À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

Nda mupi tusonehã?-Como escrever?

Tambuli esapulo lyatunda ko Instituto de Línguas Nacionais
Ndomo cilekisa ocihandeleko cesoneho kwalimi vutundasonde vo feka yo Angola (Ukanda wo cisoko capalanga, letendelo 3/87, cina cakisika, ndevelo lyo kuseteka, onjila yokutaya kwalimi vasoka epandu, ndeci o Kikongo, Kimbundu, Cokwe, Umbundu, Mbunda kwenda o Kwanyama), epañiyo lyetu lyeli okuti:

— nda o “i” yakwamiwa lo “a, e, i, o, u” tukapa po o “y”, ndoco: ya, ye, yi, yo, yu;
— nda o “u” yakwamiwa lo “a, e, i, o, u” tukapa po o “w”: wa, we, wi, wo, wu.

Esapulo lyo Instituto de Línguas Nacionais da República de Angola, keteke 07/05/2000, vekongamenla «O Livro das Adivinhas Angolanas», Luanda, União dos Escritores Angolanos (2006: 17).
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Português

À luz da grafia em uso actualmente em Angola (referimo-nos à Resolução n.º 3/87 do Conselho de Ministros que aprova, a título experimental, os alfabetos de 6 línguas nacionais, nomeadamente o Kikongo, Kimbundu, Cokwe, Umbundu, Mbunda e Kwanyama), recomendaríamos, ao nível da transcrição fonológica e das suas respectivas regras de transcrição, dentre outros, o seguinte:
— a sequência: i + a, e, i, o, u escreve-se ya, ye, yi, yo, yu, respectivamente;
— a sequência: u + a, e, i, o, u escreve-se wa, we, wi, wo ,wu, respectivamente.



Extracto do parecer do Instituto de Línguas Nacionais da República de Angola, datado de 7 de Maio de 2000, In «O Livro das Adivinhas Angolanas», Luanda, União dos Escritores Angolanos (2006: 17).

Seria difícil estabelecer o que seria um alfabeto Umbundu...

... na medida em que se adoptou o código alfabético latino, obviamente aproveitando os avanços em estudos linguísticos das potências colonizadoras. No entanto, não existem, em palavras originárias do Umbundu propriamente dito, as letras "Z" e "R" nem o som.

Temos duas formas de escrever, que diferem em alguns aspectos mínimos. Uma é resultante da convenção de académicos na vertente das línguas Bantu (usada em publicações de igrejas evangélicas protestantes), a outra é o código “imposto” pelo regime colonial e adoptado pela Igreja Católica. Nesta última, se escreve com base na proximidade sonora ao português, (levando às vezes a deturpações), pois só recentemente o alfabeto português adoptou oficialmente as letras “k, w e y”.

O professor Francisco Soares (português, doutorado em literatura angolana) dá um importante contributo: “o [s] entre duas vogais lê-se como [ss] em português; a colocação do [n] antes de consoante não implica necessariamente a nasalação da vogal anterior, mas a colocação da língua antes de pronunciar a vogal, como acontece com [m] e [n] em começo de palavra e antes de consoante (Bocoio, por ex., na grafia bantu, escreve-se mBokoio). O [c] entre duas vogais, sendo a segunda um [e] ou um [i], lê-se [tch]”.

Temos um “ñ”, semelhante somente na grafia ao do Espanhol (mas não soa /nha/), a pronúncia se aproxima mais ao símbolo fonético /ŋ/ seguido por vogal. Creio que seria mais fácil para um falante de inglês pronunciar tal sílaba, dada a proximidade que há com o “g” mudo do present continuous “ing” e se a palavra seguinte começa por uma vogal. Mas por tal não existir na língua portuguesa, ter-se-á optado por grafar de forma aberta /ngala/, por exemplo, em vez de Ñala (=Deus).
Segundo o jornalista e escritor, Luciano Canhanga, citando académicos do CICIBA (Centro Internacional das Civilizações Bantu), quando a letra U e I se encontram ao lado de outras vogais mudam então para W e Y.
09/08/11

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SEGURANDO NOSSAS LÍNGUAS (Artigo publicado pela revista Universo, Setembro 2011, propriedade da Sonangol produzida em língua Inglesa e distribuída no Reino Unido; tradução de Gociante Patissa).



Enquanto o português é a língua oficial de Angola, o país é anfitrião de uma riqueza de línguas e dialectos de raízes mais antigas. A revista Universo olha para os esforços para preservar e dar vida nova para a estes.

A versão do português falado pelos angolanos contém muitas palavras que seriam totalmente estranhas a lusófonos do Brasil, Portugal ou mesmo Moçambique. Isso, porque muitas palavras usadas em Angola de hoje vêm de suas línguas indígenas Africanas, como o Kimbundu, Umbundu, Kikongo e Tchokwe.

Por exemplo, os táxis colectivos miniautocarros azúis-e-brancos que se vêm em toda a Luanda são conhecidos como candongueiros. Esta vem da palavra kimbundu Candonga, que significa  mercado. É fundida com 'eiro', o ​​sufixo português, que significa mercado negro. Este nome foi dado aos táxis porque eram o meio de transporte para os vendedores que trabalham no famoso mercado da cidade, o Roque Santeiro.

Um exemplo semelhante é zungueira, palavra usada para descrever os vendedores do sexo feminino que vagueam pelas ruas da capital, oferecendo tudo, desde frutas, peixes e legumes a chinelos e ainda verniz para unhas. Zunga, em Kimbundu, significa “movimento contínuo", que resume muito bem o facto de que as zungueiras vão sempre em busca de novos clientes.

Raridade

De acordo com o escritor e antropólogo angolano, António Tomás, as pessoas em Luanda recorrem frequentemente ao Kimbundu quando querem descrever novos fenómenos sociais. "As pessoas usam Kimbundu quando se referem a algo que não possam descrever adequadamente em português; Acho que é algo exclusivamente angolano", explicou.

"É como se o Kimbundu fosse um recurso de armazenamento de palavras quando há um novo fenómeno social a precisar de nome. Outro exemplo émaka. Significa muito mais do que a palavra portuguesa "problema" , apesar de ser a tradução literal. Mas maka é mais rico de alguma forma, parece ter um significado mais profundo ".

Acredita-se haver em Angola cerca de 50 diferentes dialectos ou línguas (dependendo de como você classifica uma língua). A maioria é de origem Bantu, como o Kimbundu e o Umbundu, enquanto uma pequena maioria falada em áreas remotas vem de grupos menores, como os Khoisan. O Kimbundu é falado nas províncias do centro-norte e litoral, Luanda, Malange, Kwanza Norte e Bengo, enquanto o Umbundu é predominante no centro e sul: Benguela, Huambo, Huíla e Bié.

Nas províncias do nortenhas do Zaire, Uíge e Cabinda, as pessoas falam maioritariamente o Kikongo,  mas também Lingala e Fiote, línguas usadas na fronteira pelos congoleses.

O Tchokwe é falado nas Lundas e mais ao sul ao longo e através da fronteira com a Zâmbia, enquanto que na província mais meridional do país, o dialeto é conhecido como Cuanhama, embora seja por vezes também escrito Oshikwanyama ou Kwanyama.

António Tomás, foto A Semana
No entanto, ao contrário da África do Sul, onde há 11 línguas oficiais e para onde é mais provável ouvir um político falar em zulu ou xhosa quando você usa Inglês ouAfrikaans, em Angola as línguas  africanas são relegadas muito para o último plano. O escritor António Tomás, que nasceu em 1973, cresceu na cidade de Luanda e, enquanto seus pais são oriundos de zonas de expressão Kimbundu, em casa só falavam Português .

"Faço parte dessa geração, cujos pais viveram a era colonial dos anos 1960, quando os portugueses tentavam nacionalizar o país através da língua e alienar a etnicidade das pessoas", disse à revista Universo. "Forçaram as pessoas a assimilar. Tinham de falar Português, se quisessem um emprego, e muitas pessoas, inclusive meus pais, mudaram de nome para serem mais Portuguesas. Só quando eu tinha 18 anos é que eu descobri que o verdadeiro nome de meu pai era Kutubiko ".

Tomás, que está actualmente a concluir doutoramento em Antropologia Cultural na Universidade de Columbia em Nova York, disse que o seu primeiro contacto real com as línguas de Angola - além de sua avó, cujo Kimbundu era sempre traduzida em Português por sua mãe – deu-se quando cumpriu o serviço militar na década de 1990.

"Fui enviado para Benguela e as pessoas vieram das áreas circundantes onde todo mundo falava Umbundu mais do que Português", lembrou. "Eu não  tinha antes passado por aquilo. Pessoas da minha idade, em Luanda, simplesmente não falavam Kimbundu, apesar de os nossos pais falarem. Foi lá, ouvindo as pessoas contarem maravilhosas estórias em sua própria língua, relatos passados de geração em geração através dos avós,  que me comecei a  interessar por língua, cultura e antropologia."

Tomás disse que planeou aprender mais Kimbundu e Umbundu, e se possível algumas outras línguas de Angola . "Essas línguas são como uma caixa de armazenamento para as nossas culturas e precisamos mantê-las vivas para manter nossa cultura viva. "Se não fizermos algo agora, dentro de 100 anos o Português será a única língua falada em Angola. Precisamos urgentemente fazer valer as nossas diferenças e aprenderas nossas línguas para aprendermos também a nossa cultura. "

A residir em Benguela está o Gociante Patissa, que partilha o entusiasmo de Tomás por línguas angolanas. Totalmente bilingue em Umbundu e Português, o jovem de  32 anos é autor de um Blog e sobre a sua língua materna, onde traduz poesia e excertos da literatura e explora provérbios. "Adoro línguas e eu adoro escrever", disse. "E acho que através da minha, Umbundu,  tenho uma herança cultural muito rica e  quero compartilhar isso, então é por isso que fiz o Blog. Gostaria de um dia escrever um livro”.

Patissa, que estudou linguística na universidade e é também fluente em Inglês, nasceu na comuna rural de Monte Belo, movendo-se para a cidade costeira do Lobito, 100 km de distância, quando tinha sete anos. "Quando chegamos à cidade, a maioria não falava Umbundu, mas acho que por a minha mãe não dominar muito a língua portuguesa, continuamos falando em casa e ainda falamos enquanto adultos", afirmou. "Ainda há essa timidez de falar em línguas africanas em Angola, e isso vem do sistema colonial, mas precisamos superar isso e ter orgulho de nossas raízes culturais".

Esta é uma posição apoiada pelo governo, que já começou a com projectos experimentais de ensino do Umbundu, Kimbundu e Tchokwe em algumas escolas primárias e dirige o Instituto de Línguas Nacionais para promover dialectos autóctones.

Valorizando as línguas

Falando numa conferência em Luanda no início deste ano, Cornelio Caley, Vice-Ministro da Cultura, disse: "É muito importante que valorizemos as nossas línguas nacionais, porque nos permitem apreciar a nossa cultura nacional. Saímos recentemente de um sistema de colonial, durante o qual nossas línguas maternas foram sistematicamente negligenciadas e linguisticamente alteradas."

O vice-ministro considerou triste que jovens angolanos tivessem mostrado mais interesse em aprender línguas estrangeiras, como Inglês e Francês, em detrimento de suas línguas nacionais, e pediu aos pais para passar os seus conhecimentos aos filhos.

Na opinião de Tomás, no entanto, ao falar dialectos em casa vai mantê-los vivos, mais precisa ser feito para trazer línguas do espaço doméstico para o oficial. "Os Portugueses foram realmente eficazes na forma como criaram esse tabu em torno do nosso línguas nacionais e as pessoas tinham esse complexo real de inferioridade reais sobre o uso de dialectos africanos", disse. "Dizia-se que era uma língua inferior, menos útil e menos versátil, e lembro-me na escola que se você falasse Kimbundu, podia ser intimidado ou o professor diria que tal interferiria negativamente no seu Português. "Isso tem continuado hoje e há essa mentalidade que as línguas africanas são para falar em casa, em privado, não em público. Isto é muito triste e quando perdemos essas línguas, ninguém vai notar mesmo".

Professor Prah, foto IMPLAN
A ajudar Angola a preservar as suas muitas línguas está o Centro de Estudos Avançados da Sociedade Africana (CASAS), com sede em Cape Town, África do Sul. O Diretor Kwesi Kwaa Prah vem liderando o projeto para produzir uma ortografia-padrão (sistema ortográfico) para idiomas do país Bantu que, segundo ele, são todos muito semelhantes.

"Se você é um falante Cuanhama, pode não ser capaz de falar kimbundu, mas de lê-lo", explicou. "O que estamos fazendo é racionalizar as estruturas de ortografia para fazer uma versão harmonizada para que se possa em seguida publicar formas de escrita das línguas. "Trata-se de economias de escala. Se apenas 20 mil pessoas são capazes de ler um livro, você vai lutar para produzir muitos livros para esse público, mas se cinco milhões podem lê-lo, então você terá mais oportunidades."

Professor Prah, ganês, cuja organização trabalha em toda a África, tem opiniões fortes sobre promoção das línguas nacionais. Acredita que o legado colonial dominante de idiomas europeus, como Português, Inglês e Francês está a atrasar o desenvolvimento do continente.

"Não acredito que se possa avançar  através da língua de outra pessoa", disse. "Olhe para a Alemanha, eles falam alemão; olha para a Itália, eles falam italiano. E agora olha para a Ásia, também uma vez colonizados, mas agora falando suas próprias línguas. Vietname, por exemplo, costumava ser francês, mas agora as pessoas usam vietnamita, e na Malásia, ex-britânico e apesar de muitas pessoas falam Inglês, sua língua materna é o malaio. Estas são sociedades com economias em crescimento e estão se movendo para a frente; África ainda está atrás com isso".

Professor Prah acredita que Angola ainda precisa de agitar o que ele vê como uma dependência neo-colonialista em Português, e diz que é preciso fazer mais para promover as línguas africanas que estiveram intrinsecamente ligadas à identidade nacional e da cultura. "Se não protegermos as nossas línguas Africano, é essencialmente o etnocídio, porque as nossas línguas são parte da nossa identidade e nossa cultura e é através da nossa cultura e da língua que nós nos definimos", acrescentou.

Congratulando-se com o apoio do governo para o trabalho CASAS faz em Angola, o Professor Prah diz esperar que o guia ortográfico angolano esteja pronto até Novembro e que abriria portas para mais trabalhos publicados em línguas indígenas e dialectos angolanos.

O Bloguista Gociante Patissa concorda que a falta de trabalhos publicados em línguas africanas, a par de passagens bíblicas traduzidas por missionários, dificulta a aprendizagem ou preservação de dialectos. Dicionários e gramáticas, segundo ele, são difíceis de encontrar, e o que exclui muita gente interessada em aprender. Mas é encorajado pelo crescente número de músicos que agora estão usando Umbundu e Kimbundu em suas letras.

"Estamos vendo mais música com letras africanas, particularmente artistas do Huambo, Benguela e Lobito, o que é uma boa promoção da língua", disse. "É um indicador de que o interesse em nossas línguas nacionais está crescendo e acho que vai ajudar a protegê-las nos próximos anos."

O Professor Prah concorda. "Os africanos estão lentamente começando a despertar para a cultura nacional e línguas, e percebendo que precisam para preservar esta parte da sua identidade de ser capaz de desenvolver", disse.

Apesar de muitos angolanos urbanos já não falarem as línguas africanas, se você viaja fora das principais cidades e vilas, encontrará lugares onde apenas estes dialectos são falados. A fim de fornecer um serviço a essas pessoas, cujas estatísticas não são claras, as emissoras estatais Televisão Pública de Angola e Rádio Nacional de Angola têm notícias diferentes e mostram  informações. Folhetos do governo em muitas questões de saúde e cívico, como eleições, também são traduzidos para as principais línguas para garantir que todos no país sejam informados. E na sequência das recentes chuvas fortes e inundações, existem agora os planos para o Serviço Nacional de Meteorologia INAMET (Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica ') para dar alerta nos idiomas locais.

(Artigo publicado pela revista Universo, Setembro 2011, propriedade da Sonangol produzida em língua Inglesa e distribuída no Reino Unido; tradução de Gociante Patissa).

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