À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Onepa yocisungo covonembele- refrão de uma canção evangélica

UMBUNDU: «Kekumbi/ kekumbi/ tukatuka kekumbi/ eci ekumbi litunda/ oco tukapitinlã.»

[ké-kú: mbi / ké-kú: mbi / tu-ka-tu:ka ké-kú: mbi / e-t∫i eku-mbi li-tu-nda/ ot∫o tu-ka-pi-tin-lã]

minha tradução para PORTUGUÊS: Ao sol/ ao sol/ quando se puser o sol partimos/ é ao nascer do sol que chegamos.”

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Na voz de antigo ministro da educação| AINDA A DISSONÂNCIA DA NOVA GRAFIA DOS TOPÓNIMOS

O País: "Antes escrevia-se Kwanza-Sul e a gora exigem que seja cuanza sul. Têm mais razão os que escrevem com K ou com C?"

Dario de Melo: "Os que escrevem com K são capazes de ter mais razão. O K era um sinal de rompimento com a realidade portuguesa, como istória sem H, é um sinal de rompimento com a estrutura gráfica portuguesa. Portanto, suponho que nem um nem outro têm razão. Ainda que me custe um pouco, porque p Kuduro é que tem razão. O kuduro é com K."

in jornal O País. Luanda, 17.10.14

sábado, 18 de outubro de 2014

O bolo da licenciatura da manucha Arminda Gociante Patissa que de Kanjala passou a «Canjala», por imposição da estúpida e casmurra compatriota em serviço na Identificação quando teve de renovar do BI no ano passado

Kanjala [kanja:la]- pequena fome
Canjala [Tanja:la]- relacionado à fome; propriedade da fome.

Ou seja, o nome de cada localidade conta uma história. Graças ao novo registo do MAT que visa ressuscitar a corruptela colonial, acabar-se-á com o que haveria de memória colectiva na toponímia. Está aberto o precedente: investigar para quê, se vale a força da auto-negação? Shame on you, ó Terra minha!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

UTUNGA WEKAYA (A idade do tabaco)

- UMBUNDU
"A mãi, eci handi, okusipa, nda capwa. Eci okuka."

"So, eci ndotava, ndisipa ale."
-----------
- TRADUÇÃO
"Ó mãe, é já altura de deixares de fumar. Estás a caminhar para a velhice."
"O teu pai, quando o aceitei, já eu fumava."

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Oco, oco, o kwenje! (Assim, sim, rapaz!)

Na sua canção intitulada «Okucita Kuvala» (que na língua Umbundu equivale a não é fácil ser mãe), Auxílio Morais, que ficou em segundo lugar da classificação na gala final do 'Benguela, Gentes e Músicas' (27/09), retratou a mulher, no seu papel de mãe batalhadora e de poucas posses, que faz da sua tenacidade no campo, no negócio precário, enfim, o sustento da sociedade, combinando a força de vontade e a fé cristã. Para dar ênfase à actuação, AM recorreu à indumentária típica da personagem a descrever, exibindo mesmo uma bíblia em palco, um exemplo da transversalidade do teatro nas artes. E mais, AM é um exemplo de que não basta cantar em línguas nacionais, mas há que fazê-lo bem, com algum sentido de pesquisa, profundidade e correcção. Assim, sim, rapaz!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Nota solta

“É sabido que as línguas africanas, as línguas Bantu, sempre foram ágrafas, ou seja, não tinham representação escrita, mas mesmo assim, houve sempre a figura do professor, a formação informal no onjango” (de um convidado ao programa Janela Berta, TPA, há pouquinho)

O lugar do que é nosso na representação cultural

«UKONGO», que em Umbundu significa o caçador, é uma dança do folclore do grupo étnico Ovimbundu, que visa, por um lado, enaltecer a figura do valente ser que alimenta a comunidade arriscando a sua vida e, por outro, evocar aos deuses para mais êxito e paz dos espíritos. Esteve muito bem representado o conceito enquanto dança, mensagem e ritmo pelo candidato Martinho Kangala que trouxe uma compilação de adágios e aforismos na canção «Olila» (em Umbundu, está a chorar) ao concurso 'Benguela, Gentes de Músicas', da Rádio Benguela, que teve lugar a 27 de Setembro no Cine Kalunga.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

(Do arquivo) crónica |UM ENCONTRO CASUAL AO ALMOÇO

Foto: Webshots
No Lobito, contam-se aos dedos os restaurantes que sobreviveram à segunda república. O calar das armas e a transição para a abertura do mercado abalaram economias e hábitos de consumo. De sorte que, quando a paz não mais precisar da guerra para se auto-definir, os humanos ter-se-ão transcendido a si próprios, digo eu.
As cidades são árvores que mantêm a essência enterrada, enquanto galhos, folhas e frutos vão e vêm. O centro do Lobito resume-se a duas ruas, a de entrada e a de saída, entre o bairro da Caponte e a Zona Comercial. Só depois da Colina da Saudade se cruzam para o Compão, a sul, à procura do bom pescado da Kabaia, ou para a ponta da Restinga, a norte, onde a cidade se liberta na língua da praia, em geral para tirar proveito da escuridão que o lugar regala aos casais.
O Gunga-Bar (cujo nome provém do Umbundu "ongunga", sino) fica na rua de saída, resistindo a quaisquer infortúnios, sendo um deles, o mais pesaroso, a morte do proprietário por acidente rodoviário, há coisa de três anos. Guardo na memória a cena da moça que tiramos do sono, às duas da manhã, em finais da década de 90 do século vinte, para nos servir bebidas, numa breve fuga aos preços da discoteca ali perto. O restaurante prestava-se ao desafio de servir vinte e quatro horas por dia, muitas vezes à luz de poucas velas entre uma falha e outra da energia geral, não dispondo de uma simples fonte alternativa.
Tem rosto moderno mediano, o que só pode ter contribuído para maior fluxo de clientes. É um restaurante pequeno e fechado, rendido a essas irreverências ocidentais de igualdade entre classes, onde o cliente chega, como qualquer outro, serve a variedade que der, põe o bolso a falar com a balança e ocupa a mesa. Só depois vem o garçon para o que se quer beber.
Estava lá eu a almoçar em tempos. Às tantas, entra um vigoroso septuagenário com duas raparigas, que tanto davam para meretrizes como para netas suas com défice de decência no trajo apenas. Ocupam uma mesa ao fundo, num canto entristecido pelos vidros fumados, onde poisam objectos irrelevantes como sinal de demarcação territorial. Luwawa é um farfalhoso intelectual Bantu, devolvido pela trama da história à sua cidade natal. Bons filhos à casa sempre tornam, os não tão bons também, há quem também o diga, e até mais previsivelmente, diga-se.
Há histórias de vida que revelam fatalidade, quando a personalidade não se dissocia da etimologia do nome atribuído pelos progenitores ou o adoptado do xará. Luwawa, por falar nisso, é uma espécie vegetal odiada pelo seu fedor, o que, entretanto, não justifica que os Ovimbundu torcessem, à partida, o nariz a toda uma espécie humana com tal nome.
Velho Luwawa, de sorrisos largos como o casaco e a gravata, é um acontecimento em pessoa, um poço sem fundo que ninguém quer ter contra si. Talvez fosse por isso que, em se tratando de self-service, foi-lhe dada, e por arrasto às muchachas, uma deferência incomum: serviu, pagou e deixou os três pratos no balcão da balança, para serem pelo pessoal de serviço levados à sua mesa.
Bem, agora vou andando, que conheço ateus, conheço cristãos. Para ambos, é sagrada a hora da refeição.

Gociante Patissa, Aeroporto 17 de Setembro, Benguela, 2 Agosto 2012

Kunene... morfologicamente especulando

Se fosse na língua Umbundu, o topónimo Kunene (de origem Bantu) seria a aglutinação do prefixo "Ku", que tem o papel de locativo (no, na), com o adjectivo "unene", que significa grande. Assim, arriscaria em dizer que a palavra Kunene (ku+unene) tem o significado de "na parte grande; na grandeza", o que não sabemos ao certo se homenageia o território ou a bravura da sua gente. De qualquer modo, os falantes de Oshikwanyama têm a palavra. Até lá, uma coisa é certa: Cunene, com C de cu, não significa mesmo nada! Um abraço do vosso Gociante Patissa, Benguela 03.10.14

quarta-feira, 1 de outubro de 2014