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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Oratura: ruídos que se perpetuam no tema "sakatindi" do cancioneiro Ovimbundu, grupo etnolinguístico angolano de origem Bantu


Enquanto vinha para o serviço esta manhã, servia-me de companhia a emissão matinal da Rádio Mais, com Rui Fernandes na locução e Manuel Chandikua na técnica de som. Entre um tema e outro, surge a voz de Diabick, o nosso lobitanga que se encontra adoentado em Luanda. A música "Ene a manu" adopta também a animação "Sakatindi", do cancioneiro Ovimbundu, grupo etnolinguístico angolano de origem Bantu.


Sakatindi é uma dança tradicional com toques sensuais, mais ou menos como na dança rebita, onde os integrantes da roda a dado momento se encontram aos pares (homem/mulher). A palavra Sakatindi, não me ocorrendo por enquanto sinónimo, diria que funciona um pouco como interjeição. Mas por que carga d'água venho agora com esta ladainha?

Ora, há uma passagem da canção que sempre me soou a ruído. E todos os artistas que adoptam a canção, e olha que não são poucos, caem no "erro" de pronunciar "ukãi wanjepele, ukãi wanjepele, ulume ocitende". Traduzindo, "a mulher de Isabel, a mulher de Isabel, o marido é parvo". Não faz muito sentido, já que Njepele é Isabel em Umbundu. Foi daí que certo dia interpelei meu avô paterno e xará, que disse tratar-se de uma degeneração de uma máxima Umbundu. O certo seria "ukãi kaendi epenle, ukãi kaendi epenle, ulume ocitende", que em português corresponde a"se a mulher sofre nudez, se a mulher carece de roupa é porque o marido é parvo".

Eis então a letra e tradução livre para o português:

Onguya yange ndayisile posamwa (Deixei fora a minha agulha)
yokutunga olonanga (de coser panos/tecidos)
Onguya yange ndayisile posamwa (Deixei fora a minha agulha)
yokutunga olonanga (de coser panos/tecidos)

ukãi kaendi epenle (se a mulher não tem roupa)
ukãi kaendi epenle (se a mulher não tem roupa)
ulume ocitende (é porque o homem é parvo)
ulume ocitende ongandu yuñuatele (já que é parvo, que o jacaré o ataque)
Sakatindi! Sakatindi! Sakatindi!

Esta é a versão de meu avô Manuel Patissa, que me parece muito mais perto de fazer sentido. Se você tiver outra, não hesite em partilhar.

Gociante Patissa, aeroporto da Catumbela, 11de Maio de 2011

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