À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Trecho de música do grupo instrumental adventista Maranata (oriundo do Huambo)

UMBUNDU:
"Kuli evihõ limwe lyañilã volonembele / a manjange tê okulomba / okuti ohwasi / ndaño oco yalweya / lomwe oyipopisa / masi ohukwim / nda oyo yalweya/ aco yitumãlã posi. / wasumuluhã yu ekandu lyaye lyayevala / voluka ati kahonga / wasumuluhã yu ekandu lyaye lyayevala / voluka ati ocilyangu / olinga usumba yu olinga upange/ masi kahonga/ olinga usumba yu olinga upange/ masi ocilyangu"

PORTUGUÊS (tentativa de tradução minha)
"Há um mal que invadiu as igrejas / há que orar, ó meu irmão / é que o rico / por mais que viole mandamentos/ ninguém lhe diz nada / mas se quem viola for pobre / é logo suspenso / Bem-aventurado aquele cujo pecado for revelado / ainda que o rotulem de promíscuo/ Bem-aventurado é aquele cujo pecado for revelado/ ainda que o rotulem de bruxo / perigoso é quem faz o trabalho da igreja mas é promíscuo/ perigoso é quem faz o trabalho da igreja mas é bruxo".


Gociante Patissa, 31.08.15

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Edna Mateia anuncia para breve lançamento do seu primeiro disco

Foi com enorme ovação que o público reagiu à novidade na noite de sábado (21/08), durante um desfile de moda na cidade do Huambo, testemunhado pelo Blog Angodebates. Edna Mateia animou a noite com dois temas promocionais, o “para ti, mulher”, cantado na língua portuguesa, e "kafeko" (que significa mocinha na língua Umbundu)

Por seu lado, o mestre de cerimónia, Otenásio Matias, como quem tem acesso privilegiado aos bastidores, sublinhou que o disco de estreia da Edna está para breve, muito breve, sem no entanto adiantar datas nem títulos.

Vencedora do Festival de Música Popular “Variante 2014”, concurso anual realizado pelo Ministério da Cultura, Edna Mateia é uma cantora residente na cidade do Huambo, província com o mesmo nome, onde é já uma referência obrigatória desde que em 2005 venceu o concurso provincial de "Melhor voz feminina" da região do planalto central. No seu repertório bilingue predominam os estilos semba, kilapanga e kizomba.

Na sua passagem pelo programa Janela Aberta, da Televisão Pública de Angola, emitido de Luanda a 15 de Janeiro de 2015, a jovem cantora disse: "Eu costumo dizer os cantores de outras províncias, porque, às vezes, parece que só geograficamente é que somos 18 províncias, mas não. É preciso lembrar que culturalmente também somos 18 províncias. Então, por vezes corremos o risco de termos vários anos de carreira e, quando chegamos a Luanda, sermos considerados ainda "novos talentos"

Edna Mateia despontou no coral infantil da Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA) do Bailundo, município situado a norte da capital provincial do Huambo, aproximadamente 75 quilómetros.

Gociante Patissa, Huambo, 23/08/15

www.ombembwa.blogspot.com
www.angodebates.blogspot.com

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Desfazendo dúvidas | "Pakulamento" é corruptela do verbo "ko pakola/pakula" na língua Lingala


O verbo vem do tão simples Lingala - língua falada na RDC. Forçar a coisa é passar por parvos, mais do que os usuários dos mesmos produtos. Como bom falante da Língua - no caso Lingala - irei pôr aqui os pontos nos iis.

Primeiro: A origem etimológica dessa expressão vem dos bairros que aos inícios dos anos 90 vinham populando Luanda. Bairros como Mabor, Petrangol e Palanca(o reino). Verdade seja dita, muitos dos falantes de Lingala eram angolanos regressados depois do aparente calar das armas e o período das eleições de 92.



Tornando a nós, o verbo em Lingala é Ko Pakola/Pakula (com base na origem do falante, que venha este de Kinshasa ou de outras províncias diferentes da capital) que significar PINTAR, detergir - ou um forçoso ungir. Exemplo: pode-se dizer "Ko Pakola ndaku" que está a significar "Pintar a casa"; "Ko pakola mafuta" que significa "Ungir-se de Oléo"/"Deterger-se de creme".

Este verbo tem um diminutivo que o leva, ao invés do correcto Ko Pakola, a ser simplesmente "Pakola". Onde vimos gente dizer: "Pakola/Pakula Mafuta" querendo dizer "Deterge-te de creme".

Com o passar do tempo o verbo tomou o significado comum com a qual nos debatemos hoje, isto è, "Clarear-se a Pele". Então ao longo dos anos vimos uma flota de gerações de mamãs - ditas Soeur ya Pùa - e jovens fazerem o uso da mesma.

Segundo: O sabão MEKAKO|| Este último tem um nome que superou muitos níveis de marketing com que estamos habituados. Com um nome convidativo que estaria ao nosso: "Experimenta Sò!" ou "Experimenta p'ra ver!" ou "Prova só!" ou "E' só provar!" e por ultimo "Prova aì!"(ok, confesso este é brasileiro. Eles colocam o "aí" em todo lado). Tornando a nós. O MEKAKO era praticamente um desafio para quem duvidava. Você duvida? Experimenta para ver! Esta é o significado e a origem.


Só para dar mais uma informação inútil, mas que talvez ajudará em qualquer modo. O MEKAKO - actualmente - é uma marca Italiana. É produzida pela AquimpexSPA na cidade de Monza, vizinho a famosa província de Milão.
Tornemos, portanto, ao nosso problema.

Ocorre sublinhar aqui, por último, que quem pretende dizer - com um grau forçoso digno de um alpinista ou trepador de espelhos- que a origem da palavra é Ovimbundu talvez queira entrar na prática fácil de atacar estes últimos e atribuir-lhes a origem de todos "os nossos males".

No entanto, do que sabemos, Pakular foi simplesmente o modo como os detractores da prática chamavam a coisa. De um lado, por falta de um termo próprio para traduzir a mesma e por outro lado por mera ignorância.

E mais, Mekako vém do verbo KO MEKA que significa Experimentar, provar e tentar. MEKA significa Experimenta. Que com o sufixo KO(este com diversos significados que nos negamos de dar) o torna MEKA KO - sim, separado - e que por razòes de Marketing achou-se bem unir.

Diário | A propósito de "pakulamento", um enquadramento etimológico algo forçado

Chegou ao meu conhecimento que determinado compatriota nosso, em Luanda, ofereceu aos seus leitores uma origem etimológica de "pakulamento", termo usado para descrever a prática deliberada de clarear a pele, a "mulatização" para muitos, que volta à baila na sequência da adesão e publicitação que está a ganhar entre artistas (intelectuamente ocos e na sua maioria do piorio que o nosso mercado musical viu nascer), mas também entre líderes religiosos e políticos. Segundo a "notificação", o citado compatriota (de cuja competência/desempenho na língua Umbundu em princípio não fazemos ideia) defende que o calão "pakulamento" vem do Umbundu, do verbo "okupakula", que no seu dicionário mental significa "clarear". É possível que seja mas... até onde vai o nosso conhecimento, o verbo "okupakula", também ele polissémico e com presença na bíblia, tem dois sentidos, sendo um deles pestanejar e o outro delatar/trair. A sua aplicação mais universal tem que ver com a parábola de Judas que traiu Jesus, que em Umbundu é "Yuda wapakula Yesu". Eu, que por acaso tenho andando pelas mais recôditas aldeolas da então "nação ovimbundu" (Benguela, Huambo, Bié), não vi tais práticas de clarear a pele, o que implicaria a relevância de os falantes do Umbundu arranjarem um termo para tal. Já pela fronteira com os Congos é que se nota frequente o uso do que é vulgarmente conhecido como "mekako", cujo significado desconheço. Por exemplo, para quem passou a infância a assistir aos treinos da Académica do Lobito e com isso conviver com os atletas de futebol, os que "se pintavam" eram "langas" (termo depreciativo para os da RDC). A não ser que no tempo de Judas e Jesus já houvesse necessidade de clarear a pele para "cantar melhor", parece-nos a nós que uma afirmação no sentido de "okupakula" ser significado de "clarear", só pode ser um enquadramento etimológico algo forçado. No mínimo, a estabelecer uma analogia, esta seria no sentido moral, onde clarear a pele para adoptar padrões estéticos de beleza (biologicamente impossíveis) representa trair a origem e a identidade de que se é parte, tese que aliás é a base da repulsa do grande povo. Resumindo, até provas em contrário, os ovimbundu não usam o verbo "okupakula" para o "pakulamento", ou se calhar até usam, mas só no Facebook mesmo.
Gociante Patissa, Katombela 20.08.15

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Resultado do concurso relâmpago de tradução

1. ENUNCIADO: 
"Eci tweya palo, ko 1951, twalisanjele. Tunde ño eci vofeka mwakeya ovoyaki, ovina vyalinga ndayu vyalitamapo kamwe. Una la yuna ño apa alava ati 'ocange; camaikulu', eye inakulu yaco ka wi". (De um ancião numa aldeia rural distante onde passamos este fim-de-semana em excursão familiar)

2. O PRÉMIO ANUNCIADO: 
As três melhores tentativas serão recompensadas com um dos livros de Gociante Patissa, sendo que o primeiro ainda pode escolher entre ficar com o livro ou com o chapéu com a marca do músico Nelo de Carvalho. Vamos a isso?

3. A TRADUÇÃO QUE ME OCORREU NO MOMENTO EM QUE OUVI A FONTE: 
Quando cá chegamos, em 1951, vivíamos pacificamente. Mas desde que surgiram as guerras no país, as coisas tornaram-se mais ou menos confusas. Qualquer um ocupa o que quiser e diz 'é meu; é do meu avô, e ele nem sequer sabe quem é o tal avô dele.

4. AVALIANDO AS PROPOSTAS DE TRADUÇÃO

1.º LUGAR Manuel Cameia Sequesseque «Quando cá chegamos em 1951, estávamos deveras a vontade. Só quando chegou a guerra guerra fratricida no país, que as coisas ficaram algo embaraçadas. Qualquer uma pessoa, onde ocupa, diz logo que é seu 'ou da sua avô' porém nem se quer conhece a mesma avô.»

2.º LUGAR David Calivala «Quando cá chegamos, no ano de 1951, estávamos mais a vontade. Até que chegaram os confrontos no país, as coisas começaram a ficar meio sem ordem: este e aquele lá onde se instalassem diziam logo que esta terra é de nossa pertença por herança, e mesmo sem saberem o nome de quem "heradavam" tais propriedades.»

3.º LUGAR Victorino Luciano Balundo Sikunda Divel «Quando cà chegamos,isto em 1951,estavamos a vontade. Mas a partir do momento em q o pais entra em conflito armado, a situaçäo ficou um pouco complicado, isto devido a ocupaçäo inlegal de terreno e dizendo q o terreno lhes pretence, sem saberem quem é o aciäo da Zona ((o mais velho ou o fundador da zona).»


5. PRÉMIOS E CONDIÇÕES

a) O primeiro classificado tem o direito de escolher se fica com o chapéu com a marca do músico Nelo de Carvalho ou um dos seguintes títulos deGociante Patissa: "Não Tem Pernas o Tempo", "A Última Ouvinte" ou "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas".

b) O segundo classificado pode escolher se fica com "A Última Ouvinte" ou "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas", ou então acumular mais um "O APITO QUE NÃO SE OUVIU", também de Gociante Patissa, a ser lançado no final deste ano, conforme sua (Calivala) preferência na edição anterior, sendo que a dívida ser-lhe-ía saldada logo que o contigente chegasse do Brasil, onde é feita a impressão.

c) O terceiro classificado pode escolher entre A Última Ouvinte" ou "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas".

d) Quanto aos do prémio de participação, receberão um exemplar cada do livro "Fátussengóla, O Homem do Rádio Que Espalhava Dúvidas".

Para quaisquer reclamações, a porta está aberta. Ovilamo vyange!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os 40 anos do sector da cultura em debate | Fragmentos da intervenção de Ungulani Ba Ka Khosa, escritor moçambicano

“Em termos de grelha de partida, como país, partimos mal. Partimos muito mal, para um país novo, na utopia da unicidade, assumidamente como princípio director da revolução moçambicana, isso de «vamos matar a tribo para fazer nascer a nação». Ora, isso, num país com a diversidade cultural como a nossa, representou um etnocídio. Penso que mais tarde é que o próprio partido [no poder, FRELIMO] se deu conta do erro grande com essa utopia da unicidade e considerou reverter o quadro, valorizando a identidade dos vários grupos que temos.”
(…)
“Em termos de identidade, ainda não vivemos uma cidadania plena. Isto porquê, meus senhores? Porque durante estes 40 anos, vivemos como país um discurso político. E um país que nasce politicamente precisa de se reencontrar culturalmente. Um país faz-se de vários discursos.”
(…)
“Durante estes 40 anos, fomos criando cidadãos de primeira, de segunda, de terceira classe. Não chegamos à realização da cidadania plena. Ainda não tivemos a coragem de nos olharmos ao espelho e cada um ouvir a sua voz interior.”

(Fragmentos da intervenção do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Kshosa. Apontamentos de telespectador do programa «Debate da Nação», emitido pela STV Noticias, na noite de 03.08.15)

NOTA DO BLOG OMBEMBWA:

Enquanto por cá insistimos em que «a colonização em Angola foi diferente de qualquer outra colonização», como ouvi há dias de uma importantíssima figura da nossa história cultural – como que a legitimar o perpetuar de determinados padrões herdados da assimilação (ainda reinantes, da língua à toponímia, por exemplo), já outros povos, também colonizados por Portugal, discutem, questionam e assumem questões que lhes intrínsecas. Mas dada a nossa natureza «especial», é ponto de partida e chegada a ideia de que o Português não é uma língua alheia em Angola, o que de facto não é, assim como o seu papel de língua de união não devia negligenciar a necessidade de se investir no estudo, classificação e normatização de outras de matriz Bantu e pré-Bantu. O sonho de nação, mais do que apoiar-se na língua, moeda e autoridade comuns, era suposto implicar essencialmente o conhecimento e a valorização do “outro” que conforma o mosaico dentro do mesmo espaço. Isso far-se-ia com políticas concretas para visibilizar e estudar hábitos e costumes (não necessariamente em pequenos documentários televisivos ou em efemérides) e a transmissão de geração em geração, assegurando bases antropológicas, sociológicas, enfim. Oficialmente dizemos que tem sido assim, só que disso não passamos. Tenho dito que a luta contra o tribalismo (que deve continuar, claro está) criou efeitos colaterais nefastos, sendo um deles a quebra da ponte do diálogo intercultural entre a cidade e o campo. Urge debater a Nação! Gociante Patissa,03.08.15

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Crónica | Justino Handanga, um polícia que canta com o povo

Esteve recentemente no Lobito para ser homenageado pela sua trajectória, desta vez por iniciativa de uma entidade privada local vocacionada na promoção de eventos, tributo que se junta deste modo a tantos outros, entre os quais ressalta o Prémio Nacional de Cultura e Artes, que o distinguiu em 2003. É de Justino Handanga que falamos.

Cantor e compositor, despontou em 2013 enquanto integrante do projecto «Vozes do Planalto», cuja divulgação rápida fica a dever-se à pirataria, face ao problema conjuntural da distribuição. Ao lado de Bessa Teixeira, Viñi-Viñi, Katchiungo, Sabino Henda, Jacinto Tchipa, para só citar estes, Handanga afirma-se por uma linha estética que combina a originalidade com um forte sentido de observação e o carisma, tocando a sensibilidade de milhões de falantes da sua língua materna, o Umbundu, e não só. «A minha música é nacional; não sou músico do norte nem do sul», defende Handanga, citado pela Voz da América. As músicas passam mensagens de amor, moral, civismo e resgate dos valores culturais, destaca por outro lado a Angop. É já quase uma lenda.

Povoa no anedotário da província do Huambo uma cena que, se não for verdade, também não está longe de fazer sentido. Conta-se que determinado comandante policial, não se sabe se por birra ou por mera casualidade, teria colocado o agente Handanga em policiamento na via pública a pé, que vulgarmente se diz «polícia do giro». E até dá para imaginar o filme: uniforme a rigor, cassetete à mão, pistola na cintura. Só que a cada metro, vinha um fã envolvê-lo num efusivo abraço. É só por ser o primeiro dia; amanhã já a emoção do público passa, terá pensado já ao conforto do travesseiro.

Na manhã seguinte, a formatura e o «giro». Os abraços suplantam o dia anterior, como se alguém avisasse os fãs do itinerário do agente. Uma euforia daquelas, não faltando quem lhe pedisse para cantar esta ou aquela música. Faz-se tarde. O homem reporta ao superior a «incontinência» em que se tornou a tarefa que, de assegurar a ordem pública, passou a ser a de distribuir abraços aos admiradores. A solução teria vindo meses mais tarde só com a substituição do comandante. E por pouco não perdíamos o homem, asfixiado nos abraços dos seus admiradores, passe algum exagero da nossa parte.  

Mesmo quando o instrumental nos soa algo idêntico ao de um qualquer tema já explorado dele, o que me parece frequente nos temas mais recentes, Justino Handanga supera-se a si próprio na forma como capta a vivência da sua gente, a qual sabe como muito poucos retratar de uma maneira tão instigadora à reflexão social e busca de soluções em prol das camadas desfavorecidas, sem perder de vista a missão de recolector da tradição oral Umbundu. E consegue-o com a mestria do contraste, pois é em ritmo dançante do género «sungura» que a mensagem de intervenção social perpassa até atingir a sensibilidade de cada um, seja decisor, seja pacato observador.

Nascido em Janeiro de 1969 na comuna do Luvemba, do município do Bailundo, na província do Huambo, Justino Handanga iniciou a cantar em 1980 no «pió-pió», programa de actividades extra-escolares da Rádio Nacional de Angola. É autor dos álbuns «Ocipango Catelinsiwa-Alvo Atingido» (2005) e «Homenagem a Valentim Amões» (2011). Quanto ao nome Handanga, na tradição Umbundu é atribuído a quem sucede ao poder real por conta da sua mulher, na falta de descendentes desta para herdar o trono.

Gociante Patissa, Benguela, 5 Agosto 2015

terça-feira, 4 de agosto de 2015

"Onjo yacimonyã ka yitekula" (casa de preguiçoso não alimenta)

As artes cénicas, no seu papel transversal, complementam a música de retrato social. Em palco, a menina (actual detentora do título municipal do concurso Variante) interpreta a responsabilidade social da mulher no meio rural, onde a casa de um preguiçoso é vista como sendo pouco acolhedora, em casa de preguiçoso passa-se fome

Era para te mandar em privado a foto, mano Figueiredo F. Casimiro, mas não resisti, o "mundo" tem o direito de usufruir do sol do teu sorriso. Ukwetu, vanetele! hahaha

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

CONCURSO PARA TRADUÇÃO DE PROVÉRBIO UMBUNDU (O prémio é um dos meus livros ou um chapéu vermelho com a marca do músico Nelo de Carvalho, à escolha do tradutor)

"Ohombo walya likalyove, ocipa onyeñesa kwenda osoleka; ohombo walya la Soma, ocipa onyeñesa kwenda olekisa kowiñi".

David Calivala: “Este provérbio remete-nos ao pensamento da gestão de segredos ou evitar exaltação excessiva. Quando fizeres alguma coisa de bem, não precisas sair aos gritos e dizer que eu fiz ou eu posso. Fizeste um bem, recolhe-te e cala-te. Mas se fizeres alguma coisa com o teu superior, por mais que te seja meritória tal proeza, deixa os outros perceberem que foi o chefe/superior que teve tal proeza e tu tiveste a honra de apenas ajudar. 

RESULTADO DO CONCURSO DE TRADUÇÃO | PRÉMIO PARA DAVID CALIVALA

1.      O PROVÉRBIO:
"Ohombo walya likalyove, ocipa onyeñesa kwenda osoleka; ohombo walya la Soma, ocipa onyeñesa kwenda olekisa kowiñi".

2. A TRADUÇÃO AO PÉ DA LETRA:
Do cabrito que comeres só, tratas da pele e guardas; do cabrito que comeres com o Soba/Rei, tratas da pele e exibes ao público.

3. O ENQUADRAMENTO:
Este é um provérbio cujo consumo nos parece recomendar muito mais do que outros o alcance polissêmico, estando de um lado o sentido pedagógico e de outro apontando defeitos comportamentais da natureza humana. As interpretações seriam: (a) conforme sugere a interpretação do amigo David Calivala ou (b) que por vezes o valor das coisas/acontecimentos depende da proeminência das pessoas envolvidas, isto é, o que a pessoa comum come passa despercebido, mas a notoriedade do soba dá prestígio.

4. O TROFÉU: nas próximas horas, deverá o vencedor manifestar a sua escolha, se o chapéu ou se um dos meus livros (sugerindo o título que quer receber).

Gociante Patissa, 02.08.15

sábado, 1 de agosto de 2015