À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Desfazendo dúvidas | "Pakulamento" é corruptela do verbo "ko pakola/pakula" na língua Lingala


O verbo vem do tão simples Lingala - língua falada na RDC. Forçar a coisa é passar por parvos, mais do que os usuários dos mesmos produtos. Como bom falante da Língua - no caso Lingala - irei pôr aqui os pontos nos iis.

Primeiro: A origem etimológica dessa expressão vem dos bairros que aos inícios dos anos 90 vinham populando Luanda. Bairros como Mabor, Petrangol e Palanca(o reino). Verdade seja dita, muitos dos falantes de Lingala eram angolanos regressados depois do aparente calar das armas e o período das eleições de 92.



Tornando a nós, o verbo em Lingala é Ko Pakola/Pakula (com base na origem do falante, que venha este de Kinshasa ou de outras províncias diferentes da capital) que significar PINTAR, detergir - ou um forçoso ungir. Exemplo: pode-se dizer "Ko Pakola ndaku" que está a significar "Pintar a casa"; "Ko pakola mafuta" que significa "Ungir-se de Oléo"/"Deterger-se de creme".

Este verbo tem um diminutivo que o leva, ao invés do correcto Ko Pakola, a ser simplesmente "Pakola". Onde vimos gente dizer: "Pakola/Pakula Mafuta" querendo dizer "Deterge-te de creme".

Com o passar do tempo o verbo tomou o significado comum com a qual nos debatemos hoje, isto è, "Clarear-se a Pele". Então ao longo dos anos vimos uma flota de gerações de mamãs - ditas Soeur ya Pùa - e jovens fazerem o uso da mesma.

Segundo: O sabão MEKAKO|| Este último tem um nome que superou muitos níveis de marketing com que estamos habituados. Com um nome convidativo que estaria ao nosso: "Experimenta Sò!" ou "Experimenta p'ra ver!" ou "Prova só!" ou "E' só provar!" e por ultimo "Prova aì!"(ok, confesso este é brasileiro. Eles colocam o "aí" em todo lado). Tornando a nós. O MEKAKO era praticamente um desafio para quem duvidava. Você duvida? Experimenta para ver! Esta é o significado e a origem.


Só para dar mais uma informação inútil, mas que talvez ajudará em qualquer modo. O MEKAKO - actualmente - é uma marca Italiana. É produzida pela AquimpexSPA na cidade de Monza, vizinho a famosa província de Milão.
Tornemos, portanto, ao nosso problema.

Ocorre sublinhar aqui, por último, que quem pretende dizer - com um grau forçoso digno de um alpinista ou trepador de espelhos- que a origem da palavra é Ovimbundu talvez queira entrar na prática fácil de atacar estes últimos e atribuir-lhes a origem de todos "os nossos males".

No entanto, do que sabemos, Pakular foi simplesmente o modo como os detractores da prática chamavam a coisa. De um lado, por falta de um termo próprio para traduzir a mesma e por outro lado por mera ignorância.

E mais, Mekako vém do verbo KO MEKA que significa Experimentar, provar e tentar. MEKA significa Experimenta. Que com o sufixo KO(este com diversos significados que nos negamos de dar) o torna MEKA KO - sim, separado - e que por razòes de Marketing achou-se bem unir.

2 comentários:

Fernando Ribeiro disse...

Já no tempo do ditador Mobutu, a descoloração da pele era quase uma obsessão de muitos zairenses. Não só de mulheres, mas também de alguns homens. No entanto, como a suposta ideologia política do regime era baseada na "autenticidade", a venda de produtos descolorantes da pele era proibida no país, porque ia contra essa mesma autenticidade.

O fruto proibido é o mais apetecido. O que não se conseguia comprar pelas vias legais, comprava-se pelas ilegais. Assim, era contrabandeada uma grande quantidade de creme Ambi de origem sul-africana, através da fronteira de Angola para o Zaire, para ser vendido neste último país. Em Angola, a venda do creme era permitida, mas só uma ínfima minoria de senhoras o usava. A esmagadora maioria dos angolanos estava de bem com a sua pele. No Zaire passava-se exatamente o oposto. Enquanto as rádios de Kinshasa, Lubumbashi e outras cidades repetiam "ad nauseam" os discursos do ditador a enaltecer a autenticidade, muitos e muitos dos seus "citoyens et citoyennes" não se poupavam a despesas e sacrifícios para clarear a sua pele, muitas vezes com resultados absolutamente desastrosos.

Quando numa rua de Maquela do Zombo, por exemplo, nos cruzávamos com uma pessoa que tinha a sua pele clareada, essa pessoa era garantidamente zairense. É que era mesmo; não havia possibilidade de engano. E viam-se muitas pessoas com esse aspeto nas ruas da vila. Todas elas eram zairenses, que entravam em Angola para fazer compras, inclusive de Ambi.

Angola Debates e Ideias- G. Patissa disse...

Pois, parece que tal alienação naquele meio tem "evoluído" de tendência à prática cultural,caro Fernando. O pior é que a obsessão não lhes permite (aos utentes) notar que um tom claro artificial não passa despercebido. Com o devido respeito que me merecem os tocoístias, por exemplo, é de longe evidente que o representante máximo de uma das alas em Angola anda a descolorar a sua pele, mesmo que se considere a si próprio reencarnação de Simão Toco e este por sua vez semelhança de Deus.