Lunda Cokwe, estando na base de tal interesse, obviamente, o facto de ser ali que desenvolviam a sua actividade comercial. Entendido de outra forma, não houve um trabalho posterior de levantamento/investigação das demais sensibilidades etno-linguisticas que pudesse ampliar e diversificar o acervo museológico para, só mesmo por exemplo, termos um símbolo kwanyama, Ngangela, Ibinda, em escultura. Depois deste encontro, passei a beneficiar de artigos seus que me chegavam por e-mail, para além de termos colaborado no mesmo jornal, o Cultura. 

De acordo com o portal Rádio Angola, "Simão Souindoula foi representante de Angola no projecto “A rota da escravatura”, lançado em 1994 com o objectivo de abrir o estudo do tráfico de escravos à pluralidade de memórias, de culturas e de representações. Foi ainda defensor da criação de um museu dedicado ao início da luta armada pela libertação de Angola do jugo colonial português, cuja data é celebrada a 4 de Fevereiro. 

Enfim, ainda era só isso. Obrigado | Gociante Patissa | www.ombembwa.blogspot.com

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O Natal dos filhos e netos de Victor Manuel Patissa e Emiliana Chitumba Gociante, bem como de alguns parentes por afinidade, vivido na casa nossa de férias na cidade de Benguela, foi cheio de improvisos e recreação inter-geracional. Cantamos, dançamos, transmitimos valores de cultura e identidade às crianças, saiu um coral de hinos cristãos (sem ensaios), valorizamos a língua Umbundu. VALEU MUITO, QUERIDA FAMÍLIA!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

"Cimboto ka lumana, pwãi layumwe wotikitiyile omwine vomenlã waye" 
(adágio legado pela senhora nossa mãe Emiliana Citumba Gociante. Grafia propositadamente rebelde face desactualizada norma)
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Alguém arrisca? Obrigado | www.ombembwa.blogspot.com

domingo, 17 de dezembro de 2017

Foto: Angop
Exma senhora ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, 

Tomei conhecimento do anúncio feito por vossa excelência quanto à instituição de um prémio para a literatura feita em línguas nacionais em Angola, aquelas que heroicamente resistem há séculos à hegemonia institucional e institucionalizada do "monstro" e pouco dialogante no campo-intercultural de nome língua portuguesa.

É realmente louvável este gesto sob o ponto de vista da sua motivação, que é fomentar a valorização das línguas e com isto a intrínseca virtude da valorização cultural.

Já não estou tão de acordo quanto à estratégia do ponto de partida. Premiar indivíduos não é nem sustentável nem reflexo de um diagnóstico assertivo da problemática das línguas nacionais de matriz bantu e pré bantu.

Há que criar as bases, começando por concluir o estudo encomendado há mais de cinco anos a académicos africanos para a HARMONIZAÇÃO das grafias.

Embora concordemos com a axiologia segundo a qual a escrita de uma língua é algo artificial, se virmos o fenómeno linguístico como processo de aquisição inconsciente e reflexivo, uma vez que o natural da aquisição de uma língua ocorre por meio da imitação e da repetição, também não estaremos a afiançar nenhum dislate se advogarmos que a codificação/normatização é determinante para impor uma língua como factor de aprendizagem sustentado pela cientificidade.

Qual é afinal a posição do Estado angolano relativamente à dualidade ortográfica que nos "divide" entre católicos e convencionalmente bantus, com toda a dispersão que isto representa? Irá o júri optar pela norma do Instituto de Línguas Nacionais ou ficará em cima do muro? Iremos escrever "Kanjala" (pequena fome, que remete para um eventual episódio de estiagem no passado, onde o prefixo "ka" indica ora diminutivo ora depreciação) ou "Canjala" (conforme legado do Ministério da Administração do Território do governo passado, onde o "ca" não tem significado outro que não a contumácia jurídica de um povo que através dos seus representantes se apegou em decretos do regime colonial 40 anos depois de conquistar a independência)? Escreveremos "Kwanza" ou "Cuanza"?

Exma senhora ministra, pode parecer ingratidão, vindo de quem já embolsou da instituição que a senhora dirige um montante de 593 mil kwanzas no ano de 2012, pelo Prémio Provincial de Cultura e Artes, na categoria de investigação em ciências sociais e humanas, pelo contributo que vem prestando na divulgação da língua e Cultura Umbundu, através do conto e das novas tecnologias de informação comunicação. Mas impele-me a consciência patriótica e de estudioso para alertar enquanto é ainda cedo. Mais sustentável será investir na investigação como ponto de partida e não já na premiação de indivíduos.

Criando as bases, teremos frutos a médio e longo prazos.  O ensino das línguas nacionais ganharia alento para sair da letargia. Já premiando indivíduos, teremos presença cíclica e manchetes da imprensa e não muito mais do que isso. É que sem consistência nas bases, o próprio produto cultural premiado não encontrará depois aptidão intelectual na sociedade para a devida descodificação e multiplicação.

Reconheço que a condição social dos artistas é tudo menos confortável e que um prémio é sempre um incentivo ao génio criativo do artista e também à conta bancária. Mas no campo das línguas nacionais, o nosso estágio aconselha ainda arrumar a casa.

Esta é a opinião de quem por outro lado reitera a palavra no sentido de alimentar o sonho da chegada  do dia em que escrever em linguas nacionais não será mais um caminhar numa vereda em que tudo se permite e não há certeza do correcto e do não correcto. Aí, sim, prometo escrever em Umbundu contos originais e recolher da nossa tradição oral, assim como dar aulas na língua de que sou nativo, com ou s
em prémios. Ainda era só isso. Obrigado

Gociante Patissa (escritor e linguista)
Baía Farta, 16 Dezembro 2017 | www.angodebates.blogspot.com | www.ombembwa.blogspot.com

Sexto Sentido TV Zimbo com o escritor Gociante Patissa 2015

Vídeo | Lançamento do livro A Última Ouvinte by Gociante Patissa, 2010

Akombe vatunyula tunde 26-01-2009, twapandula calwa!

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