À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Resultados do concurso de tradução de provérbios do Umbundu para Português

1. Do enquadramento

Foi lançado em nome do Blog Ombembwa Angola um concuro de tradução baseado em aforismos e provérbios da língua Umbundu/recordados na música «Latchimwe» do Trio Semba da Katombela». Esperava-se uma tradução que levasse em conta o enquadramento contextual e não apenas a mera conversão de palavras. O vencedor escolherá entre receber um mosquiteiro tratado, um exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.

2. Do enunciado

2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita / eye wenda kimbo lyavo"
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga"
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja"
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle"
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva"

3. Dos concorrentes

Apenas o amigo Felisberto Ndunduma Sakutchatcha arriscou na tradução, pelo que reclama a legitimidade do troféu. O parecer da organização é que o seu empenho vale pela metade, pois o que se pretende com os provérbios é, fundamentalmente, enquadrá-los no contexto sócio-antropológico. Respondeu ele da seguinte forma: «1. Se a tanto conselho não aceita, educa-lhe no prato (na comida) e voltará para a sua terra de origem; 2. Sou chamado "teimoso" pela minha minha mãe, por mim ser difícil demais de aconselhar; 3. Quem bate a enxada no chão faz lembrar aos camponeses o trabalho de cultivo; 4. Por mais linda que seja a camisa de outrem, ela não te tira da carência de vestuário; 5. Cozinha-se para quem se farta e aconselha-se quem ouve.»

4. Da nossa interpretação

2.1. "U longa, longa, ka tava; wutatamenlã kohita / Wutatamenlã kohita / eye wenda kimbo lyavo" - Se tu aconselhas, aconselhas e ela não muda; então rejeita a comida dela/ Rejeitada a comida, ela abandona o lar e regressa à procedência. (Trata-se de uma das lições transmitidas a partir dos ritos de passagem aos futuros maridos, já que em termos de divisão de tarefas, as refeições são a cargo da esposa e socialmente um indicador para aferir a boa educação, hospitalidade e harmonia no lar. Logo, se o marido não come em casa, é um desprezo passível de separação.)
2.2. "Mãi wanduka lyahuka / omõla ka tava okulonga" - A minha mãe alcunhou-me "Traquinas", o filho que não ouve conselhos. (Em sociedades tradicionais, onde os mecanismos de responsabilização e sanção operam pela via verbal, o conselho dos pais enquanto molde moral têem um valor universalmente enorme.)
2.3. "Waveta etemo posi / waivalwisa olongunja" - Quem bate a enxada no chão reaviva a memória dos camponeses. (Estamos em presença da celebração do gesto, por um lado, e do enaltecimento de uma ferramenta que representa muito na economia rural.)
2.4. "Ombinja yukwene / ndaño oco yafina ndati / ka yukupi epenle" - A camisa de outrem, por mais linda que seja, não te supri da carência. (Quer isto dizer que é preciso conquistar as coisas passo a passo e não cultivar a cobiça, que normalmente é parcial)
2.5. "Vapikaila u okuta / valongaisa una ukuyeva" - Há que confeccionar alimentos para aquele que sabe o que é estar saciado; há que aconselhar quem sabe ouvir. (Aqui parece escusado o enquadramento).

5. Do resultado

Ponderadas as questões numa relação de expectativa-resultado, o prémio é entregue ao único concorrente, Felisberto Ndunduma Sakutchatcha, COMO FORMA DE ESTIMULAR A EXERCITAÇÃO DA NOSSA TRADIÇÃO ORAL. Terá ele dois dias para confirmar o que deseja receber, entre um mosquiteiro, um exemplar do livro ALMAS DE PORCELANA ou uma garrafa de amarula.
Gociante Patissa 

sábado, 25 de junho de 2016

Utilidade pública | Uma porta para a promoção de música de matriz tradicional através da rádio

Leva-se ao conhecimento de possíveis fazedores de música genericamente conhecida como tradicional e que procurem a promoção das mesmas o seguinte: (1) Sua excelência eu colabora (a título voluntário e não remunerado) com um programa do Canal A da Rádio Nacional de Angola, programa este emitido aos sábado a partir das 18 horas, com reposição à madrugada de domingo, de Luanda para todo o país. Há três décadas no ar, este programa da RNA tem como vocação a recolha da tradição oral e etnomusical de Angola; (2) O meu poder do colaborador limita-se a recolher, elaborar uma pequena sinopse, caso o conteúdo esteja numa das línguas que domino, e posteriormente remeter à realização do programa, a quem cabe a decisão final de divulgar (ou não) mediante a sua qualidade. Por exemplo, este mês de Junho promovemos na região sul dois artistas, o Kupeletela (do Bocoio) e Morais Camambala (do Huambo e radicado na África do Sul); (3) Sua excelência eu não cobra rigorosamente nada, nem se devia nunca cobrar, mas também não garante pagamento de direitos de emissão. Em caso de interesse, o e-mail para remeterem as músicas em formato Mp3 é patissagociante@yahoo.com
Ainda era só isso. Obrigado.

domingo, 12 de junho de 2016

Áudio | Para quem não pôde acompanhar, aqui vai o arquivo da edição de 11.06.2016 (primeira parte) do programa Antologia, da RNA, conduzido por António Antunes Fonseca, num exercício permanente de recolha e divulgação da tradição oral e etnomusical angolana. Nesta edição, destaque para KUPELETELA, a voz do município Bocoio, província de Benguela

ALGUNS TRECHOS: "nakalungu/ nakacekele/ cukwavo olya/caye osoleka (...) cananga mo ceci/olongombe vipokola komunu/omunu ka pokola kwisya yaye/ la ina yaye" (o espertalhão é dinâmico, guarda o que é seu para comer o que é do outro (...) o que me deixa perplexo é que o boi obedece ao ser humano, o ser humano desobedece ao pai e à mãe"

Declaração de interesses: faço este convite na minha condição de ouvinte e colaborador do programa. Por outro lado, estou ainda ligado ao músico Kupeletela por laços familiares, ele é primo meu.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

"YILO OFEKA YAKAPUNGU LA NGWALI"

"YILO OFEKA YAKAPUNGU LA NGWALI" (máxima Umbundu dos suspiros da minha mãe) - Este é o país do milho e da perdiz.
Enquadramento: o milho já sabe que é vulnerável à gula da ave e conforma-se com a sua sorte.. A ave sabe que não cultivou o milho e que este não esgota, mas também não abranda a gula e investe em longos vôos. No final, cada um a seu jeito faz a história.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

«OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE»

«OHOMBO YACITA UTEKE, OCIVALO TUTALA LOMENLE» - (adágio Umbundu) - Pariu a cabra de noite, é pela manhã que descortinamos a aparência do filhote.
Enquadramento: geralmente, é um apelo à paciência em caso de dúvida, no sentido de que a verdade vai, mais tarde ou mais cedo, emergir. Usa-se também em casos de negação da paternidade durante a gravidez.

sábado, 21 de maio de 2016

Elisyoswinlõ lya umwe upemunli okuti utwe ka ukasi õn ciwa | De um barbeiro, com surtos de demência, do bairro Santa Cruz, há uns anos

"Omõlã wange ukãi oco ndutekula lika lyange, nda ovela ndilupokako; pwãi eci akatelinsã ño 14 anos, kwiya ale ombulutu yimwe yupundola. Ame oco utwe unokota calwa!"

(Sustento a minha filha sozinho.Quando ela está doente me viro até ela ficar bem! Mas quando completar 14 anos, virão insurretos para a conquistarem. Quando penso nisso fico com a cabeça dorida... Tentei)

Ndokusokolola upongo watate | Recordando um indignado adágio Umbundu com o meu pai


"Powiñi wakuto, nda ka pakavi ava vafinyã, pakava ava vafembula"
(no grupo dos que usufruem aos excessos a fartura, se não se cansam os que peidam, cansam-se os que têm de abanar com a mão o nariz torcido para minimizar o fedor).

quarta-feira, 11 de maio de 2016

(arquivo) TRECHO DE UM HINO EVANGÉLICO NA LÍNGUA UMBUNDU / Onimbu yocisungo cimwe cetavo velimi lyumbundu

«Si ka ivale ko
okuti kilu lyeve ndukombe
ndipita ombamba
ndonelehõ yakala lomenle

kekumbi ka yi ko vali
yowuka lutanyã
mwapita ofela
noke yaloluka»

TENTATIVA DE TRADUÇÃO

Que eu não me esqueça
de que sou hóspede na face da Terra
de efémera passagem
como a flor que sorriu de manhã

De tarde não se viu
com o sol murchou 
o vento bateu 
e ela ruiu.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Ovisungo Vyetu | Cantares do nosso povo

"La umwe ongendela / La umwe ongendela / ndimõla wonganga weh / La umwe ongendela yeleh / citeketeke opitu yasika"

1. Alguém para traduzir e enquadrar o género do personagem dentro do contexto?

PS:Ninguém me procura ou me conquista/ ninguém me procura ou me conquista/sou filha de feiticeiro/todos dias /todas as manhas/o apito toca ou a galinha canta. ass:# vlbs divel

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Novidade para amigos no Brasil | Acaba de sair pela editora PENALUX o livro "ALMAS DE PORCELANA", colectânea de poemaa do escritor angolano GOCIANTE PATISSA

Para os meus amigos, conhecidos e leitores em geral no solo brasileiro, finalmente está nas bancas o livro "Almas de Porcelana", que reúne poesia do escritor angolano Gociante Patissa através dos livros Consulado do Vazio (KAT, Benguela 2008), Guardanapo de Papel (NosSomos; Vila Nova de Cerveira, Portugal 2014), alguns inéditos, bem como textos dispersos em Antologias e revistas publicadas em Portugal, Brasil e Moçambique. Para mais informações, queiram contactar directamente a loja virtual da editora Penalux  Grato pela aposta, carosTonho França e Wilson Gorj

segunda-feira, 18 de abril de 2016

"Lumenye ka tila owisi; upika ka tila upange" (provérbio Umbundu)

"Lumenye ka tila owisi; upika ka tila upange" (provérbio Umbundu) - A barata não teme o fumo; o escravo não teme o trabalho.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Contos da nossa Terra │O preço de um milagre (*)

Depois de receber uma convocatória mais ou menos furiosa para comparecer no dia seguinte à residência do Rei, o aldeão, meio-jovem, meio-homem, era um turbilhão de ideias. Da boca do emissário, de tão telegráfico, podia-se muito bem inventariar a mensagem em quatro palavras: “Henlã kekumbi konjo yaSoma” (amanhã à tarde em casa do Rei). Nada mais acrescentou, nem era preciso. O assunto era grave. O convocado nada disse às pessoas com quem vivia. Tentou dormir. Foi assim que se lembrou da mais sábia das soluções, acreditava ele. Fez-se à residência do mestre sobrenatural. No escuro, manteve-se quieto, sem deixar de garantir estar fora do alcance dos cães, ao mesmo tempo guardas e caçadores, muito amantes de ossos (ele era muito magro).
“Tu por aqui?”, indagou o dono de casa que deu pelo intruso no momento em que ia atrás da árvore para aliviar a bexiga dos líquidos do dia anterior.
“Sim, mestre, nem deixei os galos cantarem. Fui chamado pelo Rei…”
“Queres que eu vá no teu lugar?”
“Não é isso, mestre, quero que me tires as culpas…A fama de bom curandeiro é grande. E se fama tem, solução também… Até porque o mestre também é feiticeiro, ou não é?
“Ó rapaz, cuidado, hã? Pelas tuas palavras tortas, você estragou coisa grande, não é?”
“Engravidei a filha do Rei, papá. Sem apresentação, sem alembamento, ainda por cima, sem profissão, sem herança, sem beleza…”
“Mas força de homem tens. Que mal te podem fazer?”
“O mestre esqueceu que Rei é sempre a Lei?”

A dado momento, a mulher do Rei interrompia para servir chá com batata-doce fervida.

 “Pago duas galinhas, um porco e um cabrito, mestre. Me tira só a chave. Faz Milagre”
“Que chave, rapaz?!”
“A cuspideira. Se quando eu for lá, eu alegar que não engravidei a menina, uma vez que a natureza não me deu o equipamento cuspidor de gravidezes, escapo…”
“E depois, quando a criança nascer e ficar parecida contigo?”
“Aí já passou o tempo, nervo do rei já envelheceu e também já criei condições.”

E lá foi apresentar-se ao Rei. A meio da reunião, que ia muito acalorada, o réu justificou-se inocente, já que não possuía testículos nem um pénis competente… Como se já não bastasse o desmaio, o Rei viu-se ainda obrigado a pedir desculpas ao incapacitado sexual pela alegada humilhação. Tinha resultado o poder do milagre!

Ao aproximar-se da casa do feiticeiro, o incapacitado sexual notou um aglomerado. Óbito. O doente deve ter chegado em fase terminal, pensou. Mas quando já se podiam ouvir com clareza os jograis típicos do choro africano, qual não foi espanto dos enlutados ao ver um desconhecido correr feito louco em direcção ao defunto. O feiticeiro estava inerte, vítima de uma cobra cuspideira a caminho da lavra. 
“Mestre, não faças isso comigo!!! O equipamento? Como fica a minha cuspideira de homem, mestre?!”

Moral: "Cakusanga vuti, linga eti ndimunu; ku kalinge eti ndi nde" (provérbio Umbundu) – Se algo te encontrar na árvore, diz mesmo que és pessoa; não colmeia.

(*) Adaptação feita por Gociante Patissa, Benguela, 29 Fevereiro 2016
www.ombemba.blogspot.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

Desafio Ganda │A convite do amigo Banny di Castro, tive o privilégio de escalar a rocha do Atuki (aprox. 300 metros) para ver a piscina de águas naturais, também conhecida por lagoa do Atuki, situada bem no topo. O caminho é íngreme, exige o dobro dos pulmões, mas vale a pena visitar. É um rico pedaço turístico a clamar por investimento e maior divulgação

 O primeiro passo para se chegar à serra. Haja estaleca
 Adrenalina ao rubro, para quem está de chinelos e se arrisca à picada de serpente
 Pormenor da piscina ou lagoa do Atuki, um importante fenómeno natural, que infelizmente corre o risco de ver o seu ecossistema enfraquecer, uma vez que os banhistas, embora poucos, conspurcam a nascente com lixo de vária ordem
 Uma selfie para a posteridade com o amigo Albano Sapondiya
 A piscina, também conhecida por lagoa do Atuki, faz a delícias dos miúdos e não só 
Na hora de descer da serra, a velhice usa as pernas para impôr um descanso

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Universal Declaration of Human Rights - Umbundu (UKANDA WOLWALI WOMOKO YOMUNU)

UKANDA WOLWALI WOMOKO YOMUNU
Eteke cakala ekwi (10) ko sayi ya cemba kulima wohulukayi ovita eciya akwi akwala l’ecelala, Onjango yatatu yowingi wolofeka vyalikongela yasokiya, V’onjo yonguluvulu yo Chaillot ko Paris, ukanda wolwali womoko yomunu. Eteke lyakwamako lyekwi lamosi (11) osayi ya cemba yulima ohukayi ovita eciya akwi akwala l’ecelala, onjango yowingi yo UNESCO yatyamesa asulilo oku eyo akulihisa ekwatiso lyukanda wowingi wovopange osi esukiyo.

ELOMBOLWILO
Okukolela ukulihiso ekalo lityamela kovimata mata vyepata lyomanu kwenda omoko yasoka kwavosi. Kwenda yesunga yilinga ombembwa yimwe yapana yesunga kwenda yombembwa v’olwali.

Okukolela eci kacakulihiwile kwenda esepwiso lyomoko yomunu, lyatwala kokuponda, okungwalisa olondunge vyowiñgi kwenda ekalu lyolwali lumwe muna vakwamwenyo vakaliyela okuvangula kwenda okulitava, vayovoka kusumba kwenda kusuka , yalombolwiwa ndeyi yavelapo hayo yalelapo vali keswimo liwa lyomunu.
Okukolela okuti cavelapo okweca ulongo kokwamako okulyeca kukamba wolofeka.
Olukolela okuti vukanda owiñgi wofokeka vyalikongela, wasapula onjanja yokaliye etavo lyawo komoko yavelapo yomunu, kekalo kwenda esilivilo lyomwenyo womunu, okulisoka komoko yalume kwenda yakayi kwenda yilombolola utoyi wokweca okwamako kwowingi kwenda okweca ekalo lyaposoka lyomwenyo v’eyovo limwe lyavelapo.
Okukolela okuti olofeka vyalityamela vyatyamela okukwata, okulikwatisako l’elisokiyo lyolofeka vilikwete omunga, esumbilo lyolwali kwenda owingi womoko yulume kwenda ayovo avelapo.
Okukolela okuti omunga yimwe yolomoko evi kwenda ayovo lyavelapo vali kesilivilo kokusumbila etyamêlo eli.
Onjango yowiñgi yalombolola ukanda ovu wolwali womoko yomunu l’esokolwilo lyavosi okulipitilisa kawiñgi osi kwenda olofeka vyosi, oco okuti omanu vosi kwenda okuti avimatamata vyosi vyowiñgi, okukwata ukanda owu olonjanja vyosi vesokolwilo, vakwata ongusu yaco, okupisa kelilongiso kwenda kepindiso, lyokwamisako esumbilo lyolomoko evi kwenda ombembwa, kwenda okukwata okupisa kovikele vyamako vyeci citumila ofeka kwenda colwali, okukulihisa kwenda okucilinga volwali kwenda ava vaci kasi, ndañgo kowiñgi wolofeka vyatyamêlako ndeci kwevi vyolofeka vikasi kovaso yavyo :

OCIHASU CATETE
Omanu vosi vacitiwa valipwa kwenda valisoka kovina vyosikwenda komoko. Ovo vakwete esunga kwenda, kwenda olondunge kwenje ovo vatêla okuliteywila kuvamwe kwenda vakwavo vesokolwilo lyocisola.
OCIHASU CAVALI
Omunu eye omunu citava okukala lolomoko vyosi kwenda ayovo osi aciwa vukanda owu kawupiñganyiwa, ndeci citukwiwa kovivalo vyakova, kulume pamwe ukãyi, k’elimi, ketavo, kocisimilo culoñgo woku vyala ofeka ale esokolwilo lyosi likwavo lyefetikilo lyofeka ale lyowiñgi, lyukwasi, lyucitiwe wekalo limwe lyosi konepa yikwavo kakukala etepiso lalimwe lyupisiwa kesokiyo lyuloñgo wokuvyala ofeka, lyesunga ale lyolwali lyofeka a lyosi okuti omunu watunda, okuti ofeka eyi yiyovoke okuti yityamêla yikwavo ale yikala longave yimwe yokulitumila oyonwêle.
OCIHASU CATATU
Lomwe okakala upika ndañgo oselevende; upika kwenda omwîlu yapika vyatatekiwa kolonjila vyayo vyosi.
OCIHASU CAKWÃLA
Lomwe okapumiwa, ndañgo akangiso ohali yalwa, ungangala uvi.
OCIHASU CATÃLO
Omunu eye omunu okwete omoko yokukuliha kolonepa vyosi vyofeka yahe yesunga.
OCIHASU CEPANDU
Omanu vosi valisoka kocihandeleko. Kwenda vakwete omoko. Kayalitepele yalisoka kokutatiwa kwocihandeko.
Omanu vosi vakwete omoko yokutatiwas yasoka okupisa kokutepisa uvi wosi unyõla ukanda owu kwenda esanumulo lyosi kwenda etepiso.
OCIHASU CEPANDU VALI
Omunu eye omunu okwete omoko yekwato liwa kesunga lyofeka, lyapama litetwiya ovilinga vivi omoko yavelapo eye yokulihiwila kelisokiyo ale kocihandeleko.
OCIHASU CELELÃLA
Lomwe enda vokalyawoso, vokayike ale okutilila kosamwa yofeka.
OCIHASU CECIYA
Omunu eye omunu okwete omoko, kokulisoka, okuti ekalo lyahe lilomboloka kwavosi kwenda kowiñgi, konjo yimwe yesombiso lilikasilili kwenda lyasoka likalombolola, ndañgo komoko yahe kwenda kasiliyo ahe, ndañgo kalundi ahe okosi kelinga lyepiso vosuñgamisa eye.
OCIHASU CEKWI
1.     Omunu walundiliwa elinga limwe lyumunu osokisiwa ndu hayeko toke eci elinga lyahe lilimbukiwa vokwenda kwolopapelo vyekandu, omu alitavo osi ayongwiwa, evindikiyo likasangiwa.
2.     Lomwe okayikiwa kovilinga ale ovovi vonjanja yaco eci akalingiwa, havakasi ndelinga limwe lyumunu okupisa komoko yofeka ale yolwali ndeci calisoka, hakukakala okayike lakamwe kakola aka kakapiwile vosimbu eyi ekandu lyumunu lyalingiwa.
OCIHASU CEKWI LA MOSI
Lomwe okatala ohali yokusakalasiwa lavi komwenyo wahe komwenyo wahe wulika, epata lyahe, onjo yahe kwenda eli tavo lyahe lavakwavo ndeñgo okusetekiwa kekalo lyahe kwenda unu wahe.
OCIHASU CEKWI LAVALI
Lomwe okatalisiwa vali ohali lalundi okufwangwiliwa komwenyo wahe ulikasilili kepata, konjo yahe ale katambululo ahe, ndañgo, ndañgo okunyola ekalo lyahe. Omunu eye omunu okwete omoko yokutatiwa kocihandeleko, okupisa kalundi aco, ale kasetekiwo.
OCIHASU CEKWI LATATU
1.     Omumu eye omunu okwete omoko yokwenda ndeci apanga okunõla oku akala nda vokati ke kalo lyowiñgi.
2.     Omunu eye omunu okwete omoko kokutunda v’ofeka yosi okutyamisako eyi ayongola, kwenda okuñgwâla ofeka yosi.
OCIHASU CEKWI LAKWÃLA
Kokukwamawa, omunu eye omunu okwete omoko yokuvanjiliya okutilila kofeka yikivavo kwenda okukwatisiwa ndukwafeka yiñgi volofeka vikwavo.
OCIHASU CEKWI LATÃLO
1.     Omunu eye omunu okwete omoko yunyitiwe umwe wofeka.
2.     Lomwe olikasilili olundiliwa unyitiwo wahe. Ndañgo omoko yokupongolola unyiliwe.
OCIHASU CEKWI LEPANDU
1.     Okupisa kutunga wokulinga uvala, ulume kwenda ukãyi ndengo ohele layimwe yekova, yukwafeka ale etavo, vakwete ocipango cokulikwêla kwenda okutunga epata.Ovovakwete omokoyimosi osimbu yuvala kwenda kokulitepa kwavo.
2.     Uvala citava okuti va umalusula locipapo kwenda esokolwilo lyasoka lyolokweli vyokovaso.
3.     Epata ocimatamata casoka kwenda cakola cowingi kwenda cikwete omoko yokutatiwa kwowiñgi kwenda kwolombyali.
OCIHASU CEKWI LEPANDU VALI
1.     Omunu eye omunu, ndañgo oco ale kowiñgi, okwete omoko yeci mwêle.
2.     Lomwe ofwangiliwa okuketikiwa kweci cahe.
OCIHASU CEKWI LECELÃLA
Omunu eye omunu okwete omoko yeyovo lyokusokolola, olondunge kwenda etavo.
OCIHASU CEKWI L’ECIYA
Omunu eye omunu okwete omoko yeyovo lyesokolwilo kwenda okuvangula.
OCIHASU CAKWI AVALI
1.     Omunu eye omunu okwete omoko yeyovo lyonjango kwenda omunga yunu.
2.     Lomwe osiliñginyiwa oku upa vomunga yimwe.
OCIHASU CAKWI AVALI LAMOSI
1.     Omunu eye omunu okwete omoko yokukwatisa esongolo lyolondaka vyowiñgi wovofeka yahe, ndokwiñgilamo l’utwe ale v’onêle ndovindekase vyanoliwa.
2.     Omunu eye omunu okwete omoko yokweca, vekalo lokulisoka kovopange owiñgi wovofeka yahe.
3.     Onjongole yawiñgi osi yovihandeleko vyomoko yowiñgi; onjongole eyi yavangwiwile kocela calomboloka cocili, cikwate onepa volotembo kukulisiso wavyosi wasoka, kwenda kocela covutima, ale vali elinga limwe lisungweko lyeciwa kombembwa yocela.
OCIHASU CAKWI AVALI LAVALI
Omunu eye omunu, eci okuti ocimatamata cowingi, okwete omoko yokutatiwa kwowingi, oko kutundilila koku kwata esanju olomoko vyokwasi, vyowingi kwenda ovituwa viyongwiwa kunu wavyo kwenda okwamako kulikasilili kwenkalo lyomunu, ohenda yongusu yofeka kwenda ukamba lolofeka vyolwali, okukwata ocikele celisokiyo kwenda ovokwasi ofeka oyo ofeka.
OCIHASU CAKWI AVALI LATATU
1.     Omunu eye omunu, omoko.yupange, okunõla locipango cahe upange, ekalo lyaposoka kwenda lyesanju lyupange okutatiwa oco hakatundeko.
2.     Vosi vakwete omoko, halokutepisako, ofeto yimosi kupange walisoka.
3.     Wosi olinga upange okwete omoko yofeto yasoka kwenda yesanju, okukwata ndeci epata lyahe ekalo limwe lyunu womumu kwenda yamisako, ndaciyongola vali ovi kwata vyokutata owiñgi.
4.     Omunu eye omunu okwete omoko yokutekula, lavakwavo olosindikatu okutyamêla kolosindikatu vikwavo oco vatetwiye olonjongole vyaso.
OCIHASU CAKWI AVALI LAKWÃLA
Omunu eye omunu okwete omoko yokupuyuka kwenda okupitisa otombo kwenda elyuviko lyasoka lyosimbu yupange kwenda epuyuko lyosimbu yifetiwa.
OCIHASU CAKWI AVALI LATÃLO
1.     Omunu eye omunu okwete omoko yutunga womwenyo umwe wasoka oco akwate uhayele wahe, ekalo lyahe liwa kwenda lyepata lyahe haco lyokulya, okuwala, onjo ovikele vyuhayele, ndeci vo haco kovipange owiñgi aposokela; eye okwete omo yokutatiwa konjila yokukala okuti kakwete upange, kokuvela, eci ekuti kasilivilavali, kumbumba kokukukatoke kolonjila vikwavo vyokumyelisa ovikwata vyahe vyosi vyekwatiso kokwamako lovitangi vyulika wonjongole yahe.
2.     Kokucitiwa kwenda kumõla okwete omoko yekwatiso limwe kwenda ekwatiso limwe lyavelapo. Omãla vosi vacitiwa kavivala ale kosamwa yavo, vakwata etetwiyo limosi lyowiñgi.
OCIHASU CAKWI AVALI L’EPANDU
1.     Omunu eye omunu okwete omoko yelilongiso. Elilongiso likale lyocali, ndeci cikala elilongiso lyokuyukiyako kwenda lyongusu. Elilongiso lyokuyukiyako te okulisiliñginya. Elilongiso lyuloñgo kwenda lyepindiso te lisandwiwa; okweca onjongole yelilongiso lyavelapo liyulwiwe kokulisoka kwavosi kupange wekolelo lyawo.
2.     Elilongiso litave okuyuluka kukulihiso wosi womwenyo kwenda kongusu yocisumbilo komoko yomanu kwenda keyovo lyasoka. Oyo yece elomboloko, ongecelo kwenda ukamba p’okati kolofeka vyosi kwenda awiñgi osi olomepele vyakova ale vakwetavo, eci ndeci okwamako kwovopange olofeka vyalikongela kokukwatisa ombembwa.
3.     Olofeka, kocipango, omoko yokunõla elilongiso lyosi vaca k’omãla vavo.
OCIHASU CAKWI AVALI LEPANDU VALI
1.     Omunu eye omunu okwete omoko yokukwatisa ndeci ayongola komwenyo wovituwa vyowiñgi : okukwata kovoloñgo kwenda okukwatisa kokwamako kuloñgo kwenda ovowa aca.
2.     Omunu eye omunu okwete omoko yokutatiwa kolonfongole vyolondunge kwenda ovikwata vyalingiwa vyupange uloñgo walivulu ale ovipapo ale olomapalo evi okuti ovyo efetikilo.
OCIHASU CAKWI AVALI LECELÃLA
Omunu eye omunu okwete omoko yeci avyala, kesokiyo lyowiñgi kwenda kesokiyo lyolwali, ocihandeleko cimwe ndeci omoko kwenda ombembwa yipopiwa vukanda owu mupita eci calingiwa.
OCIHASU CAKWI AVALI LECIYA
1.     Omunu okwete ovikele kowiñgi esi okuti olikasilili kesokiyo lyokwamako kunu wahe kwenda eci citava.
2.     Vupange womoko yahe kwenda kekalo liwa lyombemwa yahe, omunu eye omunu eye umwe okapiwa kongave eyi alinga kocihandeleko culika oco akwate ukulihiso kwenda ocisumbilo colomoko kwenda eyovo lyovina vikwavo yokusanjwisa alinga awa okuvangula, ucihandeleko cowiñgi kwenda ekalo liwa lyacosi cuvyali wowiñgi.
3.     Olomoko evi kwenda eyovo havikatava, vonjila layimwe, okulinga eci hacoko kasañgamêlo kwenda kafetikilo olofeka vyalitokeka.
OCIHASU CAKWI ATATU

Lalimwe ekalo lyukande owu litava okuti lilombolwiwa, okuti likatangisa uvyali, elyongolwilo limwe ale omunu umwe, omoko yimwe yañgo yokutyamêla kupange umwe ale okutelisa elinga limwe lyokunyõla olomoko kwenda eyovo, vyatumiwa ndeti 
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Kavali ketu | Só tu e eu | Just you and me

(do arquivo) Oratura: A LENDA DO SOBERANO NDUMBA (relato em Umbundu e Português)

UMBUNDU | asapulo vetu: ULANDU WA SOMA NDUMBA

“Otembo yaviluka/ Soma Ndumba vowambatisa ewe;/ otala tala oloneke okuviluka”, olondaka evi onepa yocisungo cimwe cutunda syahunlu, ndo kukalela umwe soma londuko ya Ndumba, omo lyo kusilula kotembo ofeka yetu yakala peka lya cikolonya kaputu. Mbi kulima wa 1920, ko lonungaimbo volonyitiwe vyelimi lyumbundu.

Eci soma Ndumba a kala, pana okuti okanyunla ovaimbo vamwe, wasyatele ño okulala ovokombe, enda po ño kamwe. Ndaño pamwe okuti upãla wa 40 km, olala mwele lutãlo ovokombe. Omo lya nye? Wakala hen ocilema? Si citenla oku citambulula, ava vasapula ulandu owu ndeti vo ka vacitenla. Nda hacoko, mekonda lyo losanji votelekaila ndokulinga ongende, ndomo casesamenla okutambulula asongwi (lo pokwenda, lo pokutyuka). Olosanji kavitendiwa vyapita komesa yaye (ucilete ale okuti osoma ka yendainda ulika).

Haimolumwe, konepa yolosanji, ka tukaveli ño calwa soma Ndumba, omo okuti lolosipayu vo vitelekelwa olosanji nda vyukulalele. Ku vana vacitiwa votembo okuti oNgola yayovoka ale, ka calelukile oku tava ndomo osimbu omanu vetu vainda lokutuminliwa. Ko kwange, o sipayu ha “policia” ko, omo okuti cakala ongusu yimwe yava katekãvã, vatumilinwa la cikolonya, oco vatalise ohali vamwenle yimbo. Kucindele ka vapitinla.

Okutyukila ku soma Ndumba, usoma waye vasumbilwe calwa, ndomo casesamenla asongwi vutundasonde. Otembo yaco yina, omwenyo uwa wovikolonya utekwiwa lotokwa yavakatekãvã, kupange wakahandangalala pwãi ofeto yititotito. Polé, cenda asapulo, okukala kwovindele vyotembo yina munlo kwafetikilile pukamba, nda ño ha wocili ko, lasongwi.

Eteke limwe, umwe osipayu votuma ondaka yokuti soma Ndumba akatute ovawe. “Ame situminliwã lomanu ndituminlã”, sekulu wakumbulula. Una usongwi wo Positu, eci ayeva etambululo lya soma, watuma oco vokwate. Soma Ndumba eci akeya, cindele wapitulula eci a tuminle. Soma ka popele calwa, wapinga elisensa, okwiya wainda oku atumiwã. Nda ndopo ndipopya ale eci ceya okwiya ko veteke olyo ndoto, pwãi, linga handi ndipule: nda umbanda oko uli, nda owo osapi yusoma, oco pwãi Ndumba yo ka lohele handi cikolonya wolavisa ndoto?

Papita ño alivala vatito, somba Ndumba otumbuluka lewe, tulingi tuti okawe, mbi ndo nuku yoñaña. Cikolonya utwe wotokota. Soma Ndumba, lelyanjo lyovokulu wosilula hati: “Siti wa ndituma ewe? Eci walipapata, limwina? Hewe ko?”. Eci cindele otambulula ka tuci vali, tusima tuti wasokolola okulweya kwaye, omo okuti ka tukwile nda ewe wayongwile linene, ale litito. Ewe ewe.

Ulandu wakawiwa la Gociante Patissa, ko songo yo Bela-Vista, vo Lupito, 26/11/ 2011
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PORTUGUÊS | Oratura: A LENDA DO SOBERANO NDUMBA

“Otembo yaviluka, Soma Ndumba vowambatisa ewe; otalatala oloneke okuviluka”, em português, “mudaram-se os tempos, até o Soberano Ndumba foi forçado a carregar pedra; está a ver o tempo andar para trás". É essa a essência da canção que satiriza a lendária figura do soberano Ndumba, uma lenda de resistência africana durante a colonização portuguesa, no princípio do século vinte. Para ser mais preciso, como se isso lá fosse possível em lendas, reportámo-nos à década de 1920, na região centro e sul, da “nação Ovimbundu”.

Nas longas caminhadas, Ndumba revelava um inusitado sentido de exigência. Imagine-se, como contam, que num perímetro de pelo menos 40 quilómetros pernoitava umas cinco vezes. Mas para quê? Seria coxo? A isso não sei responder, nem o sabem as fontes. Podia ser apenas pelas mordomias que exigia aos anfitriões em cada aldeia (na ida e no caminho de volta). Perdia-se a conta das galinhas que chegavam à sua mesa (porque, como não devia deixar de ser, caminhava acompanhado).

Bom, mas sobre galinhas, não apertemos tanto o soberano, quando até os sipaios a tal regalia tinham direito, sem ser do seu orçamento, em qualquer aldeia onde tivessem de pernoitar em serviço. As gerações nascidas na Angola independente têm sempre dificuldades em imaginar certas coisas, se interpretarmos o termo como imagem em acção. Concebo sipaio como milícia, já que era um “exército” rudimentar, formado pela autoridade colonial, mas cujo poder se cingia sobre as comunidades indígenas. Ou seja, eram um instrumento de repressão de colonizados contra os seus semelhantes.

Continuando, soma Ndumba fora sempre respeitado no contexto da realeza costumeira. Como se sabe, e não podia ser de outro modo provavelmente, o trabalho forçado e mal remunerado foi a base da prosperidade das sociedades coloniais. Mas, ainda assim, as elites tradicionais foram sempre, aparentemente, salvaguardadas.

Num belo dia, certo sipaio foi incumbido de mandar o soma Ndumba carregar pedras. “Ame situminliwã lomanu ndituminlã” (eu não recebo ordens de meus inferiores), teria retorquido. O chefe de posto, uma vez recebido o recado, mandou o sipaio capturar o soma Ndumba e reforçou a ordem. Chateado, Ndumba pediu licença e saiu. Já digo daqui a pouco o que veio a seguir, mas permitam-me, antes, uma indagação: se o feitiço existe, se é indispensável para o poder dos sobas, por que razão não usou o seu contra o colono?

Horas depois, Ndumba regressou com uma pedrinha, digamos que inferior ao punho de um bebé. Chateado, o chefe pôs-se a barafustar. Calmo, soma Ndumba replicou: “O senhor não pediu pedra? Apalpando o que lhe dei, sente-se que é mole? Não é mesmo uma pedra por natureza?”. A lenda não diz a reacção do chefe, mas é provável que se tenha dado conta do erro da imprecisão: não dissera de que tamanho era a pedra que precisava.
 
Recolhido por Gociante Patissa, bairro da Bela-Vista, Lobito, 26 Novembro 2011

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016