À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Veteke lyo Afrika, olusapo wokimbo lietu (Umbundu) - No dia de África, um dos contos da nossa Terra (tradução livre)


Umbundu

"UMWE WAYONGWILE UKEMA"


Kuakala ukuenje umue waenda lokusakalala, cokuti lotulo kakuatele. Waenda lokulipulapula ukuenje wu ndeti. “Cilingila nye okuti, ame ndicimumba cocimatamata, letosi lyukema sikuete?! Cilingila nye okuti layumue ño, vimbo, ofetika ombangulo yokuti yinditukula ame?”

Ukuenje wiya ocisokolola sui… okuiya wakuata ocisimilo cimue “culoño”. Wavanjiliya okuti, catete, komunu oyongola ukema, okukuliha pi pakasi omuenyo womanu vimbo. Etambululo lieli oukuti: povava! Omo okuti, ndaño muele cina oholua, alopo yinyua ovava.

Cina muele okuti kakuacile ciwa, ukuenje walimba vonjila yokocisimo (ale onjombo). Eci apitinla vali, kasumile: ofetika okunia. Nie muele pomela wocisimo, eye osia po oluhaku waye. Olondona eci vyakapitinla lomenle oco vitape ovava, viasaña elundu lieniña. Opo muele okuimba oluiya!

Ukuenje kefetikilo wasanjukile, puãi, oku ceya okupitinla, ema liolio ho. La sekulu yimbo, soma haeye tio yayi, wovanjela ovitangi. Nda tulinga tuti soma ociliangu, yu wanyola ocimumba caye? Cilingila nye okuti ukulu wendamba okulonga ovimumba kacitenla?!

Ondaka tupa po yeyi okuti, vokusanda ukema ciyongola okuenda ciwa – katukasandi omangu lamania – momo ukema kuli vo una kawaposokele.
*
Olusapo woponjango kimbo lietu.
Gociante Patissa

Português

"O FULANO QUE QUERIA FAMA"

Havia um jovem que andava bastante aflito, o que resultava em insónia mesmo. Não parava de se questionar. “Como é que eu, sobrinho de entidade, não tenho um pingo de fama sequer?! Como é que, na aldeia, nunca sou objecto de conversa?”

Pôs-se então o jovem a matutar… até que teve uma “sábia” descoberta. Notou que, o básico para quem procura fama, urgia determinar onde reside a “vida colectiva”. A resposta foi: na água! Porque até o mais incorrigível dos bêbados bebe água.

Foi pela madrugada em direcção ao poço. E sabia bem o que fazer assim que chegasse. Tanto o sabia como o fez: defecou ali mesmo. Certificando-se de ter cagado o suficiente para chamar atenção, cuidou de deixar ali a sua alparcata. Algum tempo depois, foram chegando, uma atrás da outra, as donas de casa, na tradicional missão de acarretar água. A palavra espalhou-se à velocidade de cruzeiro.

Satisfeito da vida estava o jovem, que se (ou)via na boca do povo pela primeira vez na vida. Mas pouco durou a alegria, porque se começou a questionar até que ponto o regedor não seria bruxo e passado o mal para o sobrinho. De outro modo saberia impor autoridade de encarregado em relação ao sobrinho.

Moral da estória: na procura da fama alguma moderação é necessária – é preciso não procurar a cadeira com o cú – pois nem toda fama é positiva.

Contos contados nas fogueiras da Nossa Terra.
Gociante Patissa

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Oratura: ruídos que se perpetuam no tema "sakatindi" do cancioneiro Ovimbundu, grupo etnolinguístico angolano de origem Bantu


Enquanto vinha para o serviço esta manhã, servia-me de companhia a emissão matinal da Rádio Mais, com Rui Fernandes na locução e Manuel Chandikua na técnica de som. Entre um tema e outro, surge a voz de Diabick, o nosso lobitanga que se encontra adoentado em Luanda. A música "Ene a manu" adopta também a animação "Sakatindi", do cancioneiro Ovimbundu, grupo etnolinguístico angolano de origem Bantu.


Sakatindi é uma dança tradicional com toques sensuais, mais ou menos como na dança rebita, onde os integrantes da roda a dado momento se encontram aos pares (homem/mulher). A palavra Sakatindi, não me ocorrendo por enquanto sinónimo, diria que funciona um pouco como interjeição. Mas por que carga d'água venho agora com esta ladainha?

Ora, há uma passagem da canção que sempre me soou a ruído. E todos os artistas que adoptam a canção, e olha que não são poucos, caem no "erro" de pronunciar "ukãi wanjepele, ukãi wanjepele, ulume ocitende". Traduzindo, "a mulher de Isabel, a mulher de Isabel, o marido é parvo". Não faz muito sentido, já que Njepele é Isabel em Umbundu. Foi daí que certo dia interpelei meu avô paterno e xará, que disse tratar-se de uma degeneração de uma máxima Umbundu. O certo seria "ukãi kaendi epenle, ukãi kaendi epenle, ulume ocitende", que em português corresponde a"se a mulher sofre nudez, se a mulher carece de roupa é porque o marido é parvo".

Eis então a letra e tradução livre para o português:

Onguya yange ndayisile posamwa (Deixei fora a minha agulha)
yokutunga olonanga (de coser panos/tecidos)
Onguya yange ndayisile posamwa (Deixei fora a minha agulha)
yokutunga olonanga (de coser panos/tecidos)

ukãi kaendi epenle (se a mulher não tem roupa)
ukãi kaendi epenle (se a mulher não tem roupa)
ulume ocitende (é porque o homem é parvo)
ulume ocitende ongandu yuñuatele (já que é parvo, que o jacaré o ataque)
Sakatindi! Sakatindi! Sakatindi!

Esta é a versão de meu avô Manuel Patissa, que me parece muito mais perto de fazer sentido. Se você tiver outra, não hesite em partilhar.

Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela, 11de Maio de 2011