À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS

À VENDA NOS SEGUINTES LOCAIS
PONTOS DE VENDA: União dos Escritores Angolanos; Rede de Supermercados KERO; Tabacaria GRILO (edifício do Mercado de Benguela); Livraria SUCAM, Benguela; Livrarias LELLO, MENSAGEM e na SALA DE EMBARQUE do AEROPORTO INTERNACIONAL 4 DE FEVEREIRO, Luanda

domingo, 23 de setembro de 2012

"Watunda omenle ocinja cimbo wacisya" - (Ocilongwa kUmbundu)

Aquele que madrugar a sair livra-se dos defeitos da comunidade - (máxima Umbundu)

sábado, 22 de setembro de 2012

"Pali epata pa pata" - (Ocilongwa kUmbundu)

Onde há família há complexidades (máxima Umbundu)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Apontamentos: Recados implícitos na atribuição de nomes a animais entre os Ovimbundu


Gociante Patissa, Benguela (ensaio publicado via Jornal Cultura, edição como ilustra a foto)

Parte o presente exercício de dois relatos de um casal que revelava semelhanças num gesto das respectivas mães, os quais, vistos além da coincidência, fornecem matéria antropológica. Trataremos a mãe do marido por Njali-A e a da esposa por Njali-B, correspondendo “onjali” ou “njali” a pai/mãe, tutor/a. O que as separam são uma década e cerca de 600 km. Njali-A vivia em Kutenda, município da Tchicomba, na Huila, e o gesto deu-se na década de 1970. Por sua vez, njali-B vivia no Monte-Belo, município do Bocoio, em Benguela, e sua acção deu-se na década de 1980.

Njali-A e njali-B têm em comum o papel de “ndona yukulu” ou “ukãi watete”,esposa mais-velha ou primeira mulher, traduzindo literalmente. É o estatuto social dado às primeiras esposas, em contextos de poligamia, onde, independentemente da idade, das demais “sepakãi” (rivais) a sociedade espera uma postura de “irmãs mais-novas”. 

Os Ovimbundu são o grupo etnolinguístico de origem Bantu que predomina no centro e sul de Angola, em seis das 18 províncias: Kwanza-Sul, Benguela e Namibe (costa), Bié, Huambo e Huila (planalto centro e sul). Representam 1/3 da população, num país com 16 milhões de habitantes, e cerca de oito grupos de matriz Bantu, sem esquecer os Khoisan, pré Bantu, e ainda os de ascendência ocidental.

Para Fernandes & Ntondo (2002), citados em Martinho Kavaya (2006: 54), formam o grupo etnolinguístico, Ovimbundu, os va Viye, Mbalundu, Sele, Sumbi, Mbwei, Vatchisandji, Lumbu, Vandombe, Vahanya, Vanganda, Vatchiyaka, Wambu, Sambu, Kakonda, Tchicuma, e este grupo corresponde ao maior étnolinguístico angolano (acima de 4.500.000 pessoas) e comunica-se na língua Umbundu.

Chama atenção, entretanto, a proximidade estatística entre o trabalho de Fernandes & Tondo e o do estudioso António Correia (2012), como podemos verificar num trecho do seu Blogue: “Distinguem-se pelo menos 18 grupos Ovimbundu diferentes: Mbailundu, Vyié, Wambu, Ngalangui, Quibulos, Ndulu, Quinolos, Kalukembes, Sambu, Kakonda, Quitatos, Sele, Ambuis, Hanhas, Gandas, Chikuma, Ndombe, Lumbu. É o maior grupo etnolinguístico angolano (cerca de 4.970.000 pessoas)”.

Até que sejam conhecidos os resultados do Censo Populacional em curso, uma iniciativa governamental que visa contornar o facto de os dados oficiais datarem de há quatro décadas, toda a estatística neste sentido está sujeita ao benefício da dúvida. Entretanto, estamos confortáveis em acrescentar que nem sempre o número de falantes é indicador de etnia, um fenómeno que podemos atribuir a dois factores: (a) a motricidade das comunidades de trabalhadores do CFB (Caminho de Ferro de Benguela), do Lobito (Benguela, litoral centro) ao Luau (Moxico, extremo leste e de predominância Lunda Cokwe); (b) o êxodo para as cidades e/ou zonas mais seguras durante as três décadas de guerra civil, onde poderá contar o facto de a UNITA (rebelião armada) ter imposto o Umbundu como símbolo de afirmação patriótica nas zonas sob seu domínio.

As principais decisões do lar entre os Ovimbundu, à semelhança de vários outros grupos de Origem Bantu, reservam-se ao marido. Uma dessas é referente à atribuição do nome ao recém-nascido, como aliás o realça Avelino Sayango (1997: 8): “É o pai, e não a mãe, que tem a prioridade na escolha de um membro da sua família para ser o sando (chará) do primeiro bebé, quer se trate dum menino ou duma menina”.

Este exemplo é apenas uma amostra daquilo que são os aspectos decorrentes da atribuição de papéis com base no género em culturas de pendor “machista”, onde a participação da mulher na tomada de decisões é (aparentemente) nula, pois este ser secundário tem subtilezas para vincar posição. Falaríamos por exemplo da influência que as mulheres vêm tendo sobre as mais temidas figuras e tramas da humanidade.

No contexto das comunidades rurais que abordamos, a maioria das mulheres dedicava-se ao cultivo e lida doméstica, salvo poucas excepções para confirmar a regra. Eram, então, as que tinham formação elementar para o professorado ou enfermagem. O mesmo se aplica aos homens, no cultivo e na caça, excepto uns poucos na função pública, com ofício, ou então para-militares. Njali-A era esposa de motorista hospitalar e Njali-B de funcionário administrativo. Seus maridos eram de concentrar as várias esposas num mesmo espaço, chamemos-lhe de quintal, e com isso uma convivência intensa entre as “irmãs” rivais. Até aos dias de hoje, há quem o pratique nos centros urbanos, o que é culturalmente normal, mas nem por isso fácil de gerir.

Njali-A adoptou um cão, a quem atribuiu o nome de “Notole”. Njali-B intitulou o seu cão “Cohinla”. A palavra é ícone, o que seria pleonasmo referir, já que é sobre o adágio que assentam os nomes dos Bantu. Segundo Francisco Xavier Yambo (2003: 23), o ocimbundu acredita na interacção e correlação de forças entre todos os seres viventes. Outro grupo de nomes, o mais variado, vai das circunstâncias palpáveis em que a criança nasce à preocupação de perpetuar a memória deste ou daquele ente-querido.

Ora, tirando proveito deste paradigma, e na aparente banalidade do direito de dar nome a um animal doméstico, Njali-A e Njali-B vincam posições: Notole, ndikasi vesaila; nate ciwa, ndikasi lo kimbo lyetu” (choca-me bem, sou pinto dentro do ovo; trata-me bem, que faço falta à terra de onde venho).Cohinlãmange calwa” (é muito o que se esconde no silêncio de mulher madura). E assim apresentam, não só um protesto passivo-agressivo aos maridos, mas também uma denúncia à comunidade sobre o que lhes intriga da poligamia, durante o ciclo de vida do cão, qual sino diário.

Numa perspectiva inversa, e reportando-nos ainda à comuna do Monte-Belo, vem outro exemplo: “Kanjila-Komange” foi a alcunha que certo homem chamou para si.Kanjila komange kakwete lapa katekula, lapa kasumbiwa”(por mais insignificante que possa parecer, o passarinho-mãe tem um ninho a sustentar e exercer autoridade).

Podemos concluir que não andará muito longe da verdade a hipótese de que a atribuição de nomes proverbiais a animais como forma de protesto é prática antiga entre os Ovimbundu e provavelmente de outros povos Bantu, dada a semelhança entre Njali-A e Njali-B, que vivem em épocas e lugares distantes. Não nos parece, por outro lado, que seja ao acaso também que um homem adoptou a alcunha para reclamar respeito.

Obras Citadas

Correia, A. (2012, Abril 25). O PENSAR ANTROPOLÓGICO ANGOLANO.Blogue de António Correia , pp. http://jornalistacorreia.blogspot.com/2012/04/o-pensar-antropologico-angolano.html.
Kavaya, M. (2006). EDUCAÇÃO, CULTURA E CULTURA DO ‘AMÉM’: Diálogos do Ondjango com Freire em Ganda / Benguela / ANGOLA. Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título Mestre em Educação (p. 54). Rio Sul, Brasil: Pelotas.
Sayango, A. (1997). O MEU PAI (Vol. 1). Luanda, Angola, Angola: Barquinho – Livraria Evangélica.
Yambo, X. F. (2003). PEQUENO DICIONÁRIO ANTROPONÍMICO UMBUNDU. Luanda, Angola: Editorial Nzila.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A JOSE SAYOVO E SEU GUIA, OS NOSSOS PARABÉNS

Ha litalatu lyetu ko; mwenle ka tuwi
Curiosidade: Sayovo é aglutinação de isya+yeyovo, uma fórmula corrente na morfologia de nomes nas línguas Cokwe e Umbundu, ambas de raiz Bantu. Assim, em Umbundu, seria qualquer coisa como "pai da liberdade/independência". De facto, tendo em conta que, aos 39 anos de idade e invisual, ainda arrebata medalhas nos jogos paralímpicos, ele faz jus ao nome.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Ocilongwa kUmbundu: "Ka mwinle ongongo ka kolele"

(Máxima Umbundu: quem não sofreu não amadureceu) 

sábado, 8 de setembro de 2012

Olohaku vya ndonge vilandiwe, a njali. Limwisa otembo, palãlã.

Que seja comprado o calçado para o (a) estudante, ó encarregado (a). Arranje algum tempo, voe.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

UMBUNDU / PORTUGUÊS (3)



Osimbu handi ka pali olombongo, omunu olanda eci ayongola lapako akwete – nda eci alima, nda eci atekula. “Tô-la-tô” oyo yasyata onjongo. Ocisungo twanena cayumwe olisyõsyõla. Tupatekeli okuti o “c” oyo o “c” tuyitanga /t∫h/. Cakwavo ceci okuti, kUmbundu, evi ololetala ndeti vipopelwa olonjanja vyosi vwanyunlu: B (mb), G (ng), D (nd). O R kwenda o Z ka tuvikwete kUmbundu.
Foto: Blog Dorium

“Onanga ya papai 
ka yambalele
Cambala osanji yange
Yekondombolo
Nda sa kwatele osanji
Yekondombolo
Onanga ya papai 
nda sa yimwinle”

Enquanto não houver dinheiro, a pessoa compra o que pretende com os bens que possui – quer do cultivo, quer de criação. “Cheio-por-cheio” (permuta unidade por unidade) é a medida mais comum. A canção que trazemos é de alguém que lamenta. Vamos lembrar que a letra “c” é sempre lida /t∫h/ (quanto a isso, não há excepções). Outra coisa é que, em Umbundu, as seguintes consoantes são sempre nasaladas: B (mb), G (ng), D (nd). O R e o Z não existem em Umbundu.

"O pano do meu pai 
não me doeu (custou)
Doeu-me o meu galo
Se não tivesse galo
não teria visto o pano
Do meu pai".

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Vosongo ina yange akasi, oloneke vilo ovingumba vitãi lokunyana volonjo. Olonungi ka vipekela otulo. Omo lyaco, casesama nda tulilongisa etambululo lyakwavo lyutunda syahunlu

No bairro da minha mãe, vive-se uma onda de assaltos a residências. Os moradores dormem de sobreaviso. Nestes casos, justifica-se a expressão idiomática que vamos hoje aprender.

- Walale?
- “Wangombe, apamba lilu”

- Como passaste a noite?
- Ao jeito do boi, os chifres virados para cima.

Etaili tulilongisa etambululo limwe lyutunda syahunlu, ndeci nda omunu ka vela, pwãi lopo uhayele ka waswile po (ale ekalo lyomwenyo ka lyendi ciwa)


Vamos hoje aprender uma expressão idiomática, usual quando a pessoa não está propriamente doente mas nem por isso a saúde está completa (ou mesmo a disposição).

- Ndati uhayele?
- “Wambwa, kwatwín kuliwa”

- Como vai a saúde?
- “Ao jeito do cão, as orelhas sendo roídas” (ou seja, assim, assim). 

Sali po ciwa! - Fiquem bem.