À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

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PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Akulu valinga vati (Sabedoria popular Umbundu)

"Vakembakemba kasevi; uvindi eteke limwe wiya usukila vali." - Se for para enganar, então engana o fazedor de circuncisão; é que de quem trança os cabelos você voltará a precisar)

Oratura | KAPALANDANDA, um herói injustamente esquecido?

   1.      NOTA PRÉVIA

Você já ouviu e expressão «no tempo do Caprandanda?» É provável que sim, apesar do seu erro crónico. O correcto seria grafar Kapalandanda, pois não temos «R» na língua Umbundu, ao passo que o «C» é pronunciado [t∫i], e como tal diferente de «K».

Como veremos mais adiante, a história de Angola pode estar a cometer uma injustiça por omissão, relativamente ao papel heróico da figura do sul que atende pelo nome de Kapalandanda. A dúvida académica que fica é: que critérios foram usados para enaltecer Mandume, Lueji, Njinga, Ekwikwi e entretanto nada se dizer oficialmente de Kapalandanda? É que para além de ser personagem de um tema de evocação no cancioneiro Umbundu, de si muito explorado até 1991 enquanto trilha sonora pela Vorgan [Voz da Resistência do Galo Negro], rádio da Unita [então forças rebeldes na guerrilha], pouco ou nada da figura de Kapalandanda se passava de geração em geração.

A minha adolescência foi marcada por um quadro complexo no Lobito, onde a residência se confundia com dependências das administrações comunais da Equimina e Kalahanga (não ao mesmo tempo). Como a circulação de pessoas e bens era mediante guias de marcha, “trabalhei” como dactilógrafo do meu pai, na sua condição de Comissário e/ou Administrador Comunal, mas sobretudo como pombo-correio da correspondência familiar entre Lobito, Catumbela e Benguela, na maioria destes casos até… a pé.

A exposição à propaganda despertou cedo o meu interesse de observador da política (talvez se deva a isso o facto de me ser hoje inócua). Evidentemente, havia parentes que (às escondidas) não alinhavam com o Mpla. Estamos a falar entre 1988 e 1991. Calhava encontrar este ou aquele a ouvir a Vorgan, com o volume baixinho. A trilha sonora dizia: «Kapalandanda walila / walilila ofeka yaye/ kapalandanda walila /eh/ walilila ofeka yaye»  (Kapalandanda chorou / chorou pela sua Terra/ Kapalandanda chorou / oh/ chorou pela sua Terra). Mas quem foi ele e chorou porquê? GP

2.      AGORA O PERFIL DE KAPALANDANDA E SUAS FAÇANHAS:

Reproduzimos a seguir, com pequena adaptação do blog www.ombembwa.blogspot.com, o valioso contributo de Carlos Duarte, publicado no «Jornal o Chá», da Chá de Caxinde, Nº 10 - 2ª série, Luanda, Abril/Maio 2014:

«Kapalandanda era sobrinho do Soba Kulembe, da Catumbela. Ia ser Soba. Agiu de 1874-1886. Adolescente, ganhou fama por ter morto sozinho um leopardo que andava a comer as cabras (…) Ainda jovem, inconformado com a passagem e estadia de caravanas de (…) comércio, levando panos e sal para o Huambo – Bailundos – e trazendo borracha, cera, mel e marfim – sem pagamento, pediu uma audiência ao Soba, seu tio, e aos sekulus, onde tentou convencê-los a que fosse cobrada uma taxa – «Onepa» - a essas caravanas. O Soba, acomodado e com medo da reação dos colonos, não concordou. Kapalandanda então reuniu um grupo de guerreiros e foi para o mato, armar emboscadas e assaltar as caravanas, cujo produto, confiscado, era em parte distribuído pelos kimbos do sobado.

Quando os colonizadores tomaram conhecimento, foram falar com o Soba para que tomasse providências e acabasse com essa resistência. O Soba reuniu os melhores guerreiros e ordenou-lhes que fossem pegar Kapalandanda. Mas o resultado foi o contrário do previsto. O grupo de Kapalandanda dominou e derrotou fácil os guerreiros de Kulembe. Os colonizadores resolveram então fornecer armas de fogo o Kulembe, acreditando que, com essa vantagem, acabariam com o grupo guerrilheiro.

Mas Kapalandanda, agindo como um Robin Hood angolano, tinha já granjeado a simpatia de grande parte dos kimbos do sobado; então, emissários dos kimbos saíam para avisá-lo da movimentação das forças de Kulembe, o que lhe deu condições de espera-las para o confronto, em local que lhe era propício, anulando assim a vantagem das armas de fogo.

Uma vez mais a tropa de Kulembe foi derrotada, e Kapalandanda ficou melhor armado. Os colonizadores resolveram então enviar uma companhia de tropa portuguesa, comandada por um capitão de nome Almeida, para submeter Kapalandanda. O encontro deu-se no Sopé do Passe. O grupo de Kapalandanda saiu derrotado e ele levado preso, primeiro para o Forte da Catumbela, e depois para S. Tomé.»

Ao ler este relato de Duarte, evidente se torna que a história de Kapalandanda merecia ser mais divulgada, o que representaria um importante precedente pelo levantamento de mais bravos filhos que deram a vida para chegarmos a Angola independente.
Gociante Patissa, Benguela, 24.12.15

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

MEMÓRIAS (dez anos depois, a pedido do amigo e colega TULA)

Durante três meses, fizemos o trajecto Lobito-Benguela de autocarros públicos, o colega Antonio Firmino Antonio e eu, frequentando o curso básico de jornalismo (Rádio, TV, Imprensa) ali na Biblioteca do Instituto Camões em Benguela, ao lado do IMNE, na Kambanda, no ano de 2005. No dia do encerramento, entrevistaste-me logo a seguir à entrega de certificados. Estávamos felizes, tu mais ainda, pois tinhas o encaminhamento melhor definido, ou não acabasses de receber o convite para ingressar como colaborador na Rádio Lobito, editoria de Língua Umbundu, equipa que tinha, entre outros, nomes célebres como os mais-velhos Joaquim Viola, Evaristo Kakulete, Emiliana Nasoma. Os demais colegas (entre os quais eu e outros com afinidade à inoperante Rádio Ecclesia) ficaram com a esperança de concorrer a eventual vaga na Direcção Provincial da Comunicação Social, talvez fruto de alguma má interpretação no calor do discurso do seu titular. Era só isso. Obrigado.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Nota Solta

1. Apanhando boleia de uma publicação no mural de Reginaldo Silva, que citava de memória uma passagem captada de uma rádio, considerando que "o crioulo das Antilhas é um francês mal falado, tal como o de Cabo-Verde será um português todo à toa.", o que ele vê como deselegância...
2. Não deixa de representar mais um ponto de reflexão para os desleixos crónicos que temos enquanto sociedade angolana a lidar com o dossier das identidades (olhando mais atentamente para as idiossincrasias dos grupos étnicos que compõem a grande identidade do projecto de nação), pelo seguinte: Cabo-Verde, Guiné Bissau, entre outros, dão valor ao seu crioulo, pejorativamente visto como corrupção com base na língua portuguesa,
3. Já nós, que até temos línguas só mesmo nossas, como o Kimbundu e Umbundu, sem falar das línguas fronteiriças, assobiamos para o lado, perpetuando a secundarização daquilo que é nosso património. Não admiraria, pois, que num futuro breve tenhamos de priorizar o Mandarim, a língua dos nossos "irmãos" chineses, com cursos de licenciatura em Linguística deste idioma oriental.
GP, Benguela, 15.12.15

domingo, 13 de dezembro de 2015

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Ominlu Yokutambula Akombe | Gestão Hoteleria | Hotel Management

Diário | ECI TWAYAKELA [CAUSAS DA NOSSA LUTA] (Umbundu e Português)

I - UMBUNDU
"Sesa, kocitali!"
"Oco! Vaiñinle."
"Nangau, a sekulu."
"Kuku!"
"Tweya, a sekulu, ame lukwetu. Uhayele wusupoka. Cakwavo ovopange lika. Ovipala vyetu tusima tuti vilinga ndayu ka vyasyatele. Tuvakwaseketa yolusu. Tupita njo la njo okutala ndamupi ovina vyenda."
"Cayevala. Etu vo, handi mba, tuñwãlãñwãlã. Lokepya ka twaindele, owesi waco wetimba lyositu."
"A sekulu, 'olofactura vyovyo?"
"Olofactura? Vya nye?"
"Vyokufeta mwenle olusu..."
"Mba ka pali."
"Tê okufeta owola yilo mwenle..."
"Oyeveti nye?! Ame ame ndifeta olusu vofeka yange? Etu twayaka, twapunyolohã, okulupuka la cikolonya kaputu, hã... toke opo cikolonya watusumba... kaliye, okuti twakuka, ove oyeveti 'tê tufeta olusu'?!"
"Oco pwãi tuyiteta. Oñoma eyi, etu ha tu ko tutukula; tukwãi mo ño vokupiluka."
"Oco pwãi eci twayakela cipi?"


II - PORTUGUÊS
"Dá licença no quintal!"
"Sim!"
"Bom dia, mais-velho."
"Obrigado!"
"Estamos cá, mais-velho, o meu colega e eu. Saúde temos em abundância. O resto é mesmo só o tal trabalho. Creio que os nossos rostos não vos soam familiares. Somos do sector da Energia. Estamos a passar de casa em casa a ver como vão as coisas."
"Entendi. Por cá também, por acaso, há saúde para dar e vender. Se não fomos à lavra, na verdade não passa de preguiça própria de um corpo humano."
"Mais-velho, tem aí as facturas?"
"Facturas? De quê?"
"Do consumo de energia mesmo..."
"Por acaso, não."
"Terá de pagar neste momento."
"Disseste o quê?! Eu é que vou pagar pela energia no meu país? Nós que lutamos, o corpo cheio de mazelas, para correr com o colono, hã... até aqui o colono não esquece o peso da nossa força... hoje, que estamos velhos, tu me vens falar em pagar pela luz?!"
"Neste caso, vamos fazer o corte. É um tipo de farra em que não colocamos nós mesmos a música; só dançamos conforme nos orientam."
"Neste caso, por que causas lutamos?"
GP, Katombela, 07.12.15

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

domingo, 6 de dezembro de 2015