À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 27 de abril de 2014

Oratura: ONDUKO YOLONGONJO YAFETIKA NDATI? - Qual é a origem da toponímia Longonjo?

Há uma localidade chamada Longonjo, na província do Huambo. Segundo uma fonte oral entrevistada recentemente pela Televisão Pública de Angola, o nome vem de "olongonjo", que é o plural de "ongonjo", utensílio que se resume em desbastar o tronco seco de uma árvore até ter uma cavidade. O uso daquele instrumento está directamente associado à era da escravatura ou a do trabalho forçado na Angola colonial, uma vez que se caracterizava pelo seu transporte ao ombro, o que representava um peso enorme (o do instrumento e o do material para obras de construção, podendo ser sólido ou líquido). Há inclusivamente uma canção de revolta na língua Umbundu, a qual destaca: "kombya, kongonjo, konungi yovava; ndicambata ndati? (Dão-me a panela, o ongonjo e o reservatório de água; como querem que leve tudo isso de uma vez?) Hoje, o "ongonjo" é usado para outros fins, geralmente feito bandeja para a comida de animais domésticos (porcos e outros) em criações de baixa renda. Resumindo, devia haver um tipo de obra que deu a impressão de uso excessivo de "olongonjo", pelo que a região ficou conhecida como "pimbo lyolongonjo" (aldeia dos "olongonjo"). A fotografia foi captada em 2010 na fazenda de uma pessoa amiga no município do Caimbambo, província de Benguela.

Gociante Patissa, Benguela, 27 Abril 2013

terça-feira, 22 de abril de 2014

"OCINIMBU WATETA KONYOHÃ OCO COVE" (adágio Umbundu)

"OCINIMBU WATETA KONYOHÃ OCO COVE" (adágio Umbundu) - o pedaço que cortares da cobra é que é teu. Enquadramento: sendo a cobra o bicho perigoso que é, devemos dar-nos por satisfeitos, por muito pequeno que seja o pedaço que lhe conseguirmos arrancar. Em rara oportunidade, todo o pouco serve.

A PROPÓSITO DO CURSO DE FOTOGRAFIA QUE TERMINOU HOJE, MAIS CEDO DO QUE PREVISTO... como se diz em inglês, "too good, to last" (bom demais, para durar). Ainda assim, prefiro o Umbundu da questão.

Divagações: SOBRE O ADVÉRBIO DE LUGAR NO PORTUGUÊS “DE CÁ”

Cruzei há dias, no mundo digital, com uma questão aparentemente simples, se vista nos termos normativos da língua portuguesa: qual é a diferença entre “Onde” e “Aonde”?

Conjecturando que a intenção era corrigir e apontar caminho, resolver-se-ia reafirmando que “onde” é usado para indicar lugar estático, ao passo que“aonde” enuncia movimento em relação a um local (para onde). Logo, dir-se-ia, pela bitola simplista muito mediatizada entre nós, que os angolanos usam errada e frequentemente o “aonde”. Mas porquê? Sendo infinito o inventário de causas, partilho a tese de que, em contexto bilingue, os erros, muito mais do que as coincidências tidas como correctas, nos podem abrir as portas à compreensão da coabitação do português com as outras línguas nacionais de matriz africana, na lógica de que os idiomas veiculam culturas.

É certo que a confusão entre “onde” e “aonde” não tem propriamente uma nacionalidade, o que não nos impede de analisar pequenos contextos e circunstâncias. Quanto à construção frásica, na minha língua materna, Umbundu, no mais das vezes, o complemento circunstancial de lugar fica no fim. “Ove okasi pi?” (estás onde?) Ora, temos aqui um som pouco musical, talvez por isso mesmo tenha sido "ajeitado" pela linguagem popular como em “wenda pi?” (vais aonde?). Julgo morar aqui a origem do uso indiferenciado do “onde” e “aonde” na linguagem informal. Como hipótese, podíamos dizer que se trata de uma interferência que se passa de geração em geração.

Um abraço de Gociante Patissa, Benguela, 22 Abril 2014-04-22

quinta-feira, 17 de abril de 2014

"Osanji yomeke yipayela evi vilya" (adágio Umbundu)

"Osanji yomeke yipayela evi vilya" (adágio Umbundu) - Galinha cega debica para as que vêm.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

"Nda ndufeko, si kwela osivili; osivili otamba yomulingi. Haka!"

Entre 1988-90, na comuna da Equimina, município da Baía Farta, uma das canções de militares (para sua auto - motivação), na língua Umbundu, dizia: "Nda ndufeko, si kwela osivili; osivili otamba yomulingi. Haka!"

TRADUÇÃO
Se eu fosse moça, não me casaria com um homem civil; o civil é comparado à uma tampa de moringue. Oh!"

ENQUADRAMENTO
A imagem que me ocorre também não é concreta. Será por ser algo de pouco valor a tampa de moringue? Seria porque a tampa de moringue é algo que se perde facilmente e quiçá difícil de preservar (do tip, é um companheiro susceptivel a rusgas mais tarde ou mais cedo)? Ou seria por se ver que a maioria dos moringues cumprem o seu papel sem se ressentir da ausência de tampa? Para terminar, já agora, os moringues do teu bairro, no que te lembres, tinham tampas? Hahaha

quarta-feira, 2 de abril de 2014

ORATURA: "Pungunda wukwanjeke, opo pekuto lyukwavipepe" (adágio Umbundu muito cantado nos hinos cristãos da igreja da minha família)

"Pungunda wukwanjeke, opo pekuto lyukwavipepe" (adágio Umbundu muito cantado nos hinos cristãos da igreja da minha família) - na queda (trambolhão?) de quem levava o saco, é onde se sacia o faminto.

Enquadramento: se algum abastado que leva um saco de produto alimentar (farinha, por exemplo) cai e o conteúdo se espalha no chão, aquele que enfrenta a penúria aproveita. Ou seja, na dialéctica da vida, a desgraça de uns pode representar oportunidade de outros. Bom dia