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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Divagações pela tradição oral Umbundu: OLUVALE

Olhando para a morfologia do termo, temos "O" (artigo) mais "luvale" (poligamia), parecendo o fonema estar mais próximo de bigamia, tendo em conta a raiz "val". Na língua Umbundu, o número dois é "vivali". O que se pode reter é que, ao contrário da estrutura na língua portuguesa, em Umbundu não há duas categorias, oluvale é genérico. 

Assim, quando ouvimos dizer que "ngandi okwele oluvale", a única certeza que temos na interpretação é que determinada pessoa tem mais de uma mulher. Caso a curiosidade se desperte, a pergunta seria: "oluvale wakãi vañami" (é poligamia de quantas esposas)? Não nos interessa a perspectiva moral da poligamia, que nos levaria ao velho conflito entre o direito costumeiro (bantu) e o direito positivo (ocidental). 

Por falar nisso, parece que os nossos juristas têm o grande desafio de acabar com a hipocrisia formal, não poucas vezes mediatizada em notas fúnebres: "o malogrado deixa uma viúva e X filhos", quando aos olhos de todo o mundo estão prostradas duas ou mais senhoras enlutadas e com lares devidamente legitimados pelo falecido, família e sociedade. 

A poligamia, independentemente das suas implicações sociais, sobretudo para a vertente de sobrevivência do agregado e/ou herdeiros, é culturalmente direito consagrado ao homem africano Bantu e até pré-Bantu, a exemplo dos Vatwa. No centro Urbano, a sua prática enfrenta também um travão de cariz moral religioso. 

Terminamos com a frase de um ancião, que reage ao pedido de um familiar no sentido de organizar a praxe de ir "legalizar" a sua segunda relação. 
"Etu oluvale ka tuwunyãle; pwãi ka tulombalomba luvali" (nós não somos contra a poligamia; mas não costumamos fazer alambamento por mais de uma vez).
Neste caso, como interpretar a posição do ancião? 

Ovilamo (cumprimentos), Gociante Patissa, kOmbaka, 22.01.15

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