À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 31 de março de 2013

"Fele viso… oco mbanje vomenlã wove nda mulehã"


"Fele viso… oco mbanje vomenlã wove nda mulehã." (Expressão Umbundu) – sopra-me no olho… para que eu saiba o teu hálito. 
Explicação: No dia a dia, quando um corpo estranho nos entra no olho, é comum pedirmos a quem estiver perto que sopre para remover o que nos incomoda, e neste caso é inevitável sentir-lhe o hálito. Do ponto de vista metafórico, aplica-se a expressão para designar situações de pessoas que fazem o papel de “agentes provocadores”, digo aquele que inicia conversas para “pescar” o pensar de outrem com fins inconfessos.

sábado, 30 de março de 2013

"Ca minle haico loku loluka"

"Ca minle haico loku loluka." (adágio Umbundu) - O que amadurece está propenso a cair. Ou seja, o que é bom dura pouco.

sábado, 23 de março de 2013

"Ci landa ongombe ci tunda ponjo."

"Ci landa ongombe ci tunda ponjo." - Os recursos com que se compram o boi vêm de casa; A educação e maldade partem de casa/lar (máxima Umbundu).

segunda-feira, 18 de março de 2013

Oratura: Breve nota sobre o sentido etimológico da bebida “ocisangwa” (ensaio de Gociante Patissa no Jornal Cultura, edição Nº 26, de 18 a 31 de Março de 2013)


A “ocisangwa” (mais conhecida pelas corruptelas “quissangua” e “kisangua”) é uma bebida típica em Angola, feita à base de ingredientes simples e naturais. Não creio haver uma forma consensual que sirva de receita, tendo em conta até a nossa peculiar diversidade étnica. Ainda assim, podemos resumir a sua classificação em dois galhos: (a) a fermentada e alcoólica, (b) a azeda ou não, mas não alcoólica. Mas para não dispersar o foco, concentremo-nos à realidade dos Ovimbundu.

No dicionário electrónico http://www.dicionarioweb.com.br/quiss%C3%A2ngua.html, encontramos uma remissão ao autor Serpa Pinto (1846-1900), I, 147, que, pecando apenas pela visão redutora da geografia étnica dos ovimbundu, não deixa de apresentar ao mundo a bebida. Para aquele expedidor e entidade da autoridade colonial portuguesa, “quissangua é uma bebida refrigerante, usada pelos Bihenos, e feita de uma decocção da raiz do imbúndi, addicionando-se fuba fervida”.

O propósito destas linhas é partilhar o resultado de uma recente recolha pela nossa tradição oral, quanto ao significado antropológico de “ocisangwa” (a azeda ou não, mas não alcoólica), aquele líquido da importância da água, sempre presente e acessível a todas as idades. Às vezes basta uma boa dose de “ocisangwa” para se passar o dia todo na lavoura.

O modo de preparo é pela fervura, similar ao de “ekela lyo sema” (papa de milho), com uma mistura de fuba e rolão, que fará o papel de “ovitami”, (minúsculas porções trituráveis de milho para engrossar o líquido, que fazem com que se esteja constantemente a agitar o copo para se evitar o desperdício de os abandonar no fundo deste). Há quem use o arroz como “ovitami”, substantivo que julgamos advir de “okutamenla”, que em Umbundu significa engrossar.

Para adoçar o líquido, os povos usavam raízes, havendo também quem lhe acrescente troncos de “onyoñolo” para caprichar no aroma. Tais práticas, como é de imaginar, são ainda usuais no meio rural, dada a riqueza da flora angolana e o vasto conhecimento sobre sua multidisciplinar aplicação na medicina alternativa. Mas é ao açúcar que mais se recorre de modo geral. Quanto à sua conservação e até transporte, recorre-se à “ombenje” (cabaça), substituída por utensílios mais modernos conforme o meio.

Aliás, voltemos ao universo cibernético para aferir a dimensão cosmopolita da “ocisangwa”. O site português www.sabores.sapo.pt/receita/quissangua-de-fuba, por exemplo, providencia uma receita para quem quer recordar ou conhecer novos sabores. E quanto aos ingredientes, 200 gramas de fuba de milho, três a quatro litros de água, 250 gramas de Açúcar e Fermento q.b. Sendo lógico que nada é estático, impõe-se entretanto realçar que, do ponto de vista da essência, a levedação ocorre de maneira natural e não por fermento industrial. E enquanto pesquisadores, é-nos difícil comentar sobre o resultado do produto por via dessa receita, a qual não provamos (ainda).

A “ocisangwa” é dos bens de presença obrigatória na “ongandala”, a trouxa tradicional que se leva nos rituais de “oku tambela” e/ou “oku lomba” (conhecidos como “consentir” e “alambamento” ou “alembamento”). Então porquê? E é daqui que parte a vontade de partilharmos. Segundo nossas idóneas fontes, o líquido é de elevado valor no que à hospitalidade diz respeito. O termo “ocisangwa” vem de “oku sangiwa”, que também se diz em muitas variantes do Umbundu “oku sangwa. Ou seja, “ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa”, é algo encontrado, símbolo pelo qual o anfitrião se revela hospitaleiro, claro está, tendo na mulher a garantia da sua existência.

Essa é a nossa, mas aguardamos com agrado pela versão que você tiver.

 Gociante Patissa, Benguela

segunda-feira, 11 de março de 2013

SOBRE O PAPEL DO PROVÉRBIO (*)


Os primeiros tempos das nossas gerações, o Povo Angolano dentro de cada Etnia conservou como identificaram como tal assim que, entre muitos usos e costumes destacaram-se os Adágios ou Provérbios os quais eles usavam durante o tempo em que resolviam algumas questões ou mesmo sentenças, onde aplicavam como analise e fecho das mesmas para educa-la. Usavam outros para divertimento durante os serões dentro da própria Comunidade, portanto, três espécies de Provérbios:

1. Provérbios de remate, esclarecimento e analise na solução de alguns assuntos.
2. Provérbios, máximas ou adivinhas que se aplicavam como divertimento durante os seroes.
3. Provérbios ou contos cantados em que colocavam os animais e aves a falarem como pessoas mas que no fim encerravam uma moralidade ou mesmo um conselho.

domingo, 10 de março de 2013

"Cipepa cipwa, civala cilimba."

"Cipepa cipwa, civala cilimba." (máxima Umbundu) – não há bem que perdure nem mal que sempre dure.

Literalmente: o saboroso acaba, o doloroso fica esquecido

sábado, 9 de março de 2013

Na senda da investigação sobre "Recados Implícitos na Atribuição de Nomes a Animais entre os Ovimbundu"

Na senda da investigação sobre "Recados Implícitos na Atribuição de Nomes a Animais entre os Ovimbundu" a que o link faz referência, recolhi recentemente mais um dado com base na tradição oral. No interior de Benguela, aí por volta dos anos 1940-60, um velho da minha família deu ao seu cão o nome de "Twakwame" (forma simples de dizer "Tuvakwame", o imperativo querendo dizer "sigámo-los"). Não consigo dizer com peso de certeza o que se passava, mas o contexto sugere a existência de algo novo, uma tendência de movimentos, que podiam ser os de luta anti-coloniais. Porque o provérbio de base é: "Twakwame oco tutale ovituwa vyavo" (vamos segui-los para conhecer seus hábitos).

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Apontamentos: Recados implícitos na atribuição de nomes a animais entre os Ovimbundu


Gociante Patissa, Benguela (ensaio publicado via Jornal Cultura, edição como ilustra a foto)

Parte o presente exercício de dois relatos de um casal que revelava semelhanças num gesto das respectivas mães, os quais, vistos além da coincidência, fornecem matéria antropológica. Trataremos a mãe do marido por Njali-A e a da esposa por Njali-B, correspondendo “onjali” ou “njali” a pai/mãe, tutor/a. O que as separam são uma década e cerca de 600 km. Njali-A vivia em Kutenda, município da Tchicomba, na Huila, e o gesto deu-se na década de 1970. Por sua vez, njali-B vivia no Monte-Belo, município do Bocoio, em Benguela, e sua acção deu-se na década de 1980.

Njali-A e njali-B têm em comum o papel de “ndona yukulu” ou “ukãi watete”,esposa mais-velha ou primeira mulher, traduzindo literalmente. É o estatuto social dado às primeiras esposas, em contextos de poligamia, onde, independentemente da idade, das demais “sepakãi” (rivais) a sociedade espera uma postura de “irmãs mais-novas”. 

Os Ovimbundu são o grupo etnolinguístico de origem Bantu que predomina no centro e sul de Angola, em seis das 18 províncias: Kwanza-Sul, Benguela e Namibe (costa), Bié, Huambo e Huila (planalto centro e sul). Representam 1/3 da população, num país com 16 milhões de habitantes, e cerca de oito grupos de matriz Bantu, sem esquecer os Khoisan, pré Bantu, e ainda os de ascendência ocidental.

Para Fernandes & Ntondo (2002), citados em Martinho Kavaya (2006: 54), formam o grupo etnolinguístico, Ovimbundu, os va Viye, Mbalundu, Sele, Sumbi, Mbwei, Vatchisandji, Lumbu, Vandombe, Vahanya, Vanganda, Vatchiyaka, Wambu, Sambu, Kakonda, Tchicuma, e este grupo corresponde ao maior étnolinguístico angolano (acima de 4.500.000 pessoas) e comunica-se na língua Umbundu.

Chama atenção, entretanto, a proximidade estatística entre o trabalho de Fernandes & Tondo e o do estudioso António Correia (2012), como podemos verificar num trecho do seu Blogue: “Distinguem-se pelo menos 18 grupos Ovimbundu diferentes: Mbailundu, Vyié, Wambu, Ngalangui, Quibulos, Ndulu, Quinolos, Kalukembes, Sambu, Kakonda, Quitatos, Sele, Ambuis, Hanhas, Gandas, Chikuma, Ndombe, Lumbu. É o maior grupo etnolinguístico angolano (cerca de 4.970.000 pessoas)”.

Até que sejam conhecidos os resultados do Censo Populacional em curso, uma iniciativa governamental que visa contornar o facto de os dados oficiais datarem de há quatro décadas, toda a estatística neste sentido está sujeita ao benefício da dúvida. Entretanto, estamos confortáveis em acrescentar que nem sempre o número de falantes é indicador de etnia, um fenómeno que podemos atribuir a dois factores: (a) a motricidade das comunidades de trabalhadores do CFB (Caminho de Ferro de Benguela), do Lobito (Benguela, litoral centro) ao Luau (Moxico, extremo leste e de predominância Lunda Cokwe); (b) o êxodo para as cidades e/ou zonas mais seguras durante as três décadas de guerra civil, onde poderá contar o facto de a UNITA (rebelião armada) ter imposto o Umbundu como símbolo de afirmação patriótica nas zonas sob seu domínio.

As principais decisões do lar entre os Ovimbundu, à semelhança de vários outros grupos de Origem Bantu, reservam-se ao marido. Uma dessas é referente à atribuição do nome ao recém-nascido, como aliás o realça Avelino Sayango (1997: 8): “É o pai, e não a mãe, que tem a prioridade na escolha de um membro da sua família para ser o sando (chará) do primeiro bebé, quer se trate dum menino ou duma menina”.

Este exemplo é apenas uma amostra daquilo que são os aspectos decorrentes da atribuição de papéis com base no género em culturas de pendor “machista”, onde a participação da mulher na tomada de decisões é (aparentemente) nula, pois este ser secundário tem subtilezas para vincar posição. Falaríamos por exemplo da influência que as mulheres vêm tendo sobre as mais temidas figuras e tramas da humanidade.

No contexto das comunidades rurais que abordamos, a maioria das mulheres dedicava-se ao cultivo e lida doméstica, salvo poucas excepções para confirmar a regra. Eram, então, as que tinham formação elementar para o professorado ou enfermagem. O mesmo se aplica aos homens, no cultivo e na caça, excepto uns poucos na função pública, com ofício, ou então para-militares. Njali-A era esposa de motorista hospitalar e Njali-B de funcionário administrativo. Seus maridos eram de concentrar as várias esposas num mesmo espaço, chamemos-lhe de quintal, e com isso uma convivência intensa entre as “irmãs” rivais. Até aos dias de hoje, há quem o pratique nos centros urbanos, o que é culturalmente normal, mas nem por isso fácil de gerir.

Njali-A adoptou um cão, a quem atribuiu o nome de “Notole”. Njali-B intitulou o seu cão “Cohinla”. A palavra é ícone, o que seria pleonasmo referir, já que é sobre o adágio que assentam os nomes dos Bantu. Segundo Francisco Xavier Yambo (2003: 23), o ocimbundu acredita na interacção e correlação de forças entre todos os seres viventes. Outro grupo de nomes, o mais variado, vai das circunstâncias palpáveis em que a criança nasce à preocupação de perpetuar a memória deste ou daquele ente-querido.

Ora, tirando proveito deste paradigma, e na aparente banalidade do direito de dar nome a um animal doméstico, Njali-A e Njali-B vincam posições: Notole, ndikasi vesaila; nate ciwa, ndikasi lo kimbo lyetu” (choca-me bem, sou pinto dentro do ovo; trata-me bem, que faço falta à terra de onde venho).Cohinlãmange calwa” (é muito o que se esconde no silêncio de mulher madura). E assim apresentam, não só um protesto passivo-agressivo aos maridos, mas também uma denúncia à comunidade sobre o que lhes intriga da poligamia, durante o ciclo de vida do cão, qual sino diário.

Numa perspectiva inversa, e reportando-nos ainda à comuna do Monte-Belo, vem outro exemplo: “Kanjila-Komange” foi a alcunha que certo homem chamou para si.Kanjila komange kakwete lapa katekula, lapa kasumbiwa”(por mais insignificante que possa parecer, o passarinho-mãe tem um ninho a sustentar e exercer autoridade).

Podemos concluir que não andará muito longe da verdade a hipótese de que a atribuição de nomes proverbiais a animais como forma de protesto é prática antiga entre os Ovimbundu e provavelmente de outros povos Bantu, dada a semelhança entre Njali-A e Njali-B, que vivem em épocas e lugares distantes. Não nos parece, por outro lado, que seja ao acaso também que um homem adoptou a alcunha para reclamar respeito.

Obras Citadas

Correia, A. (2012, Abril 25). O PENSAR ANTROPOLÓGICO ANGOLANO.Blogue de António Correia , pp. http://jornalistacorreia.blogspot.com/2012/04/o-pensar-antropologico-angolano.html.
Kavaya, M. (2006). EDUCAÇÃO, CULTURA E CULTURA DO ‘AMÉM’: Diálogos do Ondjango com Freire em Ganda / Benguela / ANGOLA. Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título Mestre em Educação (p. 54). Rio Sul, Brasil: Pelotas.
Sayango, A. (1997). O MEU PAI (Vol. 1). Luanda, Angola, Angola: Barquinho – Livraria Evangélica.
Yambo, X. F. (2003). PEQUENO DICIONÁRIO ANTROPONÍMICO UMBUNDU. Luanda, Angola: Editorial Nzila.

"Epute lyukwene ka lyu kuvala"

"Epute lyukwene ka lyu kuvala" (máxima Umbundu) - A ferida do outro não te causa dor (física).

Quase equivalente a: pimenta no olho alheio é refresco

Ocilongwa kUmbundu: "Ca kuta epata, ocilala ci sule."

Adágio Umbundu: o entendimento familiar é mais sólido que uma fortaleza; numa outra interpretação, os segredos familiares são bastante complexos.

quinta-feira, 7 de março de 2013

UMBUNDU: Ndo kuvangula cesilivilo lyo ocisangwa ko kukala kutundasyãhunlu wo wiñi wovimbundu (PORTUGUÊS: Breve nota sobre o sentido etimológico da bebida Ocisangwa na cultura Ovimbundu)

Ombenje/cabaça (foto de autor desconhecido)

Ocisangwa (vamwe vacitukula vati “quissangua” e “kisangua”), casyata okunyuiwa mulo von Ngola, cipongiyiwa lo huta yaleluka kwenda yatanda ko kovaimbo vosi. Tusima tuti ka kuli onjila yimosi lika yoku pongiya, nda twa vanjiliya awiñi lawiñi vo lo nyitiwe. Haimo lumwe, ha citangi ko nda tulinga tuti kuli ovisangwa vivali: (a) cina cakwaya kwenda cikolwisa, (b) la cina cakwaya ale syo, pwãi ka cikolwisa. Oco ka tukainde olonjila vya sanjavala, tupopya ño eci ca syata kwapata ovimbundu.

Ocimãho cokutaya cilo oku yevalisa vimwe twamãla okuyeva, kweci catyamenla kelomboloko lyo cinsangwa (cina cakwaya ale syo, pwãi kacikolwisa) kutundasyãhunlu, casumbiwa ndovava, cina okuti kakuli omõla ale ukulu kacisole. Olonjanja vyalwa, u waliveta ocisangwa olaña mwenle lo kulima kepya, ke yevi onjala.

Ocisangwa cipongiyiwa loku felula, ndeci ño ke kela. O sema yitengiwa lo loseke, vikalinga noke ovitami (vikoka okuti tê lo kuvenja, venjamo vombya ale vo neka, oco ka vikalinyolehenle). Kuli vo vana va panga ovitami lo lwoso. Onduko yovitami, tusima tuti yatundilila ko kutamenla.

Oco ocisangwa cisonse, osimbu omanu vainda lo kukapa, kapa ko ombundi, vamwe lavo vo vakapa ko onyoñolo oco cikwate okalemba kamwe kaposoka. Ovituwa vyaco, ndomo caleluka oku citala, haiko vili kovaimbo, omo lyuhwasi wukasi vusitu, kwenda handi mekonda lyukulihinso wapyãla kweci catyamenlã kuhayele lovihemba vyumbundu. Pwãi osuka oyo vali yasyata oku kapiwa kocisangwa. Kweci ca tyamenlã kovikwata vyokusoleka ale okwambata, tukwete ombenje, pwãi volupale omunu osoleka leci akwete.

Ocisangwa laco vo ka citava oku kamba pongandala, pepunda pana pakapiwa ovikwata vyociholo co kutambela ale oku lomba (ko putu vati “consentir”, “alambamento”, ale handi “alembamento”). Mekonda lya nye? Pepulilo eli opo tusanga osapi yondaka. Ndeci twayeva kwakulu vendamba, ocisangwa cikwete esilivilo linene konepa yokutambula akombe. Onduko yocisangwa yitundilila “ko kusangiwa”, ale “oku sangwa”. Tulinga tuti ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa, ocidenkaise cekalo liwa ku yu wasangiwa. Njali yukãi eye ukwacikele coku cipongiya loku cava, ka citava cikamba.

Eli olyo esapulo twatenlã ko, pwãi nda okwete lyakwavo, tulilavoka lesanju.

Gociante Patissa, Benguela, 26/10/2011.................................................................................. 

PORTUGUÊS: Breve nota sobre o sentido etimológico da bebida Ocisangwa na cultura Ovimbundu

A “ocisangwa” (mais conhecida pelas corruptelas “quissangua” e “kisangua”) é uma bebida típica em Angola, feita à base de ingredientes simples e naturais. Não creio haver uma forma consensual que sirva de receita, tendo em conta até a nossa peculiar diversidade étnica. Ainda assim, podemos resumir a sua classificação em dois galhos: (a) a fermentada e alcoólica, (b) a azeda ou não, mas não alcoólica. Mas para não dispersar o foco, concentremo-nos à realidade dos Ovimbundu.

O propósito destas linhas é partilhar o resultado de uma recente recolha, quanto ao significado antropológico de “ocisangwa” (a azeda ou não, mas não alcoólica), aquele líquido da importância da água, sempre presente e acessível a todas as idades. Às vezes basta uma boa dose de “ocisangwa” para se passar o dia todo na lavoura.

O modo de preparo é pela fervura, similar ao de “ekela lyo sema” (papa de milho), com uma mistura de fuba e rolão, que fará o papel de “ovitami”, (minúsculas porções trituráveis de milho para engrossar o líquido, que fazem com que se esteja constantemente a agitar o copo para se evitar o desperdício de os abandonar no fundo deste). Há quem use o arroz como “ovitami”, substantivo que julgamos advir de “okutamenla”, que em Umbundu significa engrossar.

Para adoçar o líquido, os povos antigos usavam raízes, havendo também quem lhe acrescente troncos de “onyoñolo” para caprichar no aroma. Tais práticas, como é de imaginar, são ainda usuais no meio rural, dada a riqueza da flora angolana e o vasto conhecimento sobre sua multidisciplinar aplicação na medicina alternativa. Mas é ao açúcar que mais se recorre de modo geral. Quanto à sua conservação e até transporte, recorre-se à “ombenje” (cabaça), substituída por utensílios mais modernos conforme o meio.

A “ocisangwa” é dos bens de presença obrigatória na “ongandala”, a trouxa tradicional que se leva nos rituais de “oku tambela” e/ou “oku lomba” (conhecidos como “consentir” e “alambamento” ou “alembamento”). Então porquê? E é daqui que parte a vontade de partilharmos. Segundo nossas idóneas fontes, o líquido é de elevado valor no que à hospitalidade diz respeito. O termo “ocisangwa” vem de “oku sangiwa”, que também se diz em muitas variantes do Umbundu “oku sangwa. Ou seja, “ocina co ku sangiwa ale cimwe cisangwa”, é algo encontrado, símbolo pelo qual o anfitrião se revela hospitaleiro, claro está, tendo na mulher a garantia da sua existência.

Essa é a nossa, mas aguardamos com agrado pela versão que você tiver.

 Gociante Patissa, Benguela, 26/10/2011

terça-feira, 5 de março de 2013

Ndomo ca vangula Zila Calei

A lingua nacional Umbundu assemelha-se ao Ingles e outras linguas estrangeiras quanto a traducao.
Ex: Onjala yimbala.
Traducao: Tenho fome.
Traducao literal: Fome esta a me doer.
Dai, a algumas pessoas do centro e sul do Pais por influencia da lingua materna traduzirem literalmente algumas frases e ouvimos coisas que as vezes nao fazem sentido, ou ate mesmo falarem mal o Portugues.